Pedro Henrique Gaspar ganha Prêmio Gutierrez 2019

Em novembro de 2012, ao pisar no IMPA pela primeira vez para participar do Simpósio Nacional Jornadas de Iniciação Científica, o estudante de graduação Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva nem sequer imaginava o quanto aquele momento seria determinante para a sua formação e escolhas acadêmicas. Um ano depois, voltou já para o doutorado, no qual escreveu a tese vencedora do Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2019.

Das 11 edições do Gutierrez, nove foram conquistadas por trabalhos realizados no IMPA. O prêmio é concedido à melhor tese em Matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, considerando os quesitos originalidade e qualidade.

Criado em 2009 pela direção do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo (USP), a distinção homenageia o pesquisador peruano, que trabalhou no IMPA até 1999. Depois, atuou como professor titular no ICMC, onde contribuiu com a fundação e organização do grupo de pesquisa em Sistemas Dinâmicos. O prêmio é apoiado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, comemorou o resultado: “É motivo de muito orgulho para o IMPA que mais uma de nossas teses tenha sido distinguida com o Prêmio Gutierrez, um dos mais importantes da Matemática brasileira e que também homenageia um ex-pesquisador da casa.”

Em entrevista por e-mail, entre uma conferência e outra nos Estados Unidos, onde é Instrutor L. E. Dickson na Universidade de Chicago, Marques da Silva, de 27 anos, disse que a honraria conquistada com a tese “A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas” foi uma grande surpresa. Ele defendera o trabalho no IMPA em julho do ano passado.

Marques destacou a importância de prêmios como o Gutierrez para a Ciência:

“Acredito que já crescemos muito em pesquisa e atingimos reconhecimento internacional em diversas áreas – em particular em Matemática – mas ainda temos alguns desafios pela frente. Prêmios como o Gutierrez fornecem um incentivo extremamente importante nessa direção, especialmente em um momento no qual a ciência, a qual deveria desempenhar um papel fundamental na sociedade, se vê tão desvalorizada e frequentemente atacada.”

Feliz e grato aos organizadores do Gutierrez e a todos que lhe deram suporte na carreira acadêmica, desde a graduação, Marques da Silva revelou que os projetos de iniciação científica, sob orientação do professor Fernando Manfio, do ICMC/USP, onde concluiu a graduação em Matemática, foram fundamentais para seguir a carreira de pesquisador na área.

Recordou também da importância do Simpósio Nacional das Jornadas de Iniciação Científica, organizado pelo IMPA. “Foi o que me levou ao instituto pela primeira vez, como aconteceu com muitos de meus amigos que seguem na área acadêmica. Poder participar de um evento como aquele e ter contato com um ambiente estimulante e pessoas inspiradoras certamente me motivou a continuar meus estudos no IMPA.”

Dois meses após o simpósio, no qual foi premiado pelo trabalho “Fibrações localmente triviais e os grupos fundamentais de grupos de Lie clássicos”, ele retornou ao IMPA, para um curso de verão, com o matemático Fernando Codá. No mesmo 2013, passou de aluno de graduação a doutorando no IMPA. O geômetra acabou se tornando seu orientador.

“A convivência com Codá foi inspiradora. Posso mencionar vários fatores para ilustrar isso: o suporte e o encorajamento constantes em relação à Matemática e também à minha carreira, a natureza compreensiva e atenta às dificuldades de seus alunos, sempre os incentivando e dedicando horas a os ajudar, as oportunidades incríveis e todo o crescimento que foram possibilitadas pelas duas visitas que fiz a ele em Princeton”, disse sobre o pesquisador, que saiu do IMPA em 2014 para seguir carreira nos Estados Unidos.

Das trocas com o mineiro de Muzambinho, cidade com cerca de 20 mil habitantes, “matemático brilhante, extremamente gentil e educado”, Codá também tem ótimas recordações. “A tese do Pedro é do mais alto nível e me dá orgulho como orientador”, disse, em entrevista por e-mail, destacando que o “Prêmio Gutierrez ICMC-USP é um reconhecimento muito importante do trabalho de excelência realizado pelos alunos de doutorado brasileiros.”

Durante o doutorado na área de Análise Geométrica, localizada na interface entre Geometria Diferencial, Análise e Equações Diferenciais Parciais (EDPs), no IMPA, Marques da Silva estudou algumas relações entre superfícies mínimas e a equação de Allen-Cahn. Para leigos, o matemático, filho de um casal de contabilistas, citou um exemplo fácil de entender, corriqueiro até mesmo no universo infantil: a bolha de sabão. 

“Superfícies mínimas são objetos que ocorrem em diversos contextos na natureza, em especial em situações de equilíbrio físico nas quais a superfície deve minimizar a área em algum sentido. Um exemplo é a película de sabão formada quando mergulhamos um arame torcido em um copo com água e detergente. Por suas ricas propriedades geométricas e suas conexões com diferentes áreas da Matemática, essas superfícies são amplamente estudadas desde o século 18 e motivaram o desenvolvimento de muitas teorias.”

Na tese, entre outros problemas, ele estudou alguns valores da energia de estados de equilíbrio associados à equação de Allen-Cahn – surgida em modelos matemáticos da interface de diferentes materiais em ligas metálicas. 

“Além disso, descrevemos uma construção de soluções para a equação, obtivemos informações sobre a estabilidade da interface entre as fases e relacionamos esses valores da energia com o volume do domínio onde ocorrem tais transições”, acrescentou. O trabalho se concentra em aspectos teóricos, mas o fato de o assunto ter relação com Ciência de Materiais e formação de padrões, em Biologia, sugere potenciais aplicações, 

A cerimônia de entrega do Prêmio Gutierrez será em 27 de agosto no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC, em São Carlos (SP). O evento é parte da programação do Workshop de Teses e Dissertações em Matemática do instituto. 

Reprodução: IMPA

Jaqueline Godoy Mesquita é uma das vencedoras do prêmio Para Mulheres na Ciência L’Oréal-UNESCO-ABC

Criado para reconhecer e promover a participação da mulher na ciência e apoiar cientistas promissoras no país, o que favorece a igualdade de gênero no país.

A iniciativa da L’Oréal, em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), premia anualmente, desde 2006, sete jovens pesquisadoras nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática.

