Nota de pesar pelo falecimento de Sebastião Firmo (Saponga)

A Sociedade Brasileira de Matemática – SBM informa, com profundo pesar, o falecimento do professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense (UFF), que integrou por vários anos o Conselho Fiscal desta Sociedade (2011–2018) e atualmente é membro do Conselho Diretor (05/08/2019 – 31/07/2021).
Participou da comissão que estruturou o PROFMAT desde o seu início, no segundo semestre de 2010. Levou a proposta desse novo programa para a UFF e foi o responsável pela implementação, iniciando a primeira turma em abril de 2011. Foi coordenador do programa na UFF orientando muitas teses de mestrado.
Sua atuação, intensa e qualificada contribuiu muito para a pesquisa, especialmente nas áreas de Teoria das Folheações e Dinâmica Topológica.
Neste momento de pesar, a SBM se solidariza aos familiares, colegas e amigos e compartilha o sentimento de luto.

INSCRIÇÕES ABERTAS – Exame Nacional de Acesso ao PROFMAT 2021

Estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Acesso ao PROFMAT – ENA 2021.

As inscrições podem ser feitas até as 17 horas do dia 18 de dezembro de 2020.

Clique aqui para acessar o sistema de inscrição.

O PROFMAT é uma pós-graduação stricto sensu para aprimoramento da formação profissional de professores da educação básica.

Para mais informações acesse: www.profmat-sbm.org.br

Clique aqui para acessar o edital.

Atividade de Desenvolvimento Profissional (INCTMat) – 2ª mesa redonda

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Matemática – INCTMat está iniciando uma série de atividades de desenvolvimento profissional dedicados à comunidade matemática em sentido amplo. 

Confira abaixo como será o segundo encontro:

Data de Realização: 09 de dezembro de 2020, às 17:15.

Mesa Redonda: Avaliação de Projetos de Pesquisa e Artigos Científicos

Participantes: André Nachbin (IMPA), Paolo Piccione (USP) e Alexandra Schmidt (McGill University)

Moderadora: Elizabeth Karas (UFPR).

A Mesa Redonda será realizada através da plataforma Zoom. A inscrição será divulgada uma semana antes do evento para distribuição de senha Zoom.

O vídeo do primeiro encontro já está disponível no canal do INCTMat no YouTube: (https://youtu.be/Zj10bQ7926A).  

Para maiores informações e acesse o site: https://inctmat.impa.br/desenvolvimento-profissional/



Prêmio Gutierrez: melhor tese de doutorado em matemática investiga o mistério dos números primos

Ganhar o Prêmio Gutierrez tem um significado especial para Carlos Andrés Chirre Chávez. “Estou muito feliz, pois o nome do prêmio reconhece o grande matemático peruano Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon, que é uma inspiração para os peruanos que estudaram no Brasil”, declara o pesquisador. Seguindo a trajetória do pioneiro Gutierrez, Chirre saiu do Peru, sua terra natal, para continuar seus estudos no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Sob orientação do professor Emanuel Carneiro, o trabalho apresentado por Chirre como conclusão de seu doutorado no IMPA – intitulado Cotas para a função zeta de Riemann via análise de Fourier – foi reconhecido como a melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, considerando os quesitos originalidade e qualidade, avaliados no Prêmio Gutierrez.

Criado em 2009 pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o Prêmio homenageia o peruano Gutierrez, que trabalhou no IMPA até 1999. Depois, ele atuou como professor no ICMC, onde contribuiu com a criação e consolidação do grupo de pesquisa em sistemas dinâmicos. “Acredito que, além de me ajudar na minha vida profissional, esse Prêmio vai motivar vários alunos a estudar no Brasil, e a se dedicarem 100% durante os estudos para atingir seus objetivos”, acrescenta Cháves que, atualmente, é pós-doutorando na Norwegian University of Science and Technology (NTNU), onde trabalha com o matemático Kristian Seip.

“Esta edição contou com 19 teses inscritas, de excelente nível, que representaram nove programas de pós-graduação em matemática de todo Brasil”, explica o professor Ederson Moreira dos Santos, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC e membro da comissão organizadora da iniciativa. “A qualidade da matemática contida nas teses submetidas ao Prêmio indica que estamos trilhando o caminho certo, produzindo aqui, no Brasil, ciência do mais alto nível. O que já foi atestado anteriormente, em 2014, com a atribuição da medalha Fields, maior prêmio mundial da matemática, ao professor Artur Ávila, e com a promoção do Brasil ao grupo de elite da matemática mundial em 2018”, completa Santos.

