Maior de todos os cientistas, Newton não foi um grande ser humano

Maior de todos os cientistas, Newton não foi um grande ser humano

Anos atrás foi moda publicar livros com listas das “100 pessoas mais importantes” ou “mais influentes” de todos os tempos. Ultimamente não tenho visto, mas basta uma busca rápida na internet para ver que a mania não passou. Em geral, os primeiros lugares são ocupados pelos fundadores das grandes religiões: Moisés, Cristo, Buda e Maomé. Em seguida vem um cientista: Isaac Newton.

Nascido em 1642 e falecido em 1726, pelo calendário juliano então vigente, de Newton foi dito que “fez avançar todas as áreas da matemática que existiam”. Sua maior obra, “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, publicada em 1687, lançou as bases de uma nova concepção do mundo, científica e racional. Um mundo cujo dia a dia não precisa ser gerido pela divindade, pois está perfeitamente determinado por leis matemáticas.

Não que Newton partilhasse dessa visão. Religioso, acreditava que o universo necessita intervenção divina regular para permanecer estável. Teria ficado chocado se ouvisse um de seus maiores seguidores, o francês Pierre-Simon Laplace (1749-1827), responder “Não precisei dessa hipótese” quando Napoleão Bonaparte questionou por que seu “Tratado de Mecânica Celeste” não mencionava Deus.

Newton foi uma figura paradoxal em mais do que um aspecto: o maior cientista de todos os tempos esteve longe de ser um grande ser humano.

Descobriu o cálculo matemático, extraordinária ferramenta a serviço da ciência. Mas demorou três décadas para publicar, deixando que o alemão Gottfried Leibnitz (1646-1716) se antecipasse.

O motivo da demora é controverso. Newton teria buscado evitar polêmicas, segundo os defensores. Estava escondendo o jogo, para colher sozinho os frutos do novo método, afirmam os detratores.

Seja como for, a disputa sobre a prioridade da descoberta explodiu e envenenou as vidas dos dois. Quando a Real Sociedade Britânica decidiu estudar a questão, Newton, que a presidia, manobrou para a conclusão lhe ser favorável. Ele mesmo escreveu o relatório final, declarando que Leibnitz era uma fraude.

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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