Mulher semilendária, Hipátia foi a primeira matemática

Mulher semilendária, Hipátia foi a primeira matemática

É celebrada como a primeira matemática da História. Mulher de forte personalidade que, numa sociedade masculinizada, reuniu à sua volta um círculo brilhante de discípulos que a admiravam. Quem foi Hipátia de Alexandria?

As fontes históricas são escassas. Pior, sua vida e as trágicas circunstâncias de sua morte fizeram dela ícone de causas diversas, até contraditórias, nas quais ela, provavelmente, não se reconheceria. A lenda ocultou os fatos.

Para os filósofos pagãos da fase final do império romano, representou a resistência ao cristianismo. Na Idade Média, foi convertida em símbolo do cristianismo: aspectos de sua vida foram incorporados à lenda de Santa Catarina de Alexandria (que dá nome ao estado brasileiro). Para os pensadores do Iluminismo, simbolizou a oposição ao cristianismo. No século 20, foi reinventada como precursora do feminismo.

Hipátia foi assassinada em 415, mas o ano do seu nascimento não é conhecido: estima-se que tenha sido por volta de 355. Era filha de Téon de Alexandria, matemático e astrônomo de renome e diretor do Mouseion, prestigiosa escola de elite onde era ensinada a filosofia neoplatônica.

Boa parte do pouco que sabemos sobre Hipátia chegou pelos escritos de seus discípulos. Ela atraía admiração generalizada, tanto pelos ensinamentos quanto pela autoridade moral, inclusive a frugalidade de sua vida e vestimenta, e a virgindade que teria mantido durante toda a vida.

Não há evidências de que alguma vez tenha deixado Alexandria. Não era um ambiente democrático: em consonância com o pensamento de Platão, professores e alunos do Mouseion evitavam contato com as massas, que consideravam incapazes de compreender o conhecimento elevado.

Acredita-se que parte do “Almagesto” do astrônomo Ptolomeu que chegou até nós é de autoria de Hipátia. Ela também escreveu comentários à “Aritmética” de Diofanto e aos trabalhos de Apolônio de Perga sobre seções cônicas, que se perderam.

 

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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