A cerimônia online de premiação será realizada no dia 10 de novembro, às 14 horas, por meio do canal ICMC TV no Youtube: www.youtube.com/icmctv.  O reconhecimento garante a Cháves a conquista de um prêmio em dinheiro no valor de R$ 3 mil.

Números primos – Filho de um professor de matemática, Chirre nasceu em Lima, capital peruana, onde se formou em Matemática pela Universidad Nacional de Ingeniería (UNI). Também fez mestrado no país, no Instituto de Matemáticas y Ciencias Afines (IMCA). “Um dos mistérios mais importantes da matemática é a distribuição dos números primos no conjunto dos números naturais”, diz o peruano quando começa a explicar a temática que aborda em sua tese.

“Todos nós sabemos que os números primos são: 2, 3, 5, 7, 11… E a lista continua. No entanto, não sabemos exatamente quando um número primo aparecerá na lista de números naturais. Uma parte da teoria analítica dos números estuda a relação entre os números primos e a famosa função zeta de Riemann”, diz. Ele explica que a função zeta tem a ver com os números primos: “Se você tem informação sobre a função zeta, explicitamente tem informações sobre os primos.” Na tese, Chirrez utiliza técnicas recentes de análise de Fourier para encontrar estimativas de objetos relacionados à função zeta de Riemann.

Quando começou o doutorado no IMPA, ele conta que, inicialmente, fez dois cursos: Teoria Analítica dos Números (em que se estuda a função zeta de Riemann) e Análise Harmônica (em que se faz a análise de Fourier), ministradas pelo professor Emanuel Carneiro. “Graças à excelente forma de ensino do Emanuel, eu sabia que tinha que trabalhar na interface entre as duas áreas. Além disso, no Peru, eu já havia aprendido algumas coisas relacionadas à função zeta de Riemann, graças ao meu orientador de mestrado Oswaldo Velásquez, do IMCA”, conta.

O professor Carneiro reconhece que foi o esforço de seu ex-aluno que levou à conquista: “Andrés chegou ao Rio no verão de 2015 e venceu todas as dificuldades que encontrou, sempre com o olhar positivo. Para estudar não havia tempo ruim. Era final de semana, carnaval, feriado, o que fosse preciso. E o resultado de tamanho compromisso e dedicação não poderia ser outro. Estou muitíssimo feliz por ele.”

Já o diretor do IMPA, Marcelo Viana, destaca que a tese de Cháves conquistou também o Prêmio CAPES de Tese 2020, na área de matemática, probabilidade e estatística: “O Prêmio Gutierrez faz jus à excelente qualidade da tese do Carlos Andrés Chirre, dirigida pelo meu colega Emanuel Carneiro, vindo se somar ao Prêmio Capes 2020 de melhor tese. Essas premiações, na esteira do sucesso do IMPA nos dois certames ao longo dos anos, nos enchem de orgulho.”

O premiado reconhece que seu interesse está focado no uso de ferramentas de análise de Fourier, para obter resultados na teoria analítica dos números. “Acho que a principal dificuldade é sempre encontrar a conexão entre essas duas áreas e, em seguida, resolver o problema que está associado a essa conexão. Isso é o que é mais desafiador e sou apaixonado por isso”, finaliza.

Sobre Gutierrez – O pesquisador faleceu no dia 3 de dezembro de 2008, depois de atuar como professor titular no ICMC, onde contribuiu, a partir de 1999, com a fundação e consolidação do grupo de pesquisa em sistemas dinâmicos. Originário do Peru, sua chegada ao Brasil aconteceu em 1969, quando veio estudar no IMPA, onde se titulou mestre e doutor em matemática. Nessa instituição, na qual trabalhou até 1999, começou como professor assistente e chegou à posição de titular. Durante o período, visitou vários importantes centros em matemática como a University of California, em Berkeley, nos Estados Unidos, e o California Institute of Technology.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC-USP – Com informações da Assessoria de Comunicação do IMPA

Mais informações:

Site do Prêmio: http://www.icmc.usp.br/pos-graduacao/ppgmat/premio-gutierrez
Assista à defesa de doutorado de Chirre no IMPA: https://youtu.be/Hz4xXEIhUwQ
Leia mais sobre a trajetória do premiado: Carlos Chávez descobre a beleza da função zeta de Riemann

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Prêmio IMPA-SBM – Vencedores foram anunciados em live

Os vencedores do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2020 foram anunciados em live no instagram do IMPA e da SBM. Em primeiro lugar na categoria Matemática, ficou a reportagem “A Matemática foi descoberta ou inventada?”, de Bruno Almeida Vaiano para a Revista Superinteressante. Na categoria Divulgação Científica, o primeiro lugar foi para a matéria “A primeira imagem de um buraco negro”, da GloboNews. 

Criado para estimular a publicação no Brasil de reportagens jornalísticas sobre Matemática, Ciência e Tecnologia e reconhecer trabalhos excepcionais que aproximem esses temas da sociedade, o prêmio é concedido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Egresso do PROFMAT vence prêmio Educador do Ano de 2020

O professor Luiz Felipe Lins, do Rio de Janeiro, foi anunciado como vencedor do prêmio Educador do Ano. O projeto “Geometria e Construção”, único de matemática na disputa, usou plantas e projetos de imóveis para ensinar matemática.

O projeto foi desenvolvido na Escola Municipal Francis Hime, onde Luiz Felipe Lins leciona e envolveu mais de 70 alunos do 7º ano do fundamental. Os alunos tiveram que imaginar como seria uma casa – desenhando sua planta baixa e produzindo uma maquete – e calcular áreas e o custo para colocar o piso nos ambientes. Durante o trabalho, os estudantes simularam todo processo para construção de uma casa, desde consulta de até conversa com arquitetos, pedreiros e engenheiros.

Luiz Felipe Lins sempre foi engajado com a melhoria do ensino da matemática. Em 2016, sua dissertação de mestrado no PROFMAT, obtido pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o professor apresentou práticas didáticas utilizados por alunos de escolas municipais que tiveram grande influência nos resultados obtidos em Olimpíadas de Matemática.

O Prêmio Educador Nota 10 Criado em 1998, pela Fundação Victor Civita, 10 reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país.

Nota Informativa

A crise sanitária causada pela Covid-19 impõe desafios na educação pela necessidade de distanciamento social, maneira mais segura comprovada para evitar o contágio pelo novo coronavírus. A pandemia encontra-se em estágios diferentes nas diversas localidades onde o Profmat está presente, exigindo cuidados diferentes às Instituições Associadas que compõe a rede.

O início das aulas da próxima turma se dará em março de 2021, seguindo os protocolos sanitários estabelecidos pelas Instituições Associadas. As disciplinas do primeiro ano do Profmat possuem livros-textos e videoaulas que dão suporte para o ensino remoto no caso da instituição optar por esta forma de ensino enquanto perdurar a pandemia.

O processo seletivo do Profmat é bastante concorrido, por este motivo a Coordenação Nacional e as Coordenações de cada Instituição Associada buscam mecanismos para a realização do Exame Nacional de Acesso (ENA) conforme preconizado pelas autoridades sanitárias competentes e pela administração superior das instituições. Considerando a capacidade física da infraestrutura, algumas instituições optaram por realizar o processo seletivo em duas etapas, a primeira eliminatória em janeiro, em que passarão para segunda etapa um número de candidatos que possam ser acomodados com a devida segurança para sua realização. Os detalhes estarão contidos no edital do ENA que será publicado até o final deste mês de outubro. As inscrições poderão ser feitas até 11 de dezembro de 2020 em link na página do Profmat www.profmat-sbm.org.br

Atividade de Desenvolvimento Profissional (INCTMat)

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Matemática – INCTMat está iniciando uma série de atividades de desenvolvimento profissional dedicados à comunidade matemática em sentido amplo. 

O primeiro encontro será realizado no dia 04 de novembro de 2020, às 17h15min.

Mesa Redonda: Elaboração de projetos de pesquisa.

