Matemática rende uma reforma da Previdência por ano

Já escrevi aqui sobre o valor material da matemática. Da otimização de redes de produção e distribuição ao desenvolvimento de tecnologias de comunicação e informação, o conhecimento matemático é protagonista na economia mundial da era da internet. Quanto vale isso em dinheiro?

No início da década, quatro países —Reino Unido, França, Holanda e Austrália— realizaram estudos técnicos para quantificar a contribuição da matemática às suas economias. As conclusões foram análogas e impressionantes: de 10% a 11% dos empregos estão em profissões com forte conteúdo matemático, e essas atividades geram de 13% a 16% do PIB (produto interno bruto) desses países.

Traduzido para o Brasil, significa que a matemática pode somar R$ 1 trilhão (por ano!) à nossa economia. É o que o governo federal pretende economizar, em dez anos, com a reforma da Previdência. Como realizar esse potencial?

Mais um país europeu, a Espanha, acaba de publicar um estudo desse tipo. Por ser um caso um pouco mais próximo do nosso, as conclusões são especialmente interessantes para o Brasil. Os números são menores, mas ainda assim impressionantes. Atividades com forte incorporação da matemática criam 6% dos empregos e geram 10,1% do PIB da Espanha, ou seja, 103 bilhões de euros (R$ 455 bilhões) por ano.

Incluindo impactos indiretos, sobe para 19,4% dos empregos e 26,9% do PIB. As atividades mais impactadas são a informática, as telecomunicações, as finanças e a indústria de energia.

A produtividade dessas profissões matematizadas é comparável à dos países mais avançados: 47,20 euros (R$ 208,40) por hora. Segundo o estudo, “a diferença de impacto se explica pela estrutura produtiva espanhola, que está mais orientada para atividades com menor presença de profissões que requerem certa intensidade matemática”.

 

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019 abre inscrições

Criado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) para aproximar a Matemática da sociedade e ampliar a divulgação científica no país, o Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019 está com as inscrições abertas a partir desta quinta-feira (18).

O prêmio, lançado em 2018, é destinado a reportagens que apresentem a Matemática e as Ciências de maneira interessante e original, provoquem reflexão sobre essas áreas do conhecimento e estimulem a sua popularização no Brasil. A distinção é concedida em duas categorias: Matemática e Divulgação Científica.

Podem concorrer reportagens veiculadas em qualquer meio de comunicação – como jornal, revista, portal, blog e televisão, entre outros –, que tenham sido publicadas/exibidas entre 16 de maio de 2018 e 15 de junho de 2019.

As reportagens podem revelar práticas exemplares, talentos e inovações, assim como ter caráter investigativo, apontando problemas relacionados às categorias. No julgamento, serão considerados, principalmente, os critérios de relevância jornalística do tema, originalidade, profundidade, clareza e qualidade na execução da matéria.

As inscrições poderão ser feitas até 15 de junho de 2019, exclusivamente pelo website www.impa.br/premiodejornalismo.

As premiações são idênticas nas duas categorias, Matemática e Divulgação Científica: R$ 10 mil e troféu (vencedor); R$ 3 mil e diploma (2º lugar); R$ 2 mil e diploma (3º lugar). Para as menções honrosas, até duas por categoria, serão concedidos diplomas.

A Comissão Julgadora poderá propor um prêmio Hors-Concours, em reconhecimento a jornalistas ou órgãos de comunicação, não necessariamente inscritos no concurso, que tenham contribuído excepcionalmente na divulgação da Matemática, Ciência e Tecnologia. O vencedor será premiado com R$ 10 mil e um troféu.

A cerimônia de premiação da segunda edição do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo será em 30 de julho, durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no IMPA, no Rio de Janeiro. A lista dos cinco finalistas em cada categoria será divulgada nos websites e redes sociais do IMPA e da SBM até 15 dias antes da data da solenidade. Os vencedores serão anunciados durante a cerimônia.

Conheça as matérias contempladas na primeira edição do prêmio:

Hors-Concours

Pedro Bassan, Lizzie Nassar, Rogério Lima, Tatiana Neves, Zeca Esperança, Renato Portronieri e Eduardo Seabra – “Ela está nas coisas mais simples da vida: a Matemática” – Jornal Nacional/TV Globo

Categoria Matemática

1º lugar – Maria Clara Vieira e Isabela Izidro – “Esta turma só pensa naquilo”, Veja
2º lugar – Paulo Saldaña – “Filhos ganham 1 ano quando os pais conhecem matemática”, Folha de S.Paulo
3º lugar – Denise Casatti – “A matemática está em tudo”, Jornal da USP
Menção Honrosa – Paula Martini – “Desafios da Matemática”, CBN
Menção Honrosa – Paulo Saldaña e Érica Fraca – “Matemática engatinha nas escolas de elite dos país/ Fórmula Piauí”, Folha de S. Paulo

