O segredo para ganhar no jogo

O segredo para ganhar no jogo

Em uma de suas canções, a banda irlandesa de rock U2 garante que “todo apostador sabe que é para perder que se aposta”. Essa afirmação tem base matemática: na grande maioria dos jogos de azar, o jogador tem mais chance de perder do que de ganhar.

Por exemplo, na tradicional roleta francesa há 37 casas numeradas. Os jogadores podem apostar em qualquer uma, menos na de número 0: quando a bola cai lá o dinheiro vai para o cassino.

Por isso, o valor esperado da roleta é negativo, cerca de -2,7%. Pode não parecer muito, mas são coisas assim que fazem de cassinos um dos negócios mais rentáveis —basta observar lugares como Las Vegas ou Macau para constatar o poder extraordinário do jogo de gerar lucro para quem o controla.

Há outra grande vantagem da casa sobre quem aposta. A cada vez que a roleta gira, o resultado é imprevisível. Mas, de acordo com a Lei dos Grandes Números, descoberta pelo matemático suíço Jacob Bernoulli (1654–1705), após um grande número N de vezes é garantido que a bola terá caído cerca de N/37 vezes em cada casa, inclusive a número 0. O lucro do cassino é previsível.

Outro irlandês, George Bernard Shaw (1856–1950), prêmio Nobel da literatura em 1925, expressou a ideia muito bem: “Quem faz um milhão de apostas [o cassino], enquanto o indivíduo só pode fazer uma ou duas, não corre nenhum risco financeiro, pois o que acontece em um milhão de apostas é garantido, ainda que ninguém possa prever o que acontecerá em cada uma delas”. Polêmico, Shaw concluía que a existência do jogo é “o mais perverso crime contra a sociedade”.

Por que alguém aposta em condições desvantajosas? Em alguns casos é pela diversão, pela adrenalina. D. Isaura, minha mãe, jogou na loteria de Natal durante anos, pela brincadeira, garantindo que sabia que não iria ganhar (claro que sempre teve uma ponta de esperança, mas nunca ganhou).

Outras vezes é por desconhecimento, por não entender quão adversas são as probabilidades. Aliás, é bem sabido hoje em dia que muitas decisões humanas não são racionais, não estão baseadas na matemática: avanços nessa área renderam a Richard Thaler o prêmio Nobel da economia de 2017, por exemplo.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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