Participantes: Cecília Mondaini (Drexel Univ., Estados Unidos)
Cristina Caldas (Instituto Serrapilheira)
Roberto Imbuzeiro (IMPA)
Yuri Lima (UFC)

A mesa redonda será realizada pela plataforma Zoom. Todas as informações e o link para a inscrição estão disponíveis no site: https://inctmat.impa.br/desenvolvimento-profissional/


Promoção para novos Associados

A Sociedade Brasileira de Matemática – SBM gostaria de convidá-lo(a) para ser nosso associado.

Desde sua fundação, em 1969, a SBM vem exercendo um papel importante para a comunidade matemática, estimulando a disseminação de conhecimentos na área, contribuindo para a melhoria do ensino de Matemática em todos os níveis e zelando pela liberdade de ensino e pesquisa, bem como pelos interesses científicos e profissionais dos matemáticos e professores de Matemática no país.

A SBM é uma entidade consolidada, forte e atuante, que possui um papel importante na divulgação e promoção da ciência no Brasil. Sediou junto ao IMPA o ICM em 2018 e vem promovendo ações para a divulgação matemática para o público em geral, com o apoio ao Festival da Matemática. Também possui grande relevância para o ensino básico de Matemática, estimulando jovens talentos por meio do apoio às olimpíadas, bem como estimulando a participação de jovens na Bienal de Matemática.   Além disso,  coordena um dos programas mais importantes do Brasil para a melhoria do ensino básico de matemática – o Profmat – Programa de Mestrado em Matemática em Rede Nacional com conceito 5 da CAPES.

Outra atividade importante da SBM é o incentivo ao desenvolvimento do ensino e pesquisa por meio de sua Editora, com a produção de uma diversidade de livros que abrangem cursos de graduação, pós-graduação e pesquisa.  

No site da SBM e no Noticiário SBM é possível acompanhar as nossas atividades.

Para tornar-se sócio, basta preencher a ficha de cadastro e efetuar o pagamento do boleto, após a aprovação da Diretoria.

Como novo associado, você receberá um desconto na contribuição anual e um copo retrátil e reutilizável. Os valores da anuidade 2020, já considerando o desconto, são: R$55,00 para aspirante e R$110,00 para efetivo.

Convide amigos e venha fazer parte da SBM!
Estamos à disposição pelo e-mail secretaria@sbm.org.br ou pelo telefone (21) 2529-5065.

Cordialmente,

Sociedade Brasileira de Matemática – SBM
Buscando a melhor formação científica em Matemática no Brasil  

Promoção válida somente para novos associados com os cadastros concluídos entre os dias 15 e 30 de setembro de 2020.

Webinar SBM e SBMAC: Modelos Matemáticos para Epidemias

Diante do cenário mundial, onde todos estão voltados para a pandemia pelo covid-19, a Sociedade Brasileira de Matemática – SBM e a Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional – SBMAC vão debater no webinar Modelos Matemáticos para Epidemias sobre como a Matemática pode contribuir na prática para estudos de epidemias e pandemias.
Essa iniciativa é uma excelente oportunidade de levar a todos informações relevantes sobre a aplicação da Matemática na vigilância epidemiológica – investigação e controle de doenças.

Informações
Webinar – Modelos Matemáticos para Epidemias 28/07/2020 às 18h no canal do YouTube da SBM e SBMAC

Links
SBM – https://www.youtube.com/sbmatematica
SBMAC – https://www.youtube.com/channel/UC0mr0jG9ZYb3ADbvNrXO5pQ

Convidados e Temas
Pedro Peixoto ( USP) – Modelagem da dinâmica espacial-temporal da COVID19 considerando dados de celulares georreferenciados Claudia Mazza (UFRRJ) – Avaliando estratégias de relaxamento do distanciamento social
Claudia Sagastizábal (Unicamp) – Projetos Vidas Salvas e Robot Dance

Moderador
Tiago Pereira (ICMC/USP)

Certificado
Para requerer o certificado, o participante deverá preencher o formulário de solicitação no site da SBM,logo após a transmissão do webinar( https://www.sbm.org.br/lives-sbm).

Inscrições abertas para o Prêmio Shell de Educação Científica 2020

O Prêmio Shell de Educação Científica é uma iniciativa que valoriza e premia professores de Ciências, Biologia, Química, Física e Matemática da rede pública de ensino.