Categoria Divulgação Científica

1º lugar – Gabriel Alves – “Há 50 anos, Brasil fazia seu primeiro transplante cardíaco”, Folha de S. Paulo
2º lugar – Bernardo Esteves – “O acelerador”, Piauí
3º lugar – Bárbara Souza – “Ciência de ponta a ponta”, CBN
Menção Honrosa – Mariana Lima – “Prazer, sou cientista de Humanas”, o Dia+
Menção Honrosa – Renato Grandelle – “Sem dinheiro para combater o Aedes”, O Globo

Para mais informações, confira o regulamento

Brasil conquista ouro inédito em olimpíada feminina de matemática

Regressou sexta-feira (12) ao Brasil nossa delegação na Olimpíada Europeia Feminina de Matemática (EGMO, na sigla em inglês), realizada em Kiev, Ucrânia, de 7 a 13 de abril. Ana Beatriz Studart, 17, do Ceará, Bruna Nakamura, 16, de São Paulo, Maria Clara Werneck, 17, do Rio de Janeiro, e Mariana Groff, 17, do Rio Grande do Sul —lideradas por Deborah Alves (SP) e Luize Vianna (RJ)— trouxeram uma premiação inédita: um ouro (Mariana, 14ª posição entre 196 competidoras) e dois bronzes (Ana Beatriz e Maria Clara). O Brasil ficou em 20º entre 49 países.

A EGMO é realizada desde 2012 em diferentes países europeus, e o Brasil participa desde 2017, por iniciativa do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e da Sociedade Brasileira de Matemática. Este ano também conta com apoio das escolas das alunas. Até o momento, já somamos 9 medalhas e uma menção honrosa.

Competições abrangentes como a Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) contam com presença equilibrada de meninas e meninos, inclusive na segunda fase, em que participam apenas os 5% melhores de cada escola.

Mas esse não é o caso de certames com caráter mais competitivo, como a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) ou a IMO (Olimpíada Internacional de Matemática). Na IMO 2017, no Rio de Janeiro, as garotas foram apenas 10%. Isso levou o Impa a criar uma premiação especial (Impa Olympic Girls Award) para aquelas que mais contribuíssem para suas equipes, a qual se tornou permanente na IMO a partir daí.

Na própria Obmep, a presença feminina entre os premiados é minoritária e, pior ainda, diminui com a idade. Em 2018, as meninas foram 30% dos medalhistas no ensino fundamental, mas apenas 20% no ensino médio.

Este fenômeno merece um estudo técnico, ainda não realizado, para entender suas causas. Mas parece claro que fatores socioculturais —pouco incentivo das famílias e professores(as), barreiras culturais, carência de casos-modelo— se combinam para perpetuar o disparate de que “matemática não é coisa de mulher”.

 

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Prêmio Respostas para o Amanhã está com inscrições abertas

O Prêmio Respostas para o Amanhã, é uma iniciativa da Samsung com coordenação geral do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária, tem o apoio da UNESCO, Reduca, OEI, Consed e outras instituições comprometidas com a educação de qualidade para todas as crianças, adolescentes e jovens brasileiros. Realizado desde 2014 em vários países da América Latina, no Brasil o Prêmio já mobilizou mais de 153 mil estudantes, 10.200 professores de cerca de 4.120 escolas.

O Prêmio busca estimular e divulgar projetos de investigação e experimentação científica e/ou tecnológica desenvolvidos por estudantes do Ensino Médio da rede pública de ensino. Com base no ensino por projetos, na investigação científica e no pensamento crítico, a iniciativa contribui para a formação de cidadãos capazes de interpretar situações, lidar com as mudanças do contexto e contribuir para avanços da sociedade.

As inscrições estão abertas até 17 de junho, somente pelo site www.respostasparaomanha.com.br.

Destaques da 6ª edição:

Projetos com foco na abordagem STEM – sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) parte de um desafio ou problema que possibilite múltiplas soluções ou respostas. Nessa abordagem, o ensino de Ciências encontra suporte na Tecnologia, nos processos de Engenharia e na aplicação da Matemática para soluções inovadoras de problemas reais em uma situação concreta. A novidade visa despertar o interesse dos estudantes por essas áreas do conhecimento, assim como contribuir para sua formação, de modo que as carreiras científicas e tecnológicas sejam um de seus possíveis projetos de vida.

Os projetos devem partir de demandas reais ou globais e apresentar respostas que melhoram a qualidade de vida das pessoas.