Jaqueline Godoy Mesquista é pesquisadora da Universidade Brasilia, (UnB) e secretária regional da Sociedade Brasileira de Matemática, se dedica ao estudo das equações que envolvem retardamento, isto é, em que decorre um certo tempo entre a causa e seu efeito – por exemplo, a ação de determinado medicamento no organismo humano, ou o crescimento populacional em determinada região. Esta é uma área relativamente nova da matemática, que vem ganhando destaque pela sua grande aplicabilidade. É membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS -The World Academy of Sciences) e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC.)

O trabalho “Periodicidade e teoria de bifurcação para as equações diferenciais funcionais em medida e equações dinâmicas funcionais em escalas temporais” ganhou uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil como impulso extra para ter prosseguimento em seus estudos e incrementar o desenvolvimento da ciência no país.

O que querem as mulheres matemáticas, afinal?

No fim de julho, por dois dias, aconteceu no IMPA o primeiro Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas (EBMM). Na programação, palestras científicas, apresentações de jovens, tutoriais, mesas redondas e muitas discussões sobre o papel da mulher e a questão da diversidade na ciência. Com quase 500 participantes, mulheres e homens, foi um enorme sucesso. 

Mas claro que não foi unanimidade. Um colega escreveu-me queixando-se: “Nunca vi evento de matemática excluir mulher, este é o primeiro em que vejo exclusão”. Respondi discordando das duas afirmações. Primeiro, o EBMM esteve aberto a todos: a participação masculina num evento como esse é da maior importância. Segundo, embora (na maioria dos países) mulheres não estejam proibidas de participar em atividades científicas, mecanismos de exclusão mais sutis, mas muito eficazes, infelizmente continuam em ação.

Quando a família incentiva o filho, mas não a filha, a ter bom resultado na Olimpíada de Matemática, a menina está sendo excluída. Também é exclusão quando o orientador recusa uma aluna porque ela pode engravidar durante o doutorado. Quando uma mulher deixa de participar numa conferência porque não tem com quem deixar os filhos, está efetivamente sendo excluída. Homens não têm problemas desses… 

Assim, mulheres talentosas vão sendo afastadas do ambiente da ciência, para prejuízo de todos. Vemos esse efeito na Olimpíada de Matemática, com o percentual de medalhistas meninas caindo com a idade – são 31% no Ensino Fundamental e apenas 19% no Ensino Médio. 

O colega protesta que “o homem não é o inimigo” e está certo. Mas, por isso mesmo, precisamos ser parte da solução. As desvantagens que as mulheres enfrentam são tanto estruturais quanto culturais. A mudança começa nas mentalidades.

Um usuário das redes sociais protesta que “as mulheres querem privilégios”. Mas o que ouvi no EBMM foi o pleito, de mulheres cuja trajetória profissional eu respeito, de que a sua contribuição seja reconhecida em pé de igualdade e que as especificidades – maternidade, responsabilidades familiares– sejam levadas em conta, exatamente para que o “jogo” seja mais justo. As agências europeias de pesquisa já fazem isso em suas avaliações de desempenho.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Jayme Szwarcfiter recebe Prêmio Elon Lages Lima

Pesquisador de renome internacional na área de grafos e algoritmos, o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jayme Luiz Szwarcfiter é o vencedor da primeira edição do Prêmio Elon Lages Lima, pela obra “Teoria computacional de grafos: os algoritmos”. A cerimônia de premiação aconteceu nesta quarta-feira (31), durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no IMPA.

Homenagem ao ex-diretor e pesquisador emérito do IMPA, que se dedicou à criação de uma literatura matemática em língua portuguesa, o prêmio foi instituído pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). A gratificação visa promover e estimular a produção bibliográfica nacional em Matemática e Aplicações, destinada à formação e difusão de conhecimentos na área.

“Na academia, há prêmios para alunos, melhor tese, pesquisadores, melhor artigo, mas está faltando uma peça muito importante na construção do conhecimento que é contemplar autores de livros e de monografias. Esta categoria é pouco considerada no nosso ciclo. Escrever um livro de Matemática é algo que exige um trabalho muito grande, um esforço por um período longo, mas tem pouquíssimo reconhecimento. É realmente importante incentivar esses autores”, apontou o presidente da SBM, Paolo Piccione.

Amplamente utilizado, o livro de Szwarcfiter aborda um tema importante para a formação básica em Ciência de Dados.

“Por combinar rigor na exposição sem descuidar das aplicações, que mescla temas de pesquisa ativa (em aspectos “puros” e “aplicados”) a implementações computacionais escritas em linguagens de programação bastante atuais, a obra é um exemplo da prolífica interação entre os aspectos da Matemática representados pelas duas Sociedades”, destacou Jorge Lira, presidente da Comissão Julgadora e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Sinto-me muito honrado. Escrever livros em língua portuguesa é fundamental. Além da relevância de estabelecermos um vocabulário matemático com termos em português, é muito importante para alunos da graduação. Há muitos deles que têm dificuldade de pegar um texto em inglês e acompanhar”, disse Szwarcfiter.

Foram analisadas 22 obras na forma de monografias, textos introdutórios e livros-texto publicados entre 2010 e 2018. A seleção considerou os critérios de originalidade, relevância e profundidade; clareza e qualidade da exposição; histórico de revisões, resenhas e eventuais distinções e premiações; circulação nacional ou internacional, bem como as contribuições ao ensino e à pesquisa em Matemática e Aplicações. A premiação consiste em R$ 10 mil, troféu e diploma. 

Além de Piccione e Lira, a mesa diretiva da cerimônia foi composta por Carlile Lavor, presidente da SBMAC; André Nachbin, pesquisador do IMPA; Nancy Garcia, vice-presidente da SBM; e Luiz Mariano Carvalho, vice-presidente da SBMAC.

Reprodução: IMPA

Colóquio e Encontro de Mulheres refletem a matemática atual

O primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática, de 1º a 20 de julho de 1957, em Poços de Caldas (MG), contou com 49 professores de 9 instituições, quase toda a comunidade matemática brasileira da época. Estava um pequeno número de mulheres, como Marília Peixoto e Elza Gomide, que, ao lado de Maria Laura Leite Lopes, foram nossas primeiras doutoras na matéria. A matemática engatinhava por aqui.

