Pelo aumento da diversidade na ciência brasileira

Pelo aumento da diversidade na ciência brasileira

É fundamental reconhecer a importância da diversidade para a ciência. Uma persistente sub-representação de certos grupos sociais na comunidade científica representa uma perda de talento que certamente é prejudicial para a resolução de problemas. Estudos (por exemplo Opinion: Gender diversity leads to better science ) indicam que incluir e manter pessoas de diferentes identidades sociais (raça, gênero, etc.) na carreira científica contribui, entre outros, para desencadear novas descobertas, ampliar pontos de vista, perguntas e áreas de pesquisa. Daí a importância das políticas de inclusão como forma de cultivar talentos e da relevância de se considerar a diversidade em processos seletivos.

A maternidade desempenha um papel considerável na desigualdade de gênero na ciência. É notável a desproporcionalidade do impacto da parentalidade na produtividade de mulheres e de homens cientistas ( Parent in Science: The Impact of Parenthood on the Scientific Career in Brazil – IEEE Conference Publication ). Reconhecer e acolher a descontinuidade na carreira científica provocada pela maternidade é de fundamental importância. Diversas instituições científicas já vem desenvolvendo estratégias para levar em conta essas intermitências nos processos seletivos. Por exemplo, fora do Brasil o edital para Advanced Grant do European Research Council de 2020 prevê uma extensão de 18 meses no período de avaliação da produtividade de candidatas mulheres para cada filho ou filha nascida durante ou anteriormente ao intervalo de 10 anos considerado na avaliação do pesquisador (página 26/27 do edital 1 | Page (European Commission Decision C(2019) 4904 of 2 July 2019) ). No Brasil existem editais que levam em consideração a maternidade tais como o Programa de Apoio a Ciência do Serrapilheira , o Programa Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ , o Auxílio Recém-Doutor da FAPERGS e os editais para Bolsas de Iniciação Científica da UFRGS , FAPERGS , UFF , UNIPAMPA , UFRPE , UFPel.

A fim de se fomentar a diversidade na ciência brasileira, são imprescindíveis ações institucionais que considerem a maternidade e outros fatores excludentes nos processos seletivos. Em março de 2019, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) comprometeu-se em incluir um campo para a licença-maternidade no Currículo Lattes (após pedido de cientistas, CNPq irá incluir período de licença maternidade e paternidade no currículo Lattes ). Ressaltamos a importância desse mecanismo, que infelizmente ainda não está disponível.

Recomendamos que, a exemplo do que já é feito por outras entidades brasileiras, o CNPq inclua em seus próximos editais cláusulas que reconheçam e acolham a descontinuidade na carreira científica das mulheres, provocada pela maternidade. Esse apoio institucional é indispensável para o enfrentamento à discrepância de gênero na ciência.

Comissão de Gênero SBM/SBMAC
com a colaboração de Carolina Araujo – IMPA