Participação de equipes, de 5 a 15 participantes de uma mesma turma, orientadas por professores que lecionam disciplinas das áreas das Ciências da Natureza e da Matemática e suas Tecnologias. Nesse novo formato, uma mesma turma poderá se organizar por equipes e concorrer com diferentes projetos.

Participação de até dois professores parceiros para apoiar o desenvolvimento do projeto de sua equipe, sendo que esses profissionais podem lecionar em outras áreas do conhecimento, como as Ciências Humanas e suas tecnologias e Linguagens, Códigos e suas tecnologias, fortalecendo assim a interdisciplinaridade.

Certificado de participação para os professores e estudantes dos projetos classificados.

Premiação para as escolas, professores e estudantes sendo:

  • 20 projetos Semifinalistas: Cada professor orientador e até dois professores parceiros dos 20 (vinte) projetos semifinalistas será contemplado com: 1 tablet Samsung;
  • 10 projetos Finalistas: Cada uma das escolas dos 10 (dez) projetos finalistas será contemplada com: 1 (uma) TV Samsung 55” e 1 (um) notebook Samsung;
  • 3 projetos Vencedores pelo Júri Popular: As escolas em que estudam as equipes responsáveis pelos 03 (três) projetos eleitos pelo público serão contempladas com troféus “Projeto Vencedor pelo Júri Popular”. O valor desses troféus é simbólico, não comercial.

3 Vencedores Nacionais: Cada aluno das 3 equipes vencedoras serão contemplados com:

  • 1º lugar: 1 smartphone Samsung;
  • 2º  lugar: 1 notebook Samsung;
  • 3º lugar: 1 tablet Samsung.

O Prêmio disponibiliza também aos professores e estudantes conteúdos formativos para subsidiar o desenvolvimento das propostas e enriquecer ainda mais os projetos. Além disso, haverá a continuidade do Curso Aprender por Projeto para educadores, desvinculado da participação na 6ª edição, oferecido gratuitamente e com certificação ao final.

Para saber mais sobre a proposta, assista a reportagem no programa Marcas&Cidadania, da TV Cultura Digital, com destaque para o Prêmio Respostas para o Amanhã. Clique aqui.

Que destino queremos para a Matemática no Brasil?

Em 15 de março, participei no “Dia da matemática para o desenvolvimento”, realizado por diversas instituições científicas francesas na sede da Unesco, em Paris. O evento visou realçar o papel da matemática e da ciência em geral como motores de desenvolvimento e de geração de riqueza e contou com a participação de cientistas e educadores de todos os continentes.

O Brasil teve papel de destaque, como um exemplo de sucesso cuja trajetória histórica encerra importantes ensinamentos para outros países. Na minha palestra, intitulada “Matemática no Brasil: dos anos 1950 aos anos 2020”, fiz uma explanação das circunstâncias e fatores que conduziram o país à posição que hoje ocupa no cenário internacional.

Nas últimas três décadas, a produção científica do Brasil em matemática passou de 0,79% a 2,34% do total mundial, e o número de estudantes matriculados em programas de doutorado cresceu de 677 para 1.395. Isso também se refletiu num número crescente de pesquisadores brasileiros proferindo palestras no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM): em 2018 foram 13.

Esse progresso conduziu às grandes conquistas alcançadas recentemente: a medalha Fields do pesquisador Artur Avila, em 2014, a realização do ICM 2018 e da Olimpíada Internacional de Matemática 2017 no Rio de Janeiro e a promoção do Brasil ao grupo de elite da União Matemática Internacional.

A principal pergunta dos presentes era: “Qual foi o segredo?”. Não há dúvida de que o maior deles foi a opção de grandes matemáticos (que um colega chamou de “gigantes”), como J. Palis, M. do Carmo, M. Peixoto, E. Lima, D. de Figueiredo, L. Nachbin e outros, de abrir mão de ótimas oportunidades no exterior para regressarem e fazerem nossa matemática acontecer.

Os desafios de hoje não são menores: consolidar o progresso alcançado, garantir que a excelência da pesquisa se traduza em melhora da educação, disseminar a cultura matemática na nossa sociedade, facilitar o acesso de todos ao conhecimento que vai dominar o século 21. Enquanto os pioneiros voltaram para um país que tinha pouco mas prometia muito, a realidade agora é outra.

 

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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OBMEP 2019 bate recorde de escolas e municípios inscritos

A 15ª edição da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) acaba de alcançar dois recordes: 54.830 escolas inscritas, distribuídas em 99,71% dos municípios. No ano passado, 54.498 instituições de ensino, de 99,44% dos municípios, inscreveram seus alunos.

Realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a OBMEP terá em 2019 a participação de 18.158.665 estudantes de escolas públicas e privadas.

“É um excelente resultado de inscrições, e a equipe de logística de premiações e provas do IMPA está de parabéns pelo notável trabalho de divulgação realizado”, declarou Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA.

As inscrições encerraram-se em 15 de março. As provas serão aplicadas em 21 de maio (1ª fase) e 28 de setembro (2ª fase). A divulgação dos vencedores está marcada para 3 de dezembro. Premiados com medalha de ouro, prata ou bronze garantem o ingresso em programas de iniciação científica.

Criada pelo IMPA em 2005, a OBMEP é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC).

A competição contribui para estimular o estudo da Matemática no Brasil, identificar jovens talentosos e promover a inclusão social pela difusão do conhecimento. Estudos independentes já revelaram o impacto efetivo da olimpíada nos resultados de Matemática. Escolas que participaram ativamente da competição, aponta trabalho do ex-presidente do INEP Chico Soares, apresentam melhora no desempenho dos alunos de 26 pontos na Prova Brasil, o equivalente a 1,5 ano de escolaridade extra.

Reprodução: IMPA

Marcelo Viana vence Prêmio CBMM de Ciência

O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, é vencedor da primeira edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia. Instituído pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), o prêmio se propõe a reconhecer e estimular a realização de pesquisas científicas e tecnológicas que produzam impacto no desenvolvimento das ciências no Brasil.

A premiação foi dividida em duas categorias, com a gratificação de R$ 500 mil para o vencedor de cada uma. Viana conquistou o prêmio de Ciência, pelas contribuições durante sua trajetória científica, que elevaram o prestígio do Brasil no cenário internacional.

“Devemos parabenizar a CBMM por este importante prêmio, que reconhece e valoriza o papel da ciência brasileira como motor do desenvolvimento nacional e criadora de riqueza para o Brasil. Acredito que a escolha do meu nome é, acima de tudo, uma homenagem ao progresso notável que a Matemática alcançou no nosso país, e ao seu papel central no conjunto da ciência e tecnologia”, declarou o diretor-geral do IMPA.

Graduado em Matemática pela Universidade do Porto (1984) e doutorado em Sistemas Dinâmicos pelo IMPA (1990), Viana foi vice-presidente da União Internacional de Matemática (IMU), presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), membro do Conselho Deliberativo do CNPq e presidente do comitê organizador do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), realizado no Brasil em 2018. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e detentor de muitas outras distinções acadêmicas, entre as quais o Grande Prêmio Científico Louis D., do Institut de France, uma das mais importantes comendas científicas do mundo, e o Prêmio Anísio Teixeira da Educação Básica, ambos recebidos em 2016.

Na categoria Tecnologia, o contemplado foi João Batista Calixto, pelos esforços na geração de impacto econômico, social e ambiental ao desenvolver aplicações práticas do conhecimento científico.

A cerimônia de premiação ocorrerá em 28 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Reprodução: IMPA

Sem descobertas ‘inúteis’ de Einstein, GPS não existiria

O sistema de posicionamento global (GPS, na sigla em inglês) foi criado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com fins militares, e depois aberto ao uso civil. Atualmente, outros países têm sistemas similares.

O advento dos dispositivos móveis colocou o GPS ao alcance de todos, tornando-o um dos avanços tecnológicos com impacto mais evidente em nossas vidas.

O que é menos conhecido é que o sistema não poderia funcionar sem a descoberta mais famosa de Albert Einstein, a teoria da relatividade, iniciada no “ano miraculoso” de 1905 e completada em 1915.

Para explicar isso, precisamos entender como funciona o GPS. Agradeço ao leitor Alison Moraes, tecnologista sênior do Instituto de Aeronáutica e Espaço, por suas explicações detalhadas.

O equipamento fundamental do GPS é uma constelação de satélites em volta da Terra, os quais emitem sinais eletromagnéticos que identificam o satélite e informam a hora exata da emissão.

Os sinais são recebidos em nossos dispositivos (celulares, por exemplo), que sabem a hora exata da recepção. Dessa forma, como o sinal eletromagnético se desloca à velocidade da luz, podemos calcular as distâncias do dispositivo em relação a cada um dos satélites.

A partir daí, como as posições dos satélites também são conhecidas, para obter a posição do dispositivo só é preciso resolver um sistema de equações bastante simples.

Em teoria, bastaria ter as distâncias em relação a quatro satélites, mas na prática é preciso usar mais, para aumentar a confiabilidade. E, para garantir que satélites em número suficiente estejam acessíveis a todo momento de qualquer ponto na superfície terrestre, é necessário que a constelação seja relativamente grande: atualmente são 31 satélites.

