Poincaré e Oscar 2º, o rei que amava a matemática

O 60º aniversário do rei Oscar 2º da Suécia e Noruega foi em 21 de janeiro de 1889, mas os preparativos começaram muito antes. Oscar 2º (1929-1907) não era um monarca comum: estudara matemática na faculdade e tornou-se protetor dessa ciência, chegando a patrocinar a criação de uma revista científica, a “Acta Mathematica”, que até hoje é uma das mais prestigiosas do mundo.

Entre os seus conselheiros estava o matemático Gösta Mittag-Leffler (1846-1927), elegante, culto, bon-vivant, que se casou com uma das herdeiras mais ricas da Suécia e gastou alegremente o dinheiro do sogro. Portanto, que o rei tenha decidido assinalar o aniversário por meio de um prêmio matemático não chega a ser surpresa. Embora seja inusitado, infelizmente.

A premiação, uma medalha de ouro e 2.500 coroas suecas (cerca de 4 meses de salário de um professor universitário), iria para a melhor solução de uma questão de pesquisa em análise matemática. Além disso, o trabalho seria publicado na “Acta Mathematica”.

Mittag-Leffler ficou encarregado de presidir o júri e não perdeu tempo para transformar a situação em uma oportunidade de autopromoção.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Brasil é promovido à elite da matemática mundial

O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e a SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) anunciaram nesta quinta-feira (25) o ingresso do Brasil na elite da matemática mundial. A União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) acaba de aprovar a entrada do país no Grupo 5, que reúne as nações mais desenvolvidas em pesquisa matemática.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva realizada na sede do IMPA, no Rio, com a presença do diretor-geral do instituto, Marcelo Viana; do presidente da SBM, Paulo Piccione; da secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro; e do secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Elton Santa Fé Zacarias.

Também participaram do anúncio representantes da história da matemática brasileira, como Artur Avila, Medalha Fields 2014; Mauricio Peixoto, um dos pioneiros que fundaram o IMPA, em 1952; Jacob Palis, mais laureado profissional brasileiro da matemática; e Claudio Landim, diretor-adjunto do IMPA.

A candidatura do Brasil ao Grupo 5 foi apresentada em 2017 pelo IMPA e pela SBM ao organismo que congrega as sociedades matemáticas de países de todo o mundo. Atualmente, 76 nações são membros da IMU, criada em 1920 para promover a cooperação internacional em matemática.

Os países são divididos em cinco categorias, por ordem de excelência. Além do Brasil, mais dez países integram o Grupo 5: Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

O diretor-geral do IMPA revelou esperar que a honraria represente um “passo para uma trajetória ainda mais ascendente” da matemática brasileira. “A pesquisa matemática brasileira é consolidada, se disseminou. Ao longo das décadas nossa capacidade de pesquisa e formação de pesquisadores cresceu muito. O fato de a matemática brasileira estar agora ao lado dos países de maior expressão e relevância na matemática global representa o reconhecimento da qualidade da pesquisa matemática feita no país”, disse Marcelo Viana.

A mudança de classificação dos países é decidida pela IMU após recomendação do Comitê Executivo. São analisadas informações como o número e a qualidade de programas de pós-graduação e sua distribuição territorial, o total de publicações científicas divulgadas em meios importantes e os nomes de destaque na área. O presidente da SBM destacou a qualidade dos pesquisadores matemáticos brasileiros. “São excepcionais”, afirmou Piccione.

A secretaria-executiva do Ministério da Educação definiu como um “orgulho para o país” o “trabalho que o IMPA vem fazendo”. “Precisamos formar bons professores de matemática, e a pesquisa matemática pode ajudar muito a alcançarmos este objetivo”, disse Maria Helena Guimarães de Castro.

O secretário-executivo do CTIC enalteceu o fato de o Brasil ser “um dos 20 maiores (países) produtores de pesquisas do mundo”. “O IMPA é uma instituição de excelência reconhecida mundialmente”, afirmou Zacarias.

