Como Euler usou a matemática para resolver um problema de religião

Como Euler usou a matemática para resolver um problema de religião

Em 1776, o suíço Leonhard Euler aceitou o convite da tzarina (imperatriz) Catarina 2ª para regressar a São Petersburgo, capital do império russo, e assumir a cátedra de matemática na Academia Russa de Ciências. A proposta era irrecusável: um belo salário, pensão para a esposa e promessa de cargos importantes para os filhos.

Aos 69 anos de idade, apesar de praticamente cego, Euler mantinha toda a sua extraordinária potência intelectual e era reconhecido com um dos maiores cientistas do mundo. A sua obra ocupa mais de 60 volumes, o que faz dele o matemático mais prolífico da história.

Catarina, a Grande, como ficou conhecida, uma das monarcas mais notáveis da história, transformara a corte imperial russa em um brilhante centro cultural e intelectual, protegendo e atraindo a presença dos maiores cientistas, pensadores e artistas do seu tempo.

Entre eles, o filósofo e escritor francês Denis Diderot (1713 – 1784), que se notabilizou por ter idealizado e liderado o grande projeto da “Enciclopédia”, uma iniciativa ambiciosa para reunir e divulgar todo o conhecimento da época, tornando-o acessível a todos. A publicação da Enciclopédia na França, entre 1751 e 1772, foi uma das grandes realizações do Iluminismo.

Tendo tomado conhecimento de que Diderot estava passando por dificuldades financeiras, Catarina comprou a biblioteca dele e contratou-o como curador da mesma pelo resto de sua vida, com um bom salário. Inclusive, pagou 25 anos adiantados!

Embora detestasse viajar, o escritor se viu na obrigação de empreender a longa e perigosa viagem de Paris a São Petersburgo, para prestar homenagem a sua benfeitora. Passou cinco meses na capital russa, em 1773 – 1774, durante os quais teve encontros diários com a tzarina para discussões “de homem para homem”, segundo ele. Frequentemente, marcava seus argumentos dando palmadas nas pernas da rainha!
Em carta a uma amiga francesa, Catarina escreveu: “Esse Diderot é um homem extraordinário. Saio das nossas conversas com as coxas doloridas e roxas. Fui obrigada a colocar uma mesa entre nós dois, para proteger a mim e aos meus membros”.

Esta particularidade não diminuiu em nada a admiração da governante, que continuou protegendo o escritor até a sua morte em 1784, em Paris, aos 70 anos.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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