O erro do sistema está entre 5 e 10 metros e, com as melhorias em curso, deverá cair para alguns centímetros.

Isso é uma façanha incrível pois, mesmo que a explicação acima possa parecer simples, na prática há muitas dificuldades. Entre outras, os relógios nos satélites precisam estar perfeitamente sincronizados com os do solo —a margem de erro permitida é de apenas 20 nanossegundos (0,000000020 segundos). E é aí que a teoria da relatividade se torna indispensável.

 

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Estão abertas as inscrições para o Prêmio Elon Lages Lima

O prêmio foi criado pela Sociedade Brasileira de Matemática – SBM, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional – SBMAC e tem como objetivo promover e estimular a produção bibliográfica nacional em Matemática e Aplicações.

Podem concorrer autores brasileiros ou que atuem profissionalmente no Brasil e que tenham publicado obras na forma de monografias, textos introdutórios e, preferencialmente, livros-texto publicadas entre os anos de 2010 e 2018.

As inscrições seguem até 20 de maio e podem ser feitas pelos próprios autores, ou por terceiros autorizados por eles, no site https://premiacoes.sbm.org.br/.

O vencedor recebe diploma certificado pela SBM e SBMAC e R$ 10 mil.

Serão considerados como critérios de julgamento da obra: originalidade, relevância, e profundidade; a clareza e qualidade da exposição; o histórico de revisões, resenhas e eventuais distinções e premiações; a circulação nacional ou internacional, bem como as contribuições ao ensino e pesquisa em Matemática e Aplicações.

O resultado do prêmio será divulgado nos sites da SBM e SBMAC e a premiação acontecerá no 32º Colóquio de Matemática do Impa.

Para mais informações, acesse o regulamento em www.sbm.org.br/premio-elon-lages-lima

Karen Uhlenbeck é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Abel de Matemáticas.

Professora da Universidade de Austin, no Texas e defensora da igualdade de gênero na ciência, seus trabalhos estabeleceram as bases para modelos geométricos contemporâneos em física e matemática.

Karen Uhlenbeck recebe o Prêmio Abel 2019 por seu trabalho fundamental em análise geométrica e teoria de calibre, que transformou dramaticamente o cenário matemático”, afirmou o presidente da comissão Abel, Hans Munthe-Kaas, em um comunicado.

“Suas teorias revolucionaram nossa compreensão de superfícies mínimas, como a formada por bolhas de sabão, e problemas de minimização gerais em dimensões mais altas”, acrescentou.

Nenhuma lei científica leva o nome do descobridor, nem a de Murphy

Algum tempo atrás escrevi que não é de Pitágoras o teorema que leva o seu nome. Isso causou desconforto, e leitores me acusaram de “revisionismo histórico” e “destruição de reputação”. Exageros à parte, acho ótimo que a matemática desperte paixões normalmente reservadas a arbitragens de futebol ou novelas.

No entanto, eu só contei uma “novidade” conhecida dos historiadores há mais de um século a partir de achados arqueológicos na Babilônia e que não diminui em nada o papel dos pitagóricos no desenvolvimento do pensamento ocidental.

Além disso, são muitos os avanços científicos atribuídos erroneamente. Citarei alguns casos em que o erro é fortuito e não resultado de má-fé ou viés.

Já dei aqui outro exemplo: o teorema de Stokes do cálculo vetorial —descoberto pelo físico Lord Kelvin, apresentado ao colega George Stokes. Anos depois, Stokes incluiu a questão numa prova na Universidade de Cambridge e acabou levando a fama, dando o nome ao teorema. Não há registro de que Kelvin, alçado à grande nobreza do reino, tenha se sentido prejudicado.

Outro exemplo, menos científico. Após um teste fracassado com equipamento de sua autoria, o engenheiro aeroespacial Edward Murphy colocou a culpa no assistente. “Se tem um jeito de fazer dar errado, esse cara consegue.” A frase antipática foi convertida no disparate “tudo que pode dar errado dará”, a famosa “lei de Murphy” que o próprio detestava. Mas não precisamos ter pena: será que a frase original o teria feito tão famoso?

Existe até uma “teoria” sobre o assunto. Em 1997, o matemático russo Vladimir Arnold, grande gozador, proclamou: “Princípio de Arnold: se um conceito tem o nome de alguém, essa pessoa não é a descobridora”. Claro que, segundo Arnold, esse princípio fora descoberto por outra pessoa, no caso o físico Michael Berry. Portanto: “Princípio de Berry: o princípio de Arnold pode ser aplicado a si mesmo”.