O Brasil é membro da IMU desde 1954. Ingressou dois anos após a fundação do IMPA, que ocupa papel fundamental na consolidação do país no cenário internacional da matemática. Em pouco mais de meio século, ascendeu ao topo da classificação – subiu para o Grupo 2 em 1978; ao 3 em 1981; e, em 2005, ao Grupo 4.

A promoção ao Grupo 5 é consequência da contribuição brasileira à matemática mundial e reconhece a excelência do trabalho da pesquisa nacional. Nos últimos anos, houve considerável crescimento da publicação científica brasileira, além de distinções obtidas por seus pesquisadores com alguns dos principais prêmios mundiais – entre os quais se destaca a Medalha Fields, recebida por Artur Avila. Em 2006, logo após a promoção ao Grupo 4, representava 1,53% da produção matemática mundial (1.043 papers). Uma década depois, a produção nacional saltou para 2,35% (2.076 papers).

A entrada no Grupo 5 ocorre no ano em que o Brasil sediará, de 1º a 9 de agosto, o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM na sigla em inglês) – mais importante encontro mundial da área –, pela primeira vez realizado no Hemisfério Sul. Na edição de 2014, Artur Avila, pesquisador extraordinário do IMPA, foi o primeiro brasileiro a receber a Medalha Fields, considerada o “Nobel” da Matemática.

Assim como a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), promovida em julho de 2017 no Rio, o ICM é resultado do prestígio do Brasil no cenário matemático internacional. Os eventos integram o Biênio da Matemática 2017-2018, uma série de iniciativas nacionais e internacionais para estimular, popularizar e fomentar melhorias no ensino da matemática no país, destacando sua relevância para o desenvolvimento pessoal e econômico.

PAÍSES DO GRUPO 5
Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia

EVOLUÇÃO DO BRASIL NO RANKING DA IMU
O Brasil ingressou na IMU em 1954, como membro do Grupo 1. Foi promovido ao Grupo 2, em 1978; ao Grupo 3, em 1981 e ao Grupo IV, em 2005.

FATORES QUE LEVARAM O BRASIL AO GRUPO 5
Progresso notável da produção científica brasileira na área, em termos qualitativos e quantitativos.

Expansão do sistema de pós-graduação (mestrado e doutorado) em matemática no Brasil, em nível de qualidade compatível com os melhores padrões internacionais.

Crescimento da colaboração regional e internacional dos matemáticos brasileiros com colegas de todo o mundo e crescente papel internacional de nossas instituições

Confiança por parte da comunidade matemática mundial na maturidade da matemática brasileira e em sua capacidade para organizar grandes eventos, como o ICM2018.

Fonte: IMPA

IMPA e SBM lançam documento sobre a Matemática no Brasil

Em meio às atividades do Biênio da Matemática 2017-2018 e a oito meses da realização do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018), o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e a SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) lançam o documento “Brazilian Mathematics 2018”.

O texto tem por objetivo traçar um panorama da Matemática brasileira  e de sua evolução ao longo das últimas décadas, mostrando o progresso alcançado na pesquisa, pós-graduação e cooperação internacional.

O documento discorre ainda sobre a situação da educação no país, ao abordar o papel das olimpíadas de Matemática, o tema da participação feminina e os esforços crescentes para popularizar a Matemática na sociedade.

Trata-se de um documento essencial àqueles que estão de malas prontas para vir ao Rio de Janeiro durante o ICM 2018, mas que não têm a real dimensão do papel do Brasil no cenário da Matemática mundial. Ajuda a compreender com clareza porque o país foi anfitrião da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), em 2017, e se prepara para ser a primeira sede do ICM no Hemisfério Sul.

Para ler o documento, acesse:

Versão em inglês: Brazilian_Mathematics_2018

Versão em português: Matemática Brasileira_2018

Fonte: Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – Impa

Brasil é promovido ao grupo de elite da pesquisa em matemática

Numa época em que predominam notícias ruins para a ciência nacional, como a queda expressiva de recursos para a área e a ida de pesquisadores para fora do país, a matemática brasileira acaba de proporcionar um alento.

