Beleza da matemática de Maryam Mirzakhani e Marina Ratner é eterna

Três anos atrás, no centro de convenções Coex em Seul, preparava-me para assistir a uma palestra do Congresso Internacional de Matemáticos quando se sentou ao meu lado uma jovem matemática de cabelos curtos, parecendo muito cansada. Trocamos frases de cortesia, e ela deu mostras de me conhecer. Eu certamente sabia quem era ela: Maryam Mirzakhani, da Universidade Stanford, nascida no Irã em 1977 e primeira mulher a ganhar a medalha Fields, a distinção mais prestigiosa da matemática.

Num ano em que as Fields se destacaram pela diversidade –um brasileiro, um indiano, uma iraniana e um austríaco–, no Brasil focávamos em destacar a façanha de Artur Avila, o primeiro laureado na história a realizar todos os estudos em um país em desenvolvimento. Para o resto do mundo, era ainda mais notável que só então, pela primeira vez desde sua criação, em 1936, a medalha Fields tivesse ido para uma representante da metade feminina da humanidade.

Acompanhada pelo marido e pela filha de três anos, Maryam estava visivelmente feliz. O esforço para participar nas atividades, porém, era igualmente evidente. Sabíamos que lutava contra um câncer de mama, que quase a impedira de participar no Congresso. Não conseguiu apresentar sua palestra, mas os organizadores optaram por só anunciar o cancelamento após a sua partida, para evitar questionamentos inoportunos.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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