 

 

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1st Joint Meeting Brazil-France in Mathematics

O primeiro Encontro Conjunto Brasil-França em Matemática (1st Joint Meeting Brazil-France in Mathematics) acontecerá no Impa, Rio de Janeiro, de 15 a 19 de julho de 2019.

Já nos anos 50, matemáticos franceses como André Weil e Laurent Schwartz passaram longos períodos como visitantes na Universidade de São Paulo. A cooperação matemática entre os dois países tornou-se intensa na década de 1970 quando brilhantes jovens matemáticos franceses realizaram seu serviço militar como coopérants no Impa.

A cooperação bilateral cresceu substancialmente ao longo dos anos, tanto que é justo afirmar que cada um dos países é agora um importante parceiro científico do outro no campo da matemática. Um grande sinal dessa parceria é a Medalha Fields concedida em 2014 a Artur Avila em nomeação conjunta do Impa e a Universidade de Paris.

A SBM e a SBMAC juntamente com as sociedades matemáticas da França (SMF e SMAI) decidiram reunir matemáticos dos dois países, especialmente jovens pesquisadores, para consolidar e renovar a cooperação estabelecida ao longo dos anos.

O encontro acontecerá no Impa, Rio de Janeiro, de 15 a 19 de julho de 2019.

Informações sobre inscrição e programação acesse aqui: https://impa.br/eventos-do-impa/eventos-2019/1st-joint-meeting-brazil-france-in-mathematics/

Prorrogação do prazo de indicações para o Prêmio SBM 2019

Foi estendido até 28 de março o prazo para apresentação de candidaturas ao Prêmio Sociedade Brasileira de Matemática, o qual distinguirá (com R$20 mil reais e uma placa comemorativa) o melhor artigo de pesquisa em Matemática publicado entre 2016 a 2019 por pesquisador trabalhando no Brasil e que tenha terminado o seu doutorado do ano 2004 para cá.

As indicações deverão ser enviadas para o e-mail premiosbm@sbm.org.br até o dia 28 de março de 2019.

O regulamento está disponível em: https://www.sbm.org.br/wp-content/uploads/2018/09/Premio_SBM_2019.pdf

Para saber mais sobre o ​histórico do ​Prêmio SBM​,​ acesse: http://www.sbm.org.br/premio-sbm

Por que mulheres são menos valorizadas na ciência?

No livro “Sapiens – Uma breve história da humanidade”, Yuval Harari questiona por que as sociedades humanas são majoritariamente patriarcais, pelo menos desde a invenção da agricultura. Há várias teorias, mas nenhuma explica convincentemente por que nossas culturas valorizam mais os homens do que as mulheres.

Em ciência, esse fenômeno tem nome: “efeito Matilda”, em homenagem à ativista norte-americana Matilda Gage (1826-1898), defensora do sufrágio universal e da abolição da escravatura. No ensaio “Woman as an inventor” (A mulher enquanto inventora), publicado em 1883, ela elenca contribuições femininas à ciência e à tecnologia e mostra como, ao longo da história, muitas delas foram atribuídas a homens.

Muitas vezes isso está associado ao “efeito Mateus”, ou seja, cientistas renomados que recebem crédito excessivo em detrimento de seus colegas mais jovens, de qualquer gênero. O nome faz referência ao Evangelho de Mateus (“àquele que tem, mais será dado e ele terá abundância, mas, daquele que não tem, mesmo o que possui será tirado”).

O mais antigo caso registrado diz respeito a Trota, que viveu na cidade italiana de Salerno na primeira metade do século 12 e se notabilizou na área de medicina da mulher.

Seus tratamentos foram coletados em um texto em latim intitulado “Trotula”, que alcançou fama em toda a Europa. Mas a ideia de que fosse obra de uma mulher era demasiado estranha para os monges copistas que reproduziram o texto na Idade Média. Após sua morte, a autoria foi atribuída a seu marido ou filho. Com o tempo, os confusos monges chegaram a “converter” Trota num homem chamado Trotula. A verdade só veio à tona no século 20.

No tempo de Matilda, a injustiça estava sacramentada na lei: “Se uma mulher casada conseguir uma patente, ela poderá usar como entender? De modo algum. Ela não terá qualquer direito sobre o fruto de sua mente. Seu marido pode dar seu próprio nome à invenção e fazer com ela o que quiser”.

As leis mudaram, na maior parte dos países, mas pressupostos culturais são muito resistentes. Tomei consciência disso, de modo contundente, durante reunião de preparação do projeto “Meninas Olímpicas do Impa”, iniciativa apoiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que visa agir na educação básica para incentivar a permanência de meninas nas áreas de ciências exatas e tecnologia.