O país foi promovido para o grupo de elite da matemática mundial, o chamada Grupo 5, que reúne as nações mais desenvolvidas na pesquisa da área.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) na sede do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio, uma das instituições mais prestigiosas do mundo.

“Se houvesse um campeonato mundial da matemática, é como se tivéssemos subido para a primeira divisão da competição”, resume Marcelo Viana, diretor do Impa e colunista da Folha.

Essas “divisões” são estabelecidas pela União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), organismo que congrega as sociedades matemáticas de nações de todo o planeta. Ela divide seus 76 países-membros em cinco grupos, por ordem de excelência.

O Brasil aderiu à IMU em 1954, entrando, assim, no Grupo 1; em 1978, ascendemos ao grupo 2; ao 3, em 1981; e, em 2005, ao Grupo 4. O país agora fará companhia à Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

“Não me recordo de outro país que tenha feito esse percurso”, afirma Viana. As outras nações, com bem mais tradição na pesquisa matemática, já foram admitidas nos grupos mais altos.

INFLUÊNCIA

Com a ascensão, o Brasil ganha mais peso e influência nas decisões relacionadas ao mundo da matemática e passa a contar com cinco votos na assembleia geral da organização.

Paolo Piccione, professor da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), vê também um possível efeito interno. “A chegada do Brasil ao Grupo 5 mostra que o país tem potencial para se relacionar com as nações cientificamente mais desenvolvidas do mundo. Mostra que talento não falta por aqui.”

“Além disso”, prossegue Piccione, “o país consolida sua posição de referência na matemática dentro da América Latina”.

A promoção do país à elite da matemática mundial também é um reconhecimento de tudo o que foi feito nas últimas seis décadas no país.

Marcelo Viana relembra uma trajetória que começa na criação de órgãos, como o CNPq (agência de fomento) e o próprio Impa, no anos 50, passa pelo fortalecimento da pós-graduação nos anos 1970, quando começamos a formar pesquisadores de ponta no país, passa pela consolidação do Impa como instituto de gabarito internacional, nos anos 1980, e chega na medalha Fields (prêmio máximo da matemática) dada a Artur Avila em 2014.

Os número não mentem. A evolução da produção científica do Brasil é notável. Em termos absolutos, nossos pesquisadores passaram, nos últimos 30 anos, de 253 artigos publicados em revistas especializadas para 2.349. Proporcionalmente a produção dos matemáticos brasileiros passou, nesse período, de 0,7% de todos o artigos para 2,35%.

Também cresceu de maneira expressiva o número de alunos de doutorado e de programas de pós-graduação em matemática.

Em 1970, por exemplo, havia apenas cinco cursos de doutorado na área, ante 30 atualmente. Os alunos de doutorado, que eram 677 em 2007, hoje são quase 1.400.

A isso se somam outros fatores, por exemplo, a crescente presença de matemáticos brasileiros entre os conferencistas convidados para o Congresso Internacional de Matemáticos, o maior evento da área, que só ocorre a cada quatro e cuja próxima edição será realizada em 2018 no Rio de Janeiro.

DISCREPÂNCIA

A entrada do Brasil no Grupo 5 chama atenção ainda pela discrepância entre a excelência da pesquisa desenvolvida por aqui e a má qualidade do ensino de matemática no país. No último Pisa, principal avaliação da educação básica no mundo, o país ficou em 65º colocado num universo de 70 países.

Mais de 70% dos alunos brasileiros de 15 e 16 anos não alcançam sequer o nível básico de proficiência em matemática, ou seja, são incapazes de resolver problemas simples envolvendo números.

“A educação matemática é um aspecto em que certamente podemos ainda crescer bastante”, diz Piccione.

Para o presidente da SBM o país precisa ter uma melhor distribuição geográfica de bons centros de matemática. “Hoje estamos formando poucos professores bons.”

Outro fator apontado por Piccione é a falta de sinergia entre matemáticos profissionais e educadores da disciplina. “Seria ótimo se pudéssemos estabelecer mais parcerias para melhorar o ensino.”