Desde 2014, a premiação incentiva o desenvolvimento de experiências educativas inovadoras entre docentes das redes municipais, estaduais e federal no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Se você é professor ou conhece alguém que seja, ajude a reconhecer esses profissionais pelo seu trabalho e contribua com a transformação da educação em nosso país. Além disso, os ganhadores receberão prêmios em dinheiro e uma viagem educacional para Londres!

Nesta edição, além das premiações regulares, a categoria Premiação Especial 2020 vai reconhecer professores que ao longo do ano trabalharam com a temática da pandemia COVID-19.

Saiba mais em http://psec.shell.com.br e inscreva-se!

Serie de lives: “Conhecendo as áreas de pesquisa em Matemática”

A partir do dia 27/06, a SBM promoverá uma série de lives chamada “Conhecendo as áreas de pesquisa em Matemática”. A série contará com 5 lives sobre algumas áreas de Pesquisa em Matemática. Convidamos pesquisadores da área de Álgebra, Análise, Probabilidade e Estatística, Geometria e Sistemas Dinâmicos, para um bate-papo com nossos associados e seguidores.

A primeira Live (27/06 às 11h) será com o Presidente da SBM e professor da USP, Paolo Piccione,conversando sobre Geometria.

Confira o dia e horário das próximas:

📌01/07 às 11h – Sistemas Dinâmicos com Marcelo Viana, diretor do IMPA.

📌08/07 às 17h – Probabilidade e Estatística com Roberto Imbuzeiro, pesquisador do IMPA e Florencia Leonardi, professora da USP.

📌15/07 às 11h – Álgebra com Luciane Quoos, professora da UFRJ e Guilherme Tizziotti, professor da UFU

📌22/07 às 11h – Análise com Liliane Maia e Jaqueline Mesquita,ambas da UnB.

Anotem na agenda e inscrevam-se no nosso canal do Youtube( www.youtube.com/sbmatematica), não esquecendo de ativar as notificações.

Aguardamos todos vocês!

Antirracismo? Matemáticas Negras na pauta

Vivemos um momento em que a emblemática frase da ativista negra norte americana Angela Davis “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista” se tornou pano de fundo de uma (pseudo) bandeira internacional de combate ao racismo. A popularização da pauta em várias partes do mundo ganhou força após o assassinato do norte americano negro George Floyd, covardemente sufocado por um policial branco nos EUA, que desencadeou uma onda de protestos em todo o mundo contra o genocídio negro.

No Brasil, a violência policial contra a população negra não é novidade. Nomes como João Pedro Matos Pinto (14 anos), Kauan Peixoto (12 anos), Jenifer Silene Gomes (11 anos) e Ágatha Vitória Sales Félix (8 anos) fazem parte das estatísticas da violência policial diária sofrida por muitos “outros” e “outras” que tiveram seus nomes e sobrenomes camuflados por estatísticas que não surpreendem mais. Não é só a brutalidade policial que mata. A morte se inicia muito antes da morte física. Se inicia com o olhar de desumanização e descaso muitas vezes não dado a um animal de estimação. Miguel Otávio Santana da Silva (5 anos) morreu ao
despencar do 9o andar de um prédio em Recife, depois de ter sido abandonado a própria sorte dentro de um elevador pela patroa branca da mãe – empregada doméstica que, trabalhando, andava com os cachorros da casa. Pessoas negras em espaços predominantemente brancos são bem vistas quando estão caladas, comportadas, subservientes. Marielle Franco (38 anos),
vereadora eleita do Rio de Janeiro, mulher, negra, lésbica, mãe, e com muitas identidades que a definem mas não a resumem, pagou com a própria vida o preço por não se calar.

Mas, apesar da comoção e sentimentos de solidariedade serem importantes, é preciso entendermos criticamente como nosso posicionamento individual e coletivo – como comunidade matemática – perpetua estruturas, instituições e práticas que normalizam o
racismo, o patriarcado, a homofobia e outros sistemas de opressão que açoitam vidas negras.