A 32ª edição do evento, realizado pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) a cada dois anos, acontece esta semana, com mais de mil inscritos. Este ano, tem uma importante dimensão extra: no fim de semana, aconteceu o primeiro EBMM (Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas), com quase 500 participantes.

Desde 1957, o Colóquio tem papel determinante no desenvolvimento da matemática brasileira, facilitando o contato entre pesquisadores nacionais e estrangeiros e o acesso, sobretudo dos mais jovens, aos avanços recentes na área. Sucessivas gerações de nossos melhores matemáticos encontraram suas vocações no Colóquio.Já na primeira edição, houve um curso ministrado pelo alemão Georges Reeb, um dos expoentes mundiais da topologia e da teoria das folheações. O cuidado em atrair os melhores matemáticos do planeta para apresentarem seus trabalhos é uma constante. 

Outro fator que contribuiu muito para o sucesso foi a decisão, desde o início, de que todo curso precisaria ter um texto escrito pelo professor para ser distribuído aos alunos. Muitos de nossos livros de matemática de maior sucesso no Brasil e no exterior começaram assim. A regra continua sagrada, mas hoje a distribuição é prioritariamente eletrônica.

A partir de 1987, o Colóquio trocou Poços de Caldas pela sede do Impa no Rio de Janeiro. Acentuou-se a tendência de crescimento do evento, com participação de mais de um milhar de alunos de graduação ou pós-graduação, professores e pesquisadores. A programação diversificou-se, para atender público tão heterogêneo. E a dimensão internacional ficou mais forte.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Paolo Piccione é reeleito presidente da SBM

Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) no período 2017/2019, o italiano Paolo Piccione, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), foi eleito para dirigir a instituição de 2019 a 2021. 

Na tarde desta terça-feira (30), antes da solenidade de entrega do Prêmio SBM 2019, Piccione fez uma apresentação, no 32º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), sobre as atividades de sua gestão.

Ao iniciar sua fala, Piccione destacou os 50 anos da SBM, criada em 1969 durante o 7º CBM. A instituição surgiu com o objetivo de reunir matemáticos e professores da área, estimular a realização e divulgação de pesquisa de alto nível em Matemática e contribuir para a melhoria da disciplina, entre outras metas.

Entre as atividades realizadas durante sua gestão, Piccione citou a criação do noticiário mensal eletrônico, o lançamento de seis novos títulos editoriais –uma das principais atividades da SBM-, a organização e o apoio a eventos nacionais e internacionais, entre os quais a 9ª Bienal Brasileira de Matemática e o Joint Meeting Brazil France.

Ainda na área editorial, Piccione falou sobre a edição do Boletim da Sociedade Brasileira de Matemática. Entre 1988 e 2018, o pesquisador emérito do IMPA Jacob Palis foi editor-chefe da publicação, substituído pelo diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana. 

“Quero agradecer ao professor Jacob Palis, que transformou essa revista, que era regional, numa revista de grande prestígio internacional. O comitê editorial, sob sua responsabilidade, sempre foi composto por matemáticos excelentes. Isso nos deu grande visibilidade no exterior. Em nome da comunidade matemática brasileira, obrigado por seu trabalho”, disse o presidente da SBM, que também agradeceu a Viana. “O fator de Impacto da revista cresceu muito. Isso se deve também ao grande trabalho dele.”

Piccione destacou, ainda, a realização do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), com apoio do IMPA, e a criação da Comissão de Gênero, parceria com a Socieda de Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). 

Onze pesquisadoras integram o grupo, surgido para estudar problemas relacionados à questão de gênero na Matemática. A primeira ação da comissão foi a elaboração do documento “Diretrizes para a Diversidade em Eventos”, inspirado em material produzido pela London Mathematical Society.

“São dicas sobre como se deve organizar a composição de comitês científicos e palestrantes para garantir uma presença mais equilibrada de mulheres dentro da nossa programação científica”, detalhou o presidente da SBM, informando que a instituição também mudou o edital de chamadas para os eventos que patrocina, em busca de uma distribuição de gênero que melhor represente a sociedade científica brasileira.

O Prêmio SBM 2019, entregue logo após a apresentação de Piccione, foi conquistado, pela primeira vez, por uma mulher: a especialista em Sistemas Dinâmicos Luna Lomonaco, professora da IME/USP, que, a partir de janeiro de 2020, passará a integrar o corpo científico do IMPA. À mesa de convidados da cerimônia, estavam a vice-presidente da SBM, Nancy Garcia (Unicamp); a diretora da SBM Walcy Santos (UFRJ); Marcelo Viana; o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira; e o presidente da SBMAC, Carlile Lavor. 

Viana entre Leny Alves (UFRJ) e Detang Zhou (UFF) e Alencar, a lado da filha Bruna

Em seguida, foram concedidos títulos de associados honorários da SBM a Marcelo Viana e Hilário Alencar, pelas contribuições relevantes ao desenvolvimento da Matemática no Brasil.

“Tenho apreço grande pelo papel que a SBM tem”, declarou Viana, observando que a instituição tem encarado “a sua missão com um olhar cada vez mais abrangente”. Frisou, também, a honra de ter trabalhado com Alencar – “ele tem o sentido da grandeza” – e contribuído com a SBM. Viana presidiu a instituição de 2013 a 2015 e foi vice-presidente de 2009 a 2013.

Professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e presidente da SBM nas gestões 2009/2011, 2011/2013 e 2009/2011, Alencar é editor-executivo da SBM desde 2012. Ao receber o título de associado honorário, ele lembrou as palavras de Luna Lomonaco sobre as dificuldades de seguir na profissão, também em decorrência do gênero, e disse ter passado por obstáculos por ser nordestino.

Reprodução: IMPA

Folha e Estadão recebem Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019

Os vencedores do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019 foram anunciados nesta terça-feira (30) durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). A distinção, criada pelo IMPA e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), visa contribuir com a disseminação da cultura científica na sociedade brasileira.

Gabriel Alves, repórter da Folha de S.Paulo, foi o primeiro colocado na categoria Matemática, com a série “A Matemática explica”. Primeiro lugar na categoria Divulgação Científica, a jornalista Júlia Marques, do jornal O Estado de S. Paulo, destacou a importância da valorização do trabalho jornalístico. 

