Outros animais têm o sentido do número, mas só a humanidade conta

No grande clássico “Número, a linguagem da ciência”, publicado pela primeira vez em 1930, o historiador da matemática Tobias Dantzig (1884 – 1956) conta o seguinte episódio.

Um proprietário estava determinado a matar um corvo que fizera o ninho numa torre da sua casa. O problema é que de cada vez que entrava na torre o pássaro fugia, ficava observando e só voltava depois que o homem saía da torre.

O dono recorreu a um estratagema: entraram dois homens juntos na torre e só saiu um. Mas o pássaro não se deixou enganar: só voltou ao ninho depois que o segundo homem saiu. Nos dias seguintes repetiram o truque, sucessivamente com dois, três e até quatro homens, mas sempre sem sucesso.

Finalmente, entraram cinco homens na torre e saíram quatro. Dessa vez deu certo: incapaz de distinguir entre quatro e cinco o corvo voltou ao ninho.

Existem outras evidências de que algumas espécies de animais têm um “sentido do número”. Dantzig também menciona um inseto, a vespa solitária, que põe os ovos em células individuais nas quais armazena, para cada ovo, lagartas vivas que servirão de alimento ao recém-nascido.

O que é notável é que o número de lagartas em cada célula é sempre exatamente o mesmo, embora varie segundo a espécie da vespa: algumas espécies colocam 5 lagartas em cada célula, outras 12, algumas chegam a colocar 24.

Como é que a vespa faz? Mais incrível ainda, existe uma espécie em que o macho é bem menor que a fêmea. De algum modo, a mãe adivinha se nascerá um macho ou uma fêmea e coloca 10 lagartas para os ovos femininos e apenas 5 para os masculinos.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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