Iniciamos nossa reflexão pela invisibilidade – uma forma de violência – imposta a nós mulheres negras na matemática (e em outras áreas das ciências exatas). Guiada por valores da branquitude que posicionam o homem branco como único criador legítimo de conhecimento, a comunidade matemática em geral não reconhece as diversas maneiras que mulheres negras contribuem ativamente para o avanço dessa ciência. Contribuição essa que se dá não apenas através da pesquisa, mas também da dedicação ao ensino, extensão e cargos administrativos. Não podemos deixar de mencionar as mulheres negras babás, empregadas domésticas e secretárias, que historicamente subjugadas a servitude, trabalham nos bastidores cuidando das crianças, das casas e escritórios, permitindo assim que membros da comunidade matemática cumpram com uma longa jornada de trabalho e dedicação exclusiva à academia – demandas que estão baseadas, historicamente, nas possibilidades da elite branca masculina.

Para as poucas de nós que passamos por sistemas de seleção e ingressamos nos espaços matemáticos seja na graduação ou pós-graduação, enfrentamos o racismo, o sexismo, o elitismo, a homofobia, a intolerância religiosa, e tantas outras formas de
discriminação que existem nas salas de aula, nas reuniões, nos laboratórios, nos congressos, nas decisões de bolsas e na insistência em marginalizar as nossas vozes. Pesquisas recentes indicam que professor@s, estudantes, colegas, e funcionári@s perpetuam, conscientemente ou não, essas práticas discriminatórias que para além de reduzirem nossas possibilidades de permanência e avanço profissional, interferem no nosso direito de viver plenamente[1]. Hoje, graças ao trabalho incessante de feministas negras como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Nilma Lino Gomes e tantas outras (ver Santana, 2019)[2], temos ferramentas teóricas e metodológicas para entender que tais práticas são normalizadas por sistemas que nos desumanizam e protegem pessoas privilegiadas pela branquitude.

Nós, mulheres negras matemáticas, estamos confiantes que para que a luta antirracista seja efetiva precisamos refletir criticamente sobre os privilégios que a branquitude produz e como beneficia – quer queiramos ou não – muit@s membros da comunidade matemática. Não estamos falando somente do privilégio de ocupar majoritariamente as posições de poder dentro e fora da matemática. Esse pacote de vantagens inumeráveis inclui o privilégio de negar o racismo mesmo com tantos índices sociais que nos mostram o contrário; o privilégio de ser vist@ como vítimas e não criminos@s; o privilégio de encontrar, sem nenhuma dificuldade,
livros para suas crianças que representam positivamente seu grupo racial e cultural; o privilégio de ir e vir sem temer uma abordagem policial; o privilégio de ter um bom relacionamento com a polícia; o privilégio de se desracializar e aprender sobre raça e racismo por terceir@s;o privilégio de consumir mídia – TV, revista – que promovem padrões eurocêntricos brancos de
comportamento, beleza, e cultura; o privilégio de entrar numa sala de aula e não se sentir, e nem ser vist@, como um@ impostor@; o privilégio de escapar dos estereótipos negativos que inferem na individualidade; o privilégio de correr na rua com tranquilidade; o privilégio de fazer compras sem ser seguid@; o privilégio de usar o cabelo natural sem medo das repercussões; o
privilégio de praticar suas religiões; o privilégio de expressar emoções sem ser estigmatizad@; o privilégio de deixar suas crianças no cuidado de mulheres negras sabendo que estarão bem cuidadas e vivas quando retornarem; o privilégio de ser, em primeiro lugar, considerad@ um ser human@. Sabemos que muitos dos privilégios citados acima são na verdade direitos. Mas também sabemos que, dentro de uma sociedade fundada na branquitude, tais direitos se tornam privilégios de poucos.

Concordamos que o posicionamento discursivo das comunidades matemáticas contra o descaso com vidas negras é necessário, mas insuficiente para demonstrar compromisso verdadeiro contra o racismo e outros sistemas de opressão. Precisamos de práticas, políticas e estruturas que demonstrem tal compromisso. Precisamos de passos concretos que nos guie em direção a justiça racial – dentro e fora da matemática. Nós, mulheres negras na matemática, estamos dispostas em participar desses esforços. Nesse sentido, oferecemos a seguir algumas possibilidades de ação sem a pretensão de que elas resolvam todos os problemas mas como um alerta de que não podemos mais nos esconder atrás da ilusão de ‘que não sabemos o que fazer para mudar’.