“Agradeço imensamente a possibilidade de estar aqui hoje e compartilhar com todos o meu trabalho. Para nós, jornalistas, é superimportante que a comunidade científica esteja de olho no nosso trabalho, consiga observar o que estamos fazendo e valorizar. Isso nos dá força para continuar em nossa profissão e ir atrás de boas histórias”, disse a vencedora.

Em 2018, Gabriel Alves já havia conquistado o primeiro lugar na categoria Divulgação Científica, com a reportagem multimídia “Há 50 anos o Brasil fazia seu primeiro transplante cardíaco”. A premiação ocorrera durante o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), no Rio de Janeiro.

O jornalista Gabriel Alves (centro), primeiro colocado na categoria Matemática do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019, ao lado do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, (à direita) e do diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu (à esquerda)

“É uma bela iniciativa estimular que as pessoas escrevam e comuniquem a Matemática. É louvável. É difícil fazer reportagens sobre o tema, mas tenho tentado. Fiz faculdade de Matemática e ainda assim é um desafio abordar o assunto”, disse o jornalista. 

Para o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, membro da comissão julgadora, “a qualidade e a diversidade das matérias premiadas nos convencem do potencial da comunicação científica no Brasil”.

Inscreveram-se na disputa 82 trabalhos nas categorias Matemática (28) e Divulgação Científica (54). As produções vieram de 39 órgãos de mídia do Distrito Federal e de 12 Estados: Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

As reportagens foram veiculadas em jornais, revistas, portais, blogs, televisão e rádio entre 16 de maio de 2018 e 15 de junho de 2019. A seleção dos finalistas considerou os critérios de relevância jornalística do tema, originalidade, profundidade, clareza e qualidade na execução do material jornalístico.

“Esta foi a participação mais divertida em uma comissão”, disse o presidente da SBM, Paolo Piccione, ao parabenizar os vencedores pela qualidade do trabalho.

A jornalista Júlia Marques (centro), primeiro lugar na categoria Divulgação Científica do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019, ao lado do presidente da SBM, Paolo Piccione (à esquerda), e do presidente da SBPC, Ildeu Moreira (à direita)

Além de Viana e Piccione, a Comissão Julgadora foi composta por Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Raphael Gomide e Sergio Torres, jornalistas da Corcovado Comunicação Estratégica, empresa responsável pela comunicação do IMPA.

Também participaram da entrega dos prêmios o diretor-adjunto do IMPA, Claudio Landim, e o diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.

As premiações são idênticas nas duas categorias: R10 mil e troféu(vencedor); R$ 3 mil e diploma (2º lugar); R$ 2 mil e diploma (3º lugar). Para as duas menções honrosas foram concedidos diplomas.

Categoria Matemática
1º lugar– Gabriel Alves – “Série: A Matemática explica”, Folha de S.Paulo
2º lugar – Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo – “Estudo encontra 999 beneficiários do Bolsa Família que conquistaram 1.288 medalhas em olimpíada de matemática”, G1
3º lugar – Jussara Santa Rosa, Neyara Pinheiro, Walter Júnior, Fernando Cardoso e Osiel Pontes – “A Matemática multiplica sonhos no Piauí”, TV Clube, afiliada da TV Globo
Menção Honrosa – Gabriel Alves – “Matemática ajuda médicos a prever risco de morte em cirurgia cardíaca”, Folha de S. Paulo
Menção Honrosa – Fernando Tadeu Moraes – “Um engenheiro e suas obras imateriais”, Piauí

Categoria Divulgação Científica
1º lugar – Júlia Marques – “Primeira missão brasileira no Egito prepara escavação de tumba milenar”, O Estado de São Paulo
2º lugar – Stefhanie Piovezan – “Como rede de cientistas usa dados para tentar achar corpos em Brumadinho”, UOL
3º lugar – Marília Marasciulo, Isabela Moreira, May Tanferri, Tomás Arthuzzi, Ina Ramos e Camila Rosa – “Lugar de mulher é na ciência”, Galileu
Menção Honrosa – Stefhanie Piovezan – “O berço dos dinos é aqui”, UOL
Menção Honrosa – Gabriel Justo, Giuliana de Toledo, Mayra Martins e Otávio Silveira – “Para que serve o Nobel?”, Galileu

Reprodução: IMPA


Luna Lomonaco é a primeira mulher a conquistar Prêmio SBM

Especialista em Sistemas Dinâmicos, a italiana Luciana Luna Lomonaco é a primeira mulher a conquistar o Prêmio SBM de Matemática. Professora do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), a partir de 2020 ela passará a integrar o corpo científico do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). 

Luna ganhou o prêmio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) 2019 pelo trabalho “On Quasi-Conformal (In-)Compatibility of Satellite Copies of the Mandelbrot Set: I”, publicado, em 2017, na  Inventiones Mathematicae 210. Além de diploma e prêmio de R$ 20 mil, o vencedor é convidado a proferir palestra plenária no Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), realizado no IMPA.

Após receber o prêmio das mãos do presidente da SBM, Paolo Piccione, Luna falou sobre “a imensa honra” de ter recebido a distinção e as dificuldades para entrar e se manter na carreira de pesquisadora em Matemática. “Nunca imaginei que chegaria até aqui, pois não foi nada fácil. Nesses 15 anos e muitos de vida, estive muito perto de desistir”, declarou, enfatizando a importância do apoio das pessoas que acreditaram que ela seria capaz. 

Luna agradeceu a comunidade brasileira de matemática, “pela acolhida”; à SBM, pelo prêmio: e aos pais dela e contou à plateia que chegou ao Rio de Janeiro no domingo, ainda a tempo de acompanhar o segundo e último dia do Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas, realizado este fim de semana no IMPA.

“Foi uma experiência muito forte, pois ouvi muitas histórias parecidas com a minha”, confessou, dedicando o Prêmio SBM 2019 a todas as mulheres matemáticas.

Concedido a cada dois anos pela SBM durante o Colóquio, o prêmio foi criado para distinguir o melhor artigo original de pesquisa em Matemática publicado recentemente por um jovem pesquisador residente no Brasil. As indicações são feitas por qualquer pesquisador ou docente de instituição nacional de ensino e pesquisa.

Ganhadora do L’óreal-Unesco-ABC “Para Mulheres na Ciência” 2018 – criado para promover a igualdade de gênero no ambiente científico – Luna estuda um dos fractais mais conhecidos, intitulado Conjunto de Mandelbrot, e suas cópias dentro e fora do objeto geométrico.  