Reprodução de Noticia – Folha de São Paulo

Oficinas para Profº de Matemática – Rio de Janeiro

Nos dias 02, 03, 09 e 10 de março serão realizadas oficinas para professores de matemática (formados ou ainda em formação), no Colégio Pedro II, Campus Tijuca II – Rio de Janeiro/RJ.  Mais informações no cartaz ou no site.

As oficinas do Livro Aberto visam à troca de conhecimento da equipe de elaboração com a comunidade de professores de matemática da Educação Básica. Para elaboração do livro, os autores realizam pesquisas cuidadosas, que são refletidas na proposta do material. Nestas oficinas, elaboradores e professores e licenciandos participantes compartilham seus conhecimentos visando à reflexão a partir da prática.

Para maiores informações acesse: https://www.umlivroaberto.com

Organização: Livro Aberto.
Realização: IMPA/OBMEP e UNIRIO
Apoio: CPII, CEFET/RJ, UFF, UFRJ
Patrocínio: Fundação Itaú Social

Edital para Contratação de Professor de Matemática – PUCRS

A Escola de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, estará recebendo até o dia 30 de Janeiro de 2018 currículos (Modelo Lattes/CNPq) de interessados para o possível exercício, em tempo parcial, de atividades de docência vinculados a cursos de graduação envolvendo a área de Matemática, incluindo Cálculo Diferencial e Integral, Cálculo Numérico, Álgebra Matricial, Matemática Discreta e Matemática Atuarial.

Solicito que esta Sociedade divulgue esta oportunidade para seus associados.

O Edital encontra-se em anexo ou no link http://www.pucrs.br/ciencias/evento/processo-seletivo-professores/.

Cotas não resolvem, mas ajudam

Levantamento feito pela Folha ao final de 2017 mostrou que, em boa parte dos cursos universitários, alunos que ingressam por meio de cotas se formam com notas próximas dos demais. O estudo usou os resultados de mais de 250 mil estudantes nas três últimas edições do Enade e constatou que alunos cotistas chegam a ter notas melhores que os outros, por exemplo, em odontologia.

É refrescante dispormos de dados objetivos sobre um assunto tantas vezes poluído por ideologias. É inegável que ações afirmativas, como as cotas, são importantes mecanismos de justiça social em um país tão profundamente injusto como o nosso. E as conclusões do levantamento indicam que tais ferramentas são válidas também no plano acadêmico: não se confirmam os prognósticos de que o ingresso de alunos cotistas resultaria em degradação da qualidade dos cursos.

O perigo é alguém acreditar que cotas resolvem alguma coisa no médio prazo. Nosso sistema educacional está doente, e cotas são como um antitérmico, que reduz o desconforto do paciente, mas não ataca as causas da febre. O que precisamos é que a escola pública, democrática e gratuita, ofereça formação de qualidade, para que as cotas se tornem desnecessárias. Não é uma utopia: acontece em muitos outros países, inclusive mais pobres que o Brasil.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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11th European Conference on Mathematical and Theoretical Biology

A 11th European Conference on Mathematical and Theoretical Biology (ECMTB 2018) será realizada em Lisboa, Portugal, de 23 a 27 de julho de 2018 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O programa científico da ECMTB 2018 incluirá palestras de plenárias, mini-simpósios, conferências e apresentação de pôsteres.

Mais informações em http://www.ecmtb2018.org/welc

 

Questão matemática mais famosa esperou mais de 300 anos por solução

Por volta de 1637, o francês Pierre de Fermat escreveu na margem do livro “Arithmetica”, do matemático Diophantus (que viveu no século 2): “A equação AN + BN = CN não tem soluções inteiras se N for um inteiro maior que 2. Encontrei uma prova realmente maravilhosa deste fato mas a margem é demasiado estreita para contê-la.”

Essa anotação foi encontrada depois de sua morte e, durante mais de três séculos, os matemáticos lamentaram amargamente que a margem não fosse maior, pois ninguém conseguiu encontrar a prova que Fermat afirmava ter.