  • Engajamento genuíno e constante em reflexões individuais e discussões coletivas para entendermos o nosso papel na perpetuação do racismo, patriarcado, elitismo, homofobia, e outros sistemas de opressão;
  • Eliminar processos de seleção nos mais diversos níveis que ignoram a realidade coletiva da população negra no Brasil;
  • Implementar serviços de suporte acadêmico, financeiro, social, e emocional para atender as necessidades específicas de estudantes negr@s;
  • Implementar programas de desenvolvimento profissional e estudantil para educar professor@s, estudantes, e funcionári@s na vasta literatura que denuncia o racismo, o sexismo, e os outros “ismos” do Brasil;
  • Viabilizar a denúncia de assédio moral e sexual de estudantes negr@s (de forma anônima), assim como um atendimento e suporte psicológico especializado;
  • Implementar sistemas de punição para tod@s aquel@s que perpetuam violência racial, de gênero, etc;
  • Utilizar conhecimentos matemáticos como ferramenta contra a opressão – econômica, física, social, e outras – de pessoas negras seja desenvolvendo tecnologias, ensinando matemática para justiça social, entre outros;
  • Utilizar conhecimentos matemáticos como ferramenta de preservação das vidas negras na área da saúde, trabalho, educação, lazer e outros.

Declaramos, sem hesitar, que Vidas Negras Importam! Continuaremos a lutar e unir forças com quem estiver comprometid@ com nossa causa, para que nossas crianças tenham como direito o que hoje é tido como privilégio, e para que possam ter vidas plenas, dentro e fora da matemática.

Grupo de Matemáticas Negras
14 de Junho de 2020


Referências:

Silva, G. H. G., & Powell, A. B. (2017). Microagressões no ensino superior nas vias da educação matemática. Revista Latinoamericana de Etnomatemática, 9(3), 44-76.

Rodrigues, V.; & Sito, L. (2019). “Eu, cientista?”: trajetórias negras e ações afirmativas na UFRGS. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, 11(edição especial), 207-230.

Rosa, K. (2019). Race, Gender, and Sexual Minorities in Physics: Hashtag Activism in Brazil. In Pietrocola, M. (Ed), Upgrading Physics Education to Meet the Needs of Society (pp. 221-238). Cham: Springer.

Silva, G. H. G. (2019). Ações afirmativa no ensino superior brasileiro: caminhos para a permanência e o progresso acadêmico de estudantes da área das ciências exatas. Educação em Revista, 35, 1-29.

Souza, C. R., da Cruz, A. C. J., Pierson, A. H. C., & Verrangia, D. (2019). Identidades, pertencimentos e as ciências exatas e tecnológicas. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, 11(edição especial), 252-282.


[1]Ver referências.
[2]Vozes insurgentes de mulheres negras: do século XVIII à primeira década do século XXI, organizado por Bianca Santana.


Reprodução do manifesto antirracista escrito pelo Grupo de Matemáticas Negras.

Inscrições abertas para o Prêmio Gutierrez 2020

Estão abertas, até 31 de julho, as inscrições para o Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2020. A iniciativa reconhece a melhor tese de doutorado na área de matemática defendida no Brasil no ano anterior, considerando os quesitos originalidade e qualidade. A premiação concede R$ 3 mil ao vencedor e é organizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Para se inscrever, o autor ou orientador do trabalho deve preencher o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/161bb
O edital completo pode ser obtido no site: premiogutierrez.icmc.usp.br.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 10 de novembro, às 14 horas, no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano do ICMC ou por meio de um evento online, caso a cerimônia presencial não possa ser realizada devido a medidas de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus.

Sobre Carlos Gutierrez – O Prêmio Gutierrez foi criado para homenagear o pesquisador peruano Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon (1944-2008), que chegou ao Brasil em 1969 para estudar no IMPA, onde se titulou mestre e doutor em matemática. Nessa instituição, na qual trabalhou até 1999, começou como professor assistente e chegou à posição de titular.

Durante esse período, visitou vários importantes centros em matemática como a University of California, em Berkeley, e o California Institute of Technology. Após deixar o IMPA, Gutierrez atuou como professor titular no ICMC, contribuindo com a fundação e organização do grupo de pesquisa em sistemas dinâmicos. Em sua carreira, publicou mais de 70 artigos, orientou sete alunos de doutorado e 20 de mestrado.

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC-USP