Nascida em Milão, na Itália, e criada na Europa, onde também fez boa parte de seus estudos – graduou-se (2007) na Univesità degli Studi di Padova, mestrado na Universitat de Barcelona (2009) e doutorado na Roskilde University (2012).

O artigo de Luna foi selecionado pela comissão formada pelos professores Noga Alon (Tel Aviv University e Princeton University), Vaughan Jones (Vanderbilt University), Richard Schoen (University of California-Irvine), Stanislav Smirnov (Université de Genève) e Paolo Piccione (USP), presidente da SBM. Foram considerados os critérios de originalidade, relevância, profundidade e potencial de impacto no desenvolvimento da respectiva área.

Nas quatro edições já realizadas, dois pesquisadores do IMPA foram premiados: em 2013, Artur Avila ganhou com “On the regularization of conservative maps”, artigo publicado na Acta Mathematica 205 (2010); e em 2017, o vencedor foi Robert Morris, autor de “Independent sets in hypergraphs”, divulgado no Journal of the American Mathematical Society, volume 28 (2015). 

Reprodução: IMPA

Nota de Falecimento: Profº Sérgio Mota Alves

Com pesar, informamos o falecimento do Profº Sérgio Mota Alves, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (29) em Campina Grande – PB.

O Professor Mota foi um impulsor da adesão da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) na rede do Profmat e o primeiro Coordenador do Profmat-UESC, no período de 2011 a 2015. Colaborou ativamente na Coordenação Regional do Profmat – Região Nordeste de 2012 a 2015. Na UESC orientou 11 dissertações.


O sepultamento será hoje (29) às 17:00 horas no cemitério Monte Santo, em Campina Grande.

NOTA da SBMAC e SBM sobre o INPE

Durante décadas, o Estado Brasileiro criou seus Institutos de Pesquisa, com dedicações específicas. Esses centros visam fomentar o desenvolvimento técnico-científico em áreas consideradas estratégicas, cumprindo missões de Estado. Todos eles foram dotados de um corpo técnico de excelência, permitindo cumprir seus objetivos estratégicos e contribuir para o desenvolvimento da Nação.

Dentre esses institutos, o maior deles é o INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE), criado em 1961, voltado para o desenvolvimento de tecnologia espacial em prol do progresso do Brasil.

Ao longo do tempo, o INPE se consolidou, adquirindo um prestígio internacional, sendo considerado um centro de excelência em suas áreas de atuação.

Dentre essas áreas, a de “Sensoriamento Remoto e Observação da Terra” logo adquiriu alto prestígio, realizando um trabalho de excelência idêntico ao que é empreendido pelos mais respeitados centros internacionais. Em especial, o INPE usa dados obtidos de satélites de “Observação da Terra”, incluindo dados originários de satélites desenvolvidos no próprio Instituto, para acompanhar o desmatamento da região amazônica. Os dados são coletados e procedimentos de análise e consolidação são aplicados, obtendo os resultados que são periodicamente divulgados. Esses procedimentos são rastreáveis e obedecem às mesmas metodologia empregadas em outros centros congêneres.

Visando defender o legado científico e tecnológico, desenvolvido com tanto esmero e dedicação ao longo de gerações, e reconhecendo o papel de excelência que o INPE vem fazendo ao cumprir sua missão de Estado, a Diretoria e o Conselho da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) vem a público externar seu total apoio ao INPE, sua equipe técnica-científica e seu Diretor, Prof. Ricardo Galvão, repudiando veementemente as críticas gratuitas e sem embasamento técnico que lhes foram dirigidas.

Destacamos nossa crença, enquanto Sociedades Científicas, que o desenvolvimento da Nação depende de um compromisso de Estado com a Educação e o desenvolvimento científico e tecnológico.

Carlile Lavor (Presidente – SBMAC) e Paolo Piccione (Presidente – SBM)

Bill Gates não caiu na pegadinha de Warren Buffett

Bill Gates, o bilionário fundador da Microsoft, conta que seu amigo megainvestidor Warren Buffett o desafiou para um jogo de dados diferente. Eram quatro dados, cada um com uma combinação distinta de números nas faces. Cada jogador escolheria um dado, lançaria várias vezes, e o vencedor seria quem obtivesse pontuação superior em mais lançamentos.

Gentilmente, Buffett ofereceu que Gates escolhesse primeiro. Desconfiado, Gates analisou os dados e devolveu a gentileza, insistindo que fosse o outro o primeiro. Ele percebera a pegadinha: os dados formavam um conjunto não-transitivo!

Se Alice é mais alta do que Bernardo, e este é mais alto do que Claudia, então claro que Alice é mais alta do que Claudia. Os matemáticos dizem que “ser mais alto do que” é uma relação transitiva.

Mas há muitas situações que não são transitivas. Se o Botafogo vencer o Cruzeiro, e este derrotar o Santos, infelizmente isso não garante que o Fogão ganha do Peixe. Um exemplo simples de jogo não-transitivo é o popular Pedra-Papel-Tesoura, em que cada uma das opções ganha de uma e perde para a outra.

A partir dos anos 1970, matemáticos descobriram que é possível criar situações semelhantes – mas muito mais interessantes e sutis – usando dados com faces numeradas de modo adequado.

Não sabemos como eram os dados de Buffett, mas podemos imaginar que fossem parecidos com estes, que foram descobertos pelo estatístico norte-americano Brad Efron: o dado A tem o número 3 em todas as faces; o dado B tem duas faces 0 e quatro faces 4; o dado C tem três faces 1 e três faces 5; e o dado D tem quatro faces 2 e duas faces 6.

No confronto direto o dado A perde para o B. Se Gates escolhesse o dado A, Buffett poderia pegar o B e ficar em vantagem: teria probabilidade 4/6 de obter número 4, e vencer. Mas, analogamente, B perde para C, que perde para D, que perde para A (convido o leitor a verificar e me enviar pelo e-mail viana.folhasp@gmail.com). O segundo a escolher sempre pode ficar em vantagem!

Buffett é conhecido por seu interesse em dados não-transitivos, porque “mexem com nossas ideias sobre probabilidade”. Fez a amiga Sharon Osberg cair num jogo desses e “achou hilário”.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Resultado do Prêmio Elon Lages Lima

Após análise da Comissão Julgadora, temos o prazer de anunciar que a obra Teoria Computacional de Grafos: Os algoritmos, de Jayme Luiz Szwarcfiter, foi a vencedora do Prêmio Elon Lages Lima 2019.