Na origem do problema está o teorema de Pitágoras, que todos conhecemos da escola: “em qualquer triângulo retângulo, se A e B forem os comprimentos dos lados menores –os catetos– e C o comprimento do lado maior –a hipotenusa– então A2 + B2 = C2“.

Este teorema leva o nome do filósofo grego Pitágoras (570-495 a.C., aproximadamente) porque se acredita que ele tenha sido o primeiro a prová-lo matematicamente. Mas o enunciado era conhecido muito antes, pelas grandes civilizações da Mesopotâmia e do Indus.

É interessante estudar a equação A2 +B2 = C2 no caso especial em que A, B e C são números inteiros. Atualmente sabemos que há um conjunto infinito de tais soluções, por exemplo, (A = 3, B = 4, C = 5) e (A = 5, B = 12, C = 13).

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Mensagem do Presidente da SBM

Caros amigos e colegas,

Em nome da Sociedade Brasileira de Matemática, quero desejar um feliz 2018 a todos e votos de um ano cheio de realizações matemáticas e pessoais.

O ano que acaba de iniciar traçará um marco importante na Matemática brasileira, que vive uma fase de forte crescimento. Pela primeira vez, o mais importante evento mundial da Matemática, o International Congress of Mathematicians (ICM), será realizado no hemisfério sul (do planeta), e o nosso país terá a honra de ser anfitrião deste importante congresso. O ICM2018 será realizado na cidade do Rio de Janeiro de 1 a 9 de agosto.

Além deste importante reconhecimento, a Sociedade Brasileira de Matemática acaba de solicitar, junto às autoridades da International Mathematical Union, a promoção do país ao Grupo V da IMU. Trata-se do grupo de excelência da matemática mundial, até agora acessível apenas a um restrito número de países com tradições matemáticas mais antigas que as do Brasil.

Junto com o ICM, muitas instituições acadêmicas do país realizarão importantes eventos satélites, e isso proporcionará a possibilidade de um intercâmbio científico com um número enorme de pesquisadores internacionais da nossa disciplina.

A escolha do Brasil para a realização do ICM foi baseada em diversos fatores. Em primeiro lugar, a matemática brasileira vem demonstrando um crescimento muito evidente em todos os aspectos, tanto na parte de educação como na parte de pesquisa. Todas as ações da SBM tem como objetivos estimular e acompanhar este processo de crescimento.

O segundo fator, não menos importante, é que a comunidade matemática brasileira, bem como a nossa sociedade, oferecem um ambiente genuinamente diverso e multi-cultural, capaz de proporcionar um ambiente acolhedor para pesquisadores e estudantes de todas as partes do mundo. É também um objetivo importante da SBM o de contribuir para a criação de ambientes de estudo e de trabalho respeitosos dos valores da inclusão social.

Quando a SBM decidiu apresentar a candidatura do Rio de Janeiro como sede do ICM2018, tínhamos consciência de que seria necessário um esforço monumental para a realização do evento, junto com a convicção de que seríamos capazes de enfrentar com sucesso todas as dificuldades.  A grande parte do trabalho organizativo foi já realizada nos últimos três anos, mas temos ainda desafios cruciais para os próximos meses.

A força da ação da SBM depende de forma crucial, mais que da atuação de seus dirigentes, da participação de seus associados. Hoje a Sociedade possui em torno de 2000 associados, nas várias categorias, o que coloca a SBM entre as sociedades científicas mais importantes do país e da América Latina. Nossa capacidade de obter atenção e recursos destinados às nossas atividades pelas agências nacionais e estaduais, foi sustentada também pela posição de prestígio que a Matemática soube conquistar dentro do mundo científico do país.

Nosso desejo é o de continuar atuando com objetivos desafiadores. A Sociedade Brasileira de Matemática se reconhece no princípio de que o Brasil é um país que não tem vocação para mediocridade.

Sua associação à Sociedade vai dar força à nossa ação. Entre na nossa página (www.sbm.org.br/) e descubra como ativar/renovar sua associação à SBM para o ano de 2018.

