Não há matemática que explique orçamento irrisório para a ciência

Fui à Fundação Oswaldo Cruz quarta-feira dar uma palestra a meninas e meninos de escolas da periferia do Rio de Janeiro. O Museu da Vida da Fiocruz comemora a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e o que vi lá foi comovedor: crianças de todas as idades, com uniformes das redes municipais e estadual de ensino, sorrisos nos lábios e brilho no olhar, descobrindo segredos do Universo, da vida e do homem que só a ciência pode revelar.

No prédio da antiga cavalariça da Fundação, no meio de tantas atividades e animação, vi o futuro do Brasil sendo tecido.

Mas o futuro é, na melhor das hipóteses, incerto.

Apenas algumas décadas atrás, o Brasil era um país cronicamente subdesenvolvido, vítima da baixa produtividade e das doenças da pobreza, e condenado a importar o conhecimento e a tecnologia necessários a sua subsistência.

É à ciência, acima de tudo, que devemos o avanço alcançado. Instituições como o Observatório Nacional –que comemora 190 anos– a Fiocruz, a Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, o Instituto Butantã, entre outras introduziram o Brasil na era do conhecimento. Embrapa, Petrobrás, Embraer e suas congêneres mostraram como o conhecimento científico pode ser incorporado aos processos produtivos, e mudaram o país.

Todo esse investimento com evidentes contribuições ao país corre sério perigo. O orçamento do MCTIC aprovado na Lei do Orçamento Anual 2017 era de R$ 5 bilhões. Mas esse valor foi reduzido para R$ 2,8 bilhões, o mais baixo na série histórica, com impacto brutal nas ações do ministério, de suas agências –como o CNPq e a Finep– e de seus institutos, entre os quais o Impa, que dirijo.

Alguns dirão que é uma consequência lógica do estado da nossa economia, da mera falta de recursos. Mas esse argumento não se sustenta face à desproporção entre os relativamente pequenos valores de que necessita a ciência brasileira –e o comprovado retorno econômico e social do investimento– e o tamanho do gasto do estado nacional.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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