Trata-se de um livro amplamente utilizado, sobre um tema de forte apelo em razão da necessidade premente de formação básica em Ciência de Dados. Pelo seu tratamento, que combina rigor na exposição sem descuidar das aplicações, que mescla temas de pesquisa ativa (em aspectos “ puros” e “aplicados”) a implementações computacionais escritas em linguagens de programação bastante atuais, o livro é um exemplo da prolífica interação entre os aspectos da Matemática representados pelas duas Sociedades.

 

Conheça os finalistas do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019

Reportagens de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, G1, Galileu, Piauí, UOL e TV Clube (afiliada da TV Globo no Piauí) compõem a lista dos dez finalistas do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019. A Comissão Julgadora analisou 82 trabalhos inscritos nas categorias Matemática (28) e Divulgação Científica (54). A cerimônia de premiação será em 30 de julho, durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no IMPA, no Rio de Janeiro.

Criada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a distinção é destinada a reportagens que apresentem a Matemática e as Ciências de maneira interessante e original, provoquem reflexão sobre essas áreas do conhecimento e estimulem sua popularização no Brasil.

“O prêmio está ajudando a aproximar o IMPA e a comunidade científica do meio da comunicação, cuja parceria é fundamental para promovermos a cultura científica na sociedade”, declarou o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana. 

A segunda edição do prêmio recebeu inscrições de 39 órgãos de mídia do Distrito Federal e de 12 Estados: Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Foram avaliadas matérias veiculadas em jornais, revistas, portais, blogs, televisão e rádio entre 16 de maio de 2018 e 15 de junho de 2019. No julgamento, foram considerados os critérios de relevância jornalística do tema, originalidade, profundidade, clareza e qualidade na execução da matéria. 

A Comissão Julgadora foi composta por Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA; Paolo Piccione, presidente da SBM; Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Raphael Gomide e Sergio Torres, jornalistas da Corcovado Comunicação Estratégica, empresa responsável pela comunicação do IMPA.

As premiações serão idênticas nas duas categorias: R$ 10 mil e troféu (vencedor); R$ 3 mil e diploma (2º lugar); R$ 2 mil e diploma (3º lugar). Para as menções honrosas, até duas por categoria, serão concedidos diplomas.

CATEGORIA MATEMÁTICA

Folha de S.Paulo

“Matemática ajuda médicos a prever risco de morte em cirurgia cardíaca”

“Série A Matemática Explica”

G1

“Estudo encontra 999 beneficiários do Bolsa Família que conquistaram 1.288 medalhas em olimpíada de matemática”

Piauí

“Um engenheiro e suas obras imateriais”

TV Clube, afiliada da TV Globo

“A matemática multiplica sonhos no Piauí”

CATEGORIA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Galileu

“Lugar de mulher é na ciência”

“Para que serve o Nobel?”

O Estado de São Paulo

“Primeira missão brasileira no Egito prepara escavação de tumba milenar”

UOL

“Como rede de cientistas usa dados para tentar achar corpos em Brumadinho”

“O berço dos dinos é aqui”

Campeão de matemática desfila em carro de bombeiros

Na semana passada, Felipe Plentz Klein, 15, viveu a aventura de sua vida. Viajou mais de 3.000 km, de Sapiranga (RS), a Salvador (BA) para receber sua medalha de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

Ao lado de outros 574 meninos e meninas, participou da sempre emocionante cerimônia de premiação, presidida por Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e prestigiada por representantes da comunidade acadêmica e dos governos estadual e municipal.

Em Salvador, Felipe encontrou jovens de todo o Brasil que compartilham o encanto pela matemática e a olimpíada.

A tímida Mariana Heck, do Colégio Militar do Rio de Janeiro, assistiu compenetrada à palestra que precedeu à premiação. Na matemática não tem timidez: ganhou ouro no 6º ano, em sua primeira Obmep.

Nayra de Oliveira, de Cocal dos Alves (PI), 5.500 habitantes, conquistou sua quarta medalha e espera ingressar na Fundação Getúlio Vargas. Com a Obmep, os alunos de sua escola, Augustinho Brandão (8 ouros, 9 pratas, 4 bronzes e quatro menções honrosas neste ano), aprenderam a sonhar alto. Descoberto lá pela Obmep, Sandoel Vieira hoje é aluno de doutorado do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). A jornalistas, Nayra falava com desenvoltura sobre como a olimpíada abre oportunidades, especialmente fora dos grandes centros.

O cearense Orisvaldo Salviano, em sua última participação, é exemplo disso. O sucesso —30 medalhas na Obmep e em olimpíadas do conhecimento— abriu as portas do renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde começa a estudar mês que vem!

A Obmep é organizada desde 2005 pelo Impa, em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática, e apoio do MCTIC e do Ministério da Educação.

Mais de 18 milhões de jovens de praticamente todos os municípios do Brasil realizam a primeira fase. Os 5% melhores de cada escola se classificam para a segunda fase, que determina os prêmios. Desde 2017, a Obmep está aberta a todas as escolas do país, públicas e privadas.

Para o gaúcho Felipe, talvez o melhor tenha ficado para o final. Ele desfilou em carro do Corpo de Bombeiros por Sapiranga! Não é só para campeão de futebol. Felipe foi recebido com faixas e aplausos na Escola Municipal Pastor Rodolfo Saenger, também premiada com mais duas pratas, um bronze e oito menções honrosas. Ocasião para a prefeita se congratular com os ótimos resultados da rede municipal: dez medalhas e 50 menções honrosas, no total.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Meeting Brazil-France renova parceria entre os dois países

Integrantes do grupo de 11 países mais desenvolvidos em pesquisa matemática e parceiros de longa data na área, Brasil e França terão a oportunidade de estreitar os laços no 1st Joint Meeting Brazil-France in Mathematics, a ser realizado de 15 a 19 de julho no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Jardim Botânico, Rio.

Durante uma semana, destacados pesquisadores dos Brasil e da França, como o brasileiro Artur Avila (IMPA/Universität Zürich), Medalha Fields 2014, e o francês Étienne Ghys (École Normale Supérieure-Lyon), diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e secretário perpétuo da Académie des Sciences, discutirão temas de ponta na Matemática.