Nos últimos anos, o valor da anuidade da SBM foi reajustada bienalmente ((2012 – R$ 80,00; 2014 – R$ 100,00; 2016 – 120,00). Para este ano, o valor reajustado será de R$ 130 (R$ 65 para estudantes de graduação), com aumento abaixo de todos os índices de inflação conhecidos. Este ano, pela primeira vez, nossos associados terão a possibilidade de fazer uma doação à Sociedade. É importante esclarecer que todos os recursos arrecadados através de doações serão:

(a) colocados numa conta bancária separada da conta principal da SBM;

(b) utilizados para fins específicos, sem entrar nas despesas orçamentárias da SBM.

Em via experimental, o atual objetivo das doações será a criação de um fundo destinado a auxílio creche para participação em eventos de associados com filhos em idade pré-escolar. Trata-se de um primeiro (pequeno) passo na criação de um ambiente mais respeitoso da igualdade entre gêneros na Matemática, que atualmente é uma das prioridades nos objetivos da Sociedade. Nossa atuação nesse sentido vai incluir outras iniciativas, entre as quais a criação de uma Comissão de Gênero, que iniciará a redação de um manual de boas práticas. Espero poder relatar sobre o assunto em breve.

Cordialmente,

Paolo Piccione

Olimpíada de matemática também descobre professores de excelência – 2

A mineira Maria Botelho deu aulas por mais de 30 anos na rede pública, a maior parte na escola Messias Pedreiro, em Uberlândia (MG), e foi premiada em todas as edições da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) em que participou.

Foram 303 medalhas e menções honrosas de 2005 a 2014. Após se aposentar, passou a comandar um grupo de resolução de problemas no Facebook e promove aulas e encontros entre antigos e atuais alunos do Ensino Médio do colégio, aos sábados. “A Obmep fez a escola abrir as portas e janelas das salas de aula, aprendendo a valorizar as interações aluno-aluno, aluno-professor e aluno-pais-escola”, diz.

A partir de 2012, motivado pelos resultados do colégio, um grupo empresarial da cidade criou o projeto “Maratona de Aprendizagem”, oferecendo bolsas de estudo para que os alunos envolvidos na Obmep deixassem de trabalhar para se dedicar exclusivamente à escola. Desde então, a iniciativa se estendeu a outros colégios da região.

Criada pelo IMPA em 2005 para incentivar o estudo da matemática e descobrir talentos, a Obmep tem contribuído substancialmente para o ensino da disciplina no país. Como escrevi semana passada, o impacto da Olimpíada e de seus programas de formação sobre os estudantes já foi comprovado em estudos, mas seu efeito como inspiração para os professores tem tido menos destaque.

E são eles, na maioria das vezes, que criam e multiplicam iniciativas de êxito pelo Brasil. Citei aqui Antônio Amaral (Cocal dos Alves, Piauí) e Geraldo Amintas (Dores do Turvo, MG) e hoje conto a história de Maria Botelho e mais dois professores com contribuições igualmente notáveis.

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Olimpíada de matemática também descobre professores de excelência

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), criada pelo Impa em 2005, movimenta a cada ano mais de 18 milhões de jovens em praticamente 100% dos municípios brasileiros. Isso faz dela a maior competição escolar do mundo. Em 2017 ficou ainda maior, com a adesão das escolas particulares.

A Obmep tem como metas incentivar o estudo da matemática e descobrir talentos, em todo o território nacional e em todos os estratos sociais.

O impacto da Olimpíada e dos programas de formação que a acompanham –Programa de Iniciação Científica (PIC), Programa de Iniciação Científica e Mestrado (Picme), Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo (Poti) e Obmep na Escola– nos estudantes está amplamente comprovado por estudos independentes.

Uma avaliação conduzida em 2014, por Francisco Soares (UFMG e ex-presidente do Inep), comprovou que escolas com envolvimento ativo na Obmep apresentam uma melhora média de 26 pontos na Prova Brasil.

É como se oferecessem a seus alunos 1,5 ano extra de escolaridade!

O mais importante: esta melhora diz respeito a todos os alunos dessas escolas, não apenas aos premiados.