 

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Os marcianos já caminharam na Terra

Na imensidão do Universo há incontáveis galáxias, cada uma com bilhões de estrelas, rodeadas por ainda mais planetas. Entre tantos, não há como duvidar de que muitos têm vida inteligente. Certamente, muitos planetas já alcançaram a era espacial: seus habitantes circulam entre os astros, explorando novos mundos. Não é possível que não encontrem um lugar lindo como a Terra.

Enrico Fermi (1901-1954), o grande físico ítalo-americano que liderou o projeto nuclear dos EUA, não estava convencido. “Esses seres superiores já deveriam ter chegado. Onde estão eles?” A resposta, descarada, veio do físico e biólogo húngaro Leo Szilard (1898″”1964): “Eles já estão entre nós, só que se denominam húngaros”. Assim nasceu a lenda dos marcianos.

Nos anos em torno da 2ª Guerra Mundial, emigrou para os EUA um grupo impressionante de cientistas húngaros, especialmente matemáticos e físicos de origem judaica.

Além de Szilard, estavam Theodore von Kárman (1881-1963), Eugene Wigner (1902-1995), John von Neumann (1903-1957), Edward Teller (1908-2003), Paul Erdös (1913-1996), Peter Lax (nascido em 1926) e muitos outros.

Com seu talento sobre-humano —e o sotaque do Drácula nos velhos filmes protagonizados pelo húngaro Bela Lugosi —, eram um grupo à parte. Ficava fácil acreditar que não eram deste mundo.

Dizia-se que uma nave marciana pousara em Budapeste por volta de 1900. Após a conclusão de que a Terra não lhes interessava, os alienígenas foram embora mas não sem antes gerarem os famosos cientistas. Estes contribuíam para enfeitar e propagar a lenda, adicionando “evidências”. Edward Teller, que se orgulhava das iniciais E.T., fingia preocupação: “A história está se espalhando, aposto que von Kármán anda falando demais!”

 

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Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas

O primeiro Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas acontecerá no IMPA nas vésperas do 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, nos dias 27 a 28 de julho de 2019.

A sub-representação de mulheres na área de Ciências Exatas, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CETEM) é um fenômeno mundial preocupante para a ciência, dado que a diversidade está no cerne da pesquisa e da inovação. É importante portanto uma reflexão sobre a discrepância de gênero em CETEM, em particular em matemática, suas causas, desafios e possíveis iniciativas para diminuí-la.

O Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas visa estimular a inclusão e permanência das mulheres na carreira científica em matemática. A programação prevê palestras científicas de alto nível, apresentações de jovens pesquisadoras, sessões de tutoria, apresentações de pôsteres e mesas redondas.

Para mais detalhes, incluindo a programação completa, consulte o link: https://impa.br/eventos-do-impa/eventos-2019/encontro-brasileiro-de-mulheres-matematicas/

 

Rigor de Flexner levou medicina americana ao topo

Escrevi há um mês sobre o livro “A utilidade do conhecimento inútil”, do norte-americano Abraham Flexner. O autor merece que falemos mais dele. Flexner nasceu em Louisville, Kentucky, em 1866. Na época, o ensino no sul dos Estados Unidos era muito ruim, mas ele se autoeducou na biblioteca local. Dessa forma, conseguiu acesso à Universidade Johns Hopkins, então recém-criada e que se tornaria a primeira universidade de alto nível científico no país, com cursos de doutoramento no sentido moderno.

Após a graduação, Flexner voltou ao Kentucky para ser professor. Ao final do primeiro ano, insatisfeito com o desempenho, reprovou a turma inteira. Protestos dos pais levaram a um inquérito: após ouvir os fatos, a direção da escola validou a decisão de Flexner.

Seu trabalho como docente acabou quando Flexner decidiu fazer mestrado. O tema foi a análise do sistema educacional do seu país. A conclusão, uma crítica devastadora, tornou Flexner persona non grata na comunidade dos educadores, mas também atraiu a atenção da Fundação Carnegie para o Avanço da Educação, que lhe encomendou um estudo sobre o ensino de medicina.

No início do século 20, a grande maioria das faculdades norte-americanas de medicina funcionava como certos cursos de moda, serviço social, estética e outros tópicos nos nossos dias: pegavam o dinheiro dos alunos, davam um par de aulas, e outorgavam um lindo diploma. Só em Chicago eram 14.