As inscrições no encontro, que já tem cerca de 400 participantes, podem ser feitas aqui.

Organizado pelo IMPA e pelas sociedades matemáticas do Brasil (Sociedade Brasileira de Matemática – SBM e Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional) e da França (Société de Mathématiques Appliquées et Industrielles – SMAI e Société Mathématique de France – SMF), o evento inclui palestras sobre geometria, ministradas por Ghys, e uma apresentação do matemático João Cândido Portinari (PUC-Rio) sobre o projeto que criou para reunir e preservar o acervo do pai, o artista plástico Cândido Portinari (1903-1962).

O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, afirma que o encontro foi criado “para renovar” a colaboração entre os dois países, iniciada na década de 50 com a visita de matemáticos franceses ao Brasil, como André Weil (1906-1998) e Laurent Schwartz (1915-2002). Com o passar dos anos, a parceria científica se intensificou, especialmente duas décadas depois, quando surgiu a possibilidade de o serviço militar francês ser substituído por trabalho em outros paí ses nas áreas de Educação ou Ciência.

“Muitos jovens matemáticos vieram para o IMPA, como Ghys e Jean-Christophe Yoccoz [1957-2016, Medalha Fields 1994]”, diz Viana, sobre dois pesquisadores honorários do IMPA.

A França também recebeu muitos matemáticos brasileiros, como Avila, que foi pesquisador do CNRS. Ele vê como muito positiva a realização de um evento “que celebra o histórico de colaboração entre os dois países” e  considera que o desenvolvimento rápido da matemática no Brasil “deve enormemente” a matemáticos franceses, como Michael Herman (1942-2000, nascido em Nova York e criado na França) e Harold Rosenberg, pesquisador extraordinário do IMPA.

“Embora não tenhamos mais, infelizmente, a possibilidade de ter o J.-C. (Yoccoz) no evento, é com muito prazer que observo que o Étienne Ghys nos prometeu cinco palestras para termos contato com a sua bela visão da matemática, que vem nos influenciando há 40 anos”, destaca Avila.

Rede Franco-Brasileira de Matemática

Viana é um exemplo de quão prolífica é a parceria entre Brasil e França. Em 2016, ele recebeu o Grand Prix Scientifique Louis D., principal prêmio científico francês, concedido pela Academia de Ciência da França, por trabalho sobre Teoria do Caos. O diretor-geral do IMPA dividiu a honraria com o francês François Labourie, da Universidade de Nice.

Parte do valor ganho à época Viana destinou para financiar o evento no IMPA. Também apoiam o encontro o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Université Paris 13.

Para fortalecer a parceria, surgiu em 2000 a Rede Franco-Brasileira de Matemática, coordenada, no Brasil, pelo pesquisador emérito do IMPA, Jacob Palis. Além disso, desde 2004, o IMPA é Unidade Mista Internacional (UMI) do CNRS, principal agência francesa de fomento científico.

Reprodução: IMPA

Informática da Holanda começou com computador que não funcionava

“Ministro, são três departamentos. O de matemática pura pensa de modo abstrato e acha que é um cubo com 13 dimensões. O de estatística está jogando dados com esse cubo. E o de matemática aplicada escreveu um programa para o computador ARRA simular esse processo.” 

Com este discurso notável, Adriaan van Wijngaarden, diretor de computação do Matematisch Centrum de Amsterdã, apresentou ao seu ministro da Educação o primeiro computador da Holanda.

Até 1948, cálculos complicados eram feitos por mulheres operando calculadoras de mesa. As “computadoras” eram consideradas mais organizadas e mais confiáveis do que os homens. O advento da computação eletrônica ia privá-las dessa opção profissional.

O ministro apertou um botão e o ARRA começou a gerar dados, mas logo travou. Van Wijngaarden não perdeu o rebolado: “Incrível! O cubo está balançando num dos cantos, sem saber para onde cair. Se V. Ex.ª apertar novamente o botão dará uma ajuda.” 

Assim feito, o ARRA retomou o cálculo. Mas foi só o ministro sair, travou de novo e nunca mais funcionou. Quatro anos depois foi substituído.

Apesar do nome, o ARRA II era totalmente distinto, com muitas inovações de hardware e software. Seu principal programador era Edsger Dijskstra, de quem já falei aqui e que faria o doutorado em 1959 sob a orientação de van Wijngaarden. Uma das tarefas do novo computador era calcular a palpitação (vibrações estruturais) dos aviões Fokker —principal causa de quebra das asas das primeiras aeronaves.

Anos depois, Dijkstra fez uma viagem à Austrália, a última parte num Fokker F27. Na chegada, seu anfitrião lamentou tê-lo feito sofrer num avião que balançava tanto. Dijkstra respondeu: “Meu caro, eu senti-me totalmente seguro. Lembre que fui eu que calculei as frequências de vibração das asas!”

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Em premiação da OBMEP, IMPA fala em universalizar olimpíada

O Brasil do futuro, representado por 575 dos 18,2 milhões de alunos participantes da 14ª OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), recebeu na tarde desta segunda-feira (8), em Salvador (BA), o prêmio máximo da competição.

Maior olimpíada estudantil do país, a OBMEP é realizada desde 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

A entrega de medalhas de ouro da OBMEP 2018, realizada no Centro de Convenções do Fiesta Bahia Hotel, teve a presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, e autoridades dos três escalões de governo.

A cerimônia foi marcada por discursos de reconhecimento e incentivo aos estudantes, provenientes de todos os Estados do Brasil.

O ministro recordou a infância e a juventude em Bauru (SP) com o objetivo de mostrar à plateia de meninos e meninas que a educação muda vidas e que é possível tranformar sonhos em realidade.

“Vocês podem ser tudo o quiserem na vida, desde que estudem, trabalhem, persistam e façam mais do que esperam de vocês”, declarou Pontes, repetindo o conselho que recebeu da mãe, Zuleika, quando pensou em desistir da meta de se tornar piloto de aviação. “Vocês têm a capacidade de levantar este país”, acrescentou.

Diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana destacou o feito dos medalhistas entre 18,2 milhões de concorrentes e agradeceu aos envolvidos, em especial aos professores. Também fez um agradecimento ao apoio recebido do governo federal para a realização da olimpíada. Segundo ele, seria impossível a OBMEP acontecer sem a atenção do MCTIC e do Ministério da Educação (MEC).