Esse mesmo ponto é ressaltado na tese de doutorado defendida recentemente na renomada Universidade Harvard pela professora Diana Moreira, da Universidade da Califórnia.

 

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Prêmio Bessel – Prof. Pedro Salomão

O Prof. Pedro Antonio Santoro Salomão do Departamento de Matemática do IME-USP, foi agraciado com o prestigioso prêmio “Friedrich Wilhelm Bessel Research Award” da fundação Alexander von Humboldt (Alemanha), em decorrência das suas realizações na pesquisa e no ensino da Matemática.

A descrição do prêmio encontra-se na página:

https://www.humboldt-foundation.de/web/bessel-award.html

Desde 2013, aproximadamente 20 prêmios são concedidos todos os anos para pesquisadores de todas as áreas do conhecimento. O Prof. Pedro é o terceiro brasileiro a receber o prêmio, os dois que o antecederam são: Prof. João Marcos de Almeida da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lógica e Filosofia) e Prof. Fábio Armando Tal do Departamento de Matemática Aplicada do IME-USP (Sistemas Dinâmicos).

Profmat da Universidade Federal do Ceará é homenageado pelo Governo do Ceará

O Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat) da Universidade Federal do Ceará é homenageado pelo Governo do Estado do Ceará pela nota 5 (nota máxima) nos programas de pós-graduação brasileira.

Leia mais em:

http://www.sct.ce.gov.br/index.php/noticias/62358-destaques-da-educacao-superior-do-ceara-2017-instituicoes-recebem-homenagem

II Encontro Conjunto Brasil-Espanha (RSME-SEMA-SBM-SBMAC)

II Joint Meeting Brazil-Spain (RSME-SEMA-SBM-SBMAC)

Data: de 11 a 14 de dezembro de 2018.
Lugar: Universidade de Cádiz, Cádiz-Espanha.

A segunda reunião das sociedades Brasileira de Matemática (SBM e SBMAC) e espanhola (RSME e SEMA) será realizada na Universidade de Cádiz nos dias 11-14 dezembro 2018.

A comissão organizadora é presidida por Francisco Ortegón (SEMA) e Enrique Pardo (CSER), e composta por Ignacio García, Bartolomé López, Maria de los Angeles Moreno, Victoria Redondo e Rafael Rodríguez.

O Comité Científico é composto por representantes de cada uma das sociedades participantes:
Pela SBM: Lorenzo Diaz Casado (Pontifícia Universidade Católica do Rio), Ruy Exel (Universidade Federal de Santa Catarina), Ivan Chestakov (Universidade de São Paulo) e G. Pacelli Bessa (Universidade Federal do Ceará).
Pela SBMAC: Regina C. C. Almeida (Laboratório Nacional de Computação Científica), Sandra M. C. Malta, (Laboratório Nacional de Computação Científica) e Paul F. A. Mancera (UNESP).
Pela RSME: Luis Alias ​​(Universidade de Murcia), Laura Costa (Universidade de Barcelona), Marco Antonio López-Cerdá (Universidade de Alicante) e Antonio Viruel (Universidade de Málaga).
Pela SEMA: Sergio Amat (Universidade Politécnica de Cartagena), Tomás Caraballo (Universidade de Sevilha) e Carlos Vazquez Cendón (Universidade de A Coruña).

Os plenaristas serão os professores
Henrique Bursztyn, (Instituto de Matemática Pura e Aplicada, Rio de Janeiro, Brasil)
Enrique Fernández-Cara (Universidade de Sevilha),
Miguel Ángel javaloyes (Universidade de Murcia),
Rosa María Miró-Roig (Universitat de Barcelona ),
Luis Gustavo Nonato (Universidade de São Paulo, campus de São Carlos, Brasil),
Rosana Rodriguez Lopez (Universidade de Santiago de Compostela),
Sandra Augusta Santos (Unicamp, São Paulo, Brasil) e
Pavel Shumyatsky (Universidade de Brasília, Brasil ).