Flexner fez cursos rápidos de medicina na Johns Hopkins e no Rockefeller Institute e partiu para visitar todas as 155 faculdades de medicina dos Estados Unidos e Canadá. Muitas vezes teve que apelar para a astúcia. Numa faculdade em Des Moines, Iowa, todos os laboratórios – marcados Anatomia, Patologia, Fisiologia etc –estavam trancados e não foi possível encontrar o zelador.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Inscrições abertas para a OBMEP 2019

Estão abertas as inscrições para a 15ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a maior competição científica do país é destinada a estudantes dos Ensinos Fundamental (6º ao 9º ano) e Médio.

Escolas municipais, estaduais, federais e privadas podem participar da olimpíada, que, no ano passado, reuniu 18,2 milhões de estudantes de 99,4% dos municípios brasileiros.

A inscrição deve ser realizada pelas escolas, por meio do preenchimento da Ficha de Inscrição disponível exclusivamente na página da OBMEP (www.obmep.org.br). O prazo se encerra em 15 de março.

As provas serão aplicadas nos dias 21 de maio (1ª fase) e 28 de setembro (2ª fase) e distribuídas de acordo com o grau de escolaridade do aluno: nível 1 (6º e 7º anos), nível 2 (8º e 9º anos) e nível 3 (qualquer ano do ano do Ensino Médio).

A OBMEP premia separadamente alunos de escolas públicas e privadas. Aos primeiros serão concedidas 6.500 medalhas (500 ouros, 1.500 pratas e 4.500 bronzes) e até 46.200 certificados de Menção Honrosa. Estudantes de instituições particulares receberão 975 medalhas (75 ouros, 225 pratas e 675 bronzes) e até 5.700 certificados de Menção Honrosa.

A divulgação dos vencedores está marcada para 3 de dezembro. Premiados com medalha de ouro, prata ou bronze garantem o ingresso em programas de iniciação científica.

Estímulo ao estudo da Matemática

Criada pelo IMPA em 2005 e realizada com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a competição é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC). Ela contribui para estimular o estudo da Matemática no Brasil, identificar jovens talentosos e promover a inclusão social pela difusão do conhecimento.

Estudos independentes já revelaram o impacto efetivo da olimpíada nos resultados de Matemática. Escolas que participaram ativamente da competição, aponta trabalho do ex-presidente do INEP Chico Soares, apresentam melhora no desempenho dos alunos de 26 pontos na Prova Brasil, o equivalente a 1,5 ano de escolaridade extra.

Apoio da UNESCO

Com o tema povos indígenas, a OBMEP 2019 tem o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Além do selo da organização, todo o material de divulgação da olimpíada tem a logo do Ano Internacional das Línguas Indígenas, iniciativa da UNESCO. Os cartazes da OBMEP 2019 são ilustrados pela matemática nos desenhos simétricos dos povos indígenas.

Reprodução: IMPA

Mulher semilendária, Hipátia foi a primeira matemática

É celebrada como a primeira matemática da História. Mulher de forte personalidade que, numa sociedade masculinizada, reuniu à sua volta um círculo brilhante de discípulos que a admiravam. Quem foi Hipátia de Alexandria?

As fontes históricas são escassas. Pior, sua vida e as trágicas circunstâncias de sua morte fizeram dela ícone de causas diversas, até contraditórias, nas quais ela, provavelmente, não se reconheceria. A lenda ocultou os fatos.

Para os filósofos pagãos da fase final do império romano, representou a resistência ao cristianismo. Na Idade Média, foi convertida em símbolo do cristianismo: aspectos de sua vida foram incorporados à lenda de Santa Catarina de Alexandria (que dá nome ao estado brasileiro). Para os pensadores do Iluminismo, simbolizou a oposição ao cristianismo. No século 20, foi reinventada como precursora do feminismo.

Hipátia foi assassinada em 415, mas o ano do seu nascimento não é conhecido: estima-se que tenha sido por volta de 355. Era filha de Téon de Alexandria, matemático e astrônomo de renome e diretor do Mouseion, prestigiosa escola de elite onde era ensinada a filosofia neoplatônica.

Boa parte do pouco que sabemos sobre Hipátia chegou pelos escritos de seus discípulos. Ela atraía admiração generalizada, tanto pelos ensinamentos quanto pela autoridade moral, inclusive a frugalidade de sua vida e vestimenta, e a virgindade que teria mantido durante toda a vida.

Não há evidências de que alguma vez tenha deixado Alexandria. Não era um ambiente democrático: em consonância com o pensamento de Platão, professores e alunos do Mouseion evitavam contato com as massas, que consideravam incapazes de compreender o conhecimento elevado.

Acredita-se que parte do “Almagesto” do astrônomo Ptolomeu que chegou até nós é de autoria de Hipátia. Ela também escreveu comentários à “Aritmética” de Diofanto e aos trabalhos de Apolônio de Perga sobre seções cônicas, que se perderam.

 

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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