Após citar o “sucesso comprovado” da iniciativa, Viana declarou que, para tornar a OBMEP cada vez mais um instrumento a serviço do país, sua universalização é a meta prioritária do IMPA. A extensão da olimpíada a todas as séries do Ensino Básico consta como um dos ítens principais do contrato de gestão do IMPA, em negociação com o MCTIC e o MEC.

Segundo o diretor-geral, além de estender a competição a todo o Ensino Básico, universalizar significa ampliar a presença das escolas privadas – na OBMEP desde 2017 – e proporcionar a participação mais igualitária de gênero.

A fim de simbolizar as histórias inspiradoras dos quase 600 estudantes presentes à cerimônia, o diretor-adjunto do IMPA e coordenador-geral da OBMEP, Claudio Landim, citou a trajetória de dois deles: Leonardo Torres Silva, da Escola Estadual Querobino Marques de Oliveira, em Inhapim, zona rural de Minas Gerais, três ouros; e David Costa Pereira, da Escola Municipal Raimundo Alexandre Costa, em um povoado em Tuntum, no Maranhão, um ouro e um bronze.

Landim parabenizou os medalhistas e agradeceu às instituições que apoiam programas da OBMEP: Fundação Itaú Social e Instituto TIM.

Antes da entrega das medalhas de ouro por unidade da Federação, foram agraciados os multimedalhistas da OBMEP e as vencedoras do Troféu Meninas Olímpicas do IMPA, destinado às estudantes que mais pontuaram em cada um dos três níveis da OBMEP.

Em sua 14ª edição, a OBMEP reuniu concorrentes de 54.498 instituições de ensino públicas e privadas, de 99,4% dos municípios brasileiros. Dos 18,2 milhões de estudantes inscritos, 952.782 foram classificados à segunda fase da disputa.

Além das 575 medalhas de ouro entregues na cerimônia, 6,9 mil alunos foram premiados com prata ou bronze e 46,6 mil receberam menção honrosa. Ganhadores de medalhas garantem o ingresso em programas de iniciação científica.

Reprodução IMPA. Clique aqui para acessar a reportagem completa.

O Conselho Diretor da SBM concedeu a Hilário Alencar e Marcelo Viana o título de Associado Honorário.

Associados Honorários são matemáticos ou cientistas cujo trabalho tenha contribuído de forma relevante para o desenvolvimento da matemática no Brasil. O título de Associado Honorário é concedido levando-se em conta os seguintes parâmetros: contribuição científica do pesquisador e seu impacto no desenvolvimento da Matemática, a formação de pesquisadores e o papel que estes exerceram ou exercem na Matemática brasileira e as marcas positivas que a atuação do cientista deixou na Matemática brasileira, bem como sua contribuição para projetá-la no exterior.

Hilário Alencar é professor titular da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi presidente da SBM por 3 mandatos e foi Diretor da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Atualmente é Membro da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS), do Conselho Técnico Científico da Educação Básica (CTC/EB/CAPES) e do Mathematical Council of the Americas. Além disso, atua como Editor Executivo da SBM desde 2012.
Contribui efetivamente para pós-graduação e pesquisa no Brasil, em especial à região Nordeste.

Marcelo Viana é pesquisador titular e diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada e membro da Academia Brasileira de Ciências. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), vice-presidente da União Matemática Internacional (IMU).
Seu trabalho como pesquisador em matemática está centrado nas áreas de sistemas dinâmicos, teoria ergódica e teoria das bifurcações. Foi ganhador da primeira edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia, instituído pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), do Grande Prêmio Científico Louis D. do Institut de France em 2016 e do Prêmio Anísio Teixeira da Educação Básica também em 2016. Presidiu o comitê organizador do Congresso Internacional de Matemáticos ICM 2018, concebeu e liderou o projeto do Biênio da Matemática 2017-2018 (Lei 13.358 de 7 de novembro de 2016).

Ambos foram idealizadores do PROFMAT – Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional, recomendado pela CAPES, reconhecido pelo Conselho Nacional de Educação – CNE e validado pelo Ministério da Educação com nota 5 (nota máxima para programas de mestrado).

Para conferir a lista completa dos Associados Honorários da SBM acesse: https://www.sbm.org.br/associados/associados-honorarios-e-benemeritos

Apps de navegação começaram como brincadeira

Quando o holandês Edsger Dijkstra preencheu os papéis para casar com sua noiva, Maria, indicou como profissão “programador de computador” , mas autoridades recusaram. Elas tinham alguma razão: em 1957 havia pouquíssimos computadores —um único em toda a Holanda— e a programação não existia. Dijkstra teve que se casar como matemático mesmo.

O primeiro computador holandês que funcionava, o ARRA II, havia sido construído no Mathematisch Centrum de Amsterdã em 1952, ano em que Dijkstra foi contratado. Mas em 1956 foi substituído pelo ARMAC, 50 vezes mais rápido, e pediram que Dijkstra fizesse uma demonstração para o público leigo das maravilhas que a nova máquina podia fazer.

Era um enorme desafio: ele precisava encontrar um problema que todo mundo entendesse, difícil para humanos, mas que o computador resolvesse rapidamente. Escolheu tratar da questão de encontrar o caminho mais curto, por estrada, entre duas cidades. Mas para isso precisava saber como resolver e como programar a solução no ARMAC.

Após semanas tentando, a descoberta veio enquanto tomava um café com Maria. “O algoritmo para o percurso mínimo foi concebido em 20 minutos, sem papel nem lápis”, contou depois. A apresentação foi um sucesso: Dijkstra pedia que alguém do público escolhesse duas cidades, apertava um botão e (apenas!) um minuto depois o computador dava o itinerário mais curto entre elas. Ninguém jamais vira isso. 

O ARMAC virou sucata, mas o algoritmo de Dijkstra tem inúmeras aplicações nos nossos dias. Ele está na origem dos aplicativos de navegação que usamos para dirigir e também regula o modo como os servidores da internet conversam entre si, otimizando as ligações entre dois pontos quaisquer. O próprio Dijkstra aplicou ideias parecidas ao desenho de circuitos eletrônicos, minimizando a quantidade de material e o tempo de comunicação entre as partes.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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