Os interessados ​​em organizar seção especial deverão apresentar suas propostas até 26 de Janeiro de 2018 em um documento PDF, segundo a convocatória (documento para download) e enviar para o e-mail: spa-braz-math-cadiz2018@uca.es

Matemática dos cassinos resolve muitos problemas práticos

Suponha a leitora que é proprietária de um terreno retangular com 80 metros de comprimento e 40 metros de largura. Aprendemos na escola que a área do retângulo é igual ao produto do comprimento pela largura: neste caso, 80 vezes 40 igual a 3200 metros quadrados.

Agora, nesse terreno há um lago, que valoriza a propriedade, pelo que seria útil conhecer a sua área também. O problema é que lagos costumam ter formas complicadas, muito diferentes daquelas que vimos na escola: fórmulas de área da aula de geometria não vão ajudar. Mas isso não quer dizer que a matemática não possa resolver o problema.

Aqui vai uma ideia um pouco mirabolante.

Pode-se experimentar lançar um monte de pedrinhas ao acaso em todo o terreno. Algumas cairão no lago e estarão perdidas.

Suponhamos que lance 1000 pedrinhas e ao final consiga recuperar 750, que caíram em terra. Então 250 pedrinhas, um quarto do total, terão caído no lago. Supondo que o lançamento realmente tenha sido ao acaso, isso sinalizaria que a área do lago é um quarto da área do terreno, ou seja, 3200/4 = 800 metros quadrados.

Certo, esta ideia não parece fácil de executar (nem muito ecológica). Mas com alguns ajustes é realmente possível transformá-la numa solução prática muito eficaz para o problema.

Por exemplo, no lugar de ir ao terreno, a leitora pode mandar fazer uma foto aérea, fornecê-la a um computador e fazer com que este simule o lançamento de pedrinhas, escolhendo 1000 pixels ao acaso na foto: se o pixel for azul então “a pedrinha caiu no lago”.

Isso é um exemplo de uma técnica matemática chamada método de Monte Carlo, que hoje é utilizada nas mais diversas situações. Por exemplo, ela está na base do modo como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) monitora o desmatamento da Amazônia a partir de fotos de satélite: queimadas podem ser identificadas pela mudança de cor e, apesar de terem formas complicadas, as suas áreas podem ser estimadas do jeito que descrevi.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Artur Avila recebe prêmio Personalidade França-Brasil

O matemático Artur Avila, pesquisador extraordinário do IMPA, foi homenageado na noite desta terça-feira (5) pela Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB). Medalha Fields em 2014, Avila recebeu o Prêmio Personalidade. Na solenidade, realizada no Rio de Janeiro, o matemático brasileiro participou de um bate-papo sobre a história e os rumos da Matemática com o cineasta e jornalista João Moreira Salles.

O Prêmio Personalidade França-Brasil, em sua 17ª edição, foi criado com o objetivo de homenagear brasileiros e franceses que tenham contribuído para o fortalecimento das relações entre os dois países em setores variados.

A solenidade teve a participação do embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet. Em discurso, ele saudou o matemático brasileiro, o primeiro de países em desenvolvimento a receber a Medalha Fields com os estudos realizados fora dos grandes centros de pesquisa da Europa e dos Estados Unidos. Avila concluiu mestrado e doutorado no IMPA.

A conversa entre João Moreira Salles e Artur Avila teve como temas principais os processos de produção matemática, o impacto da Matemática na sociedade e na tecnologia e os desafios do ensino matemático, da escola básica à pesquisa de ponta.

Para Avila, “cada matemático vê o universo de uma maneira” e “tenta passar o entusiasmo de um para o outro”. “E progredir”, acrescentou.

O matemático contou que, sem o IMPA, não teria cursado Matemática. “Talvez engenharia”, comentou. Ele disse que, embora o IMPA já tivesse um trabalho com jovens, só ao participar da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEPs) soube de sua existência.

“Fortuitamente, a premiação se dava no IMPA. Nunca tinha ouvido falar. Fiquei curioso. Quem trabalhava lá?“, lembrou Avila sobre o início de seu vínculo com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada.

Fonte: IMPA
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