A diferença que faz um professor

A diferença que faz um professor

Visitei semana passada a Escola Municipal Alberto José Sampaio (EMAJS), na Pavuna, no Rio de Janeiro, para um momento muito especial: a premiação da Olimpíada de Matemática da escola. Localizada na zona norte carioca e na divisa com a Baixada Fluminense, a Pavuna ocupa a 99ª posição entre os 126 bairros da cidade no Índice de Desenvolvimento Humano. As estatísticas de segurança refletem a realidade desafiadora que vivem seus moradores. A cada vez que chove um pouco mais, a escola fica alagada: na primeira vez em que a visitei, dois anos atrás, o recreio ainda estava coberto de lama.

“Estamos em um bairro com IDH muito baixo, com alto nível de pobreza. Temos alunos com muitas dificuldades em todos os sentidos, de aprendizagem, sociais. Isso interfere diretamente no desempenho do estudante e da escola” explica a diretora Cinthya Tebaldi, ao mesmo tempo em que comemora o progresso alcançado, particularmente nas olimpíadas de matemática.

Apesar das dificuldades, é uma escola bem organizada e que exala dinamismo e otimismo. O segredo é o de sempre: um grupo de professores apaixonados por seu trabalho, entre os quais se destaca Deivison Cunha.

Conheci Deivison quando ele era aluno do Mestrado Profissional (PROFMAT) no Impa, de 2012 a 2014. Aos 38 anos, é professor em duas escolas municipais e um colégio particular. À noite, leciona em uma universidade, em duas cidades diferentes. No meio da rotina exaustiva, ainda encontra fôlego para coordenar na região o programa OBMEP na Escola, cuja meta é melhorar a qualidade do ensino da disciplina no país, bem como a participação do colégio no programa Meninas Olímpicas do Impa, que visa estimular a presença de alunas em atividades ligadas à ciência. E ainda é pai atento de dois filhos em idade escolar.

Inconformado, Deivison vem buscando melhorar a participação da EMAJS na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). “Criamos uma olimpíada na escola para incentivar nossos estudantes e mostrar que eles podem, sim, conquistar premiações na OBMEP”, explica. Organizar a competição é um desafio: o trabalho é voluntário, e as premiações são adquiridas com recursos doados pelos próprios professores.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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