Chamada X Bienal SBM

A Sociedade Brasileira de Matemática convida todas as instituições interessadas a apresentarem propostas para a organização da X Bienal da Matemática 2020.

As regras para apresentação de propostas estão definidas no website da SBM

O período de realização recomendado é:

  • X Bienal da Matemática – terceiro quadrimestre de 2020;

Todas as propostas devem ser enviadas por e-mail para diretoria@sbm.org.br até 31 de outubro  de 2019;

Cordialmente,

Diretoria da SBM

Pedro Henrique Gaspar ganha Prêmio Gutierrez 2019

Em novembro de 2012, ao pisar no IMPA pela primeira vez para participar do Simpósio Nacional Jornadas de Iniciação Científica, o estudante de graduação Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva nem sequer imaginava o quanto aquele momento seria determinante para a sua formação e escolhas acadêmicas. Um ano depois, voltou já para o doutorado, no qual escreveu a tese vencedora do Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2019.

Das 11 edições do Gutierrez, nove foram conquistadas por trabalhos realizados no IMPA. O prêmio é concedido à melhor tese em Matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, considerando os quesitos originalidade e qualidade.

Criado em 2009 pela direção do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo (USP), a distinção homenageia o pesquisador peruano, que trabalhou no IMPA até 1999. Depois, atuou como professor titular no ICMC, onde contribuiu com a fundação e organização do grupo de pesquisa em Sistemas Dinâmicos. O prêmio é apoiado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, comemorou o resultado: “É motivo de muito orgulho para o IMPA que mais uma de nossas teses tenha sido distinguida com o Prêmio Gutierrez, um dos mais importantes da Matemática brasileira e que também homenageia um ex-pesquisador da casa.”

Em entrevista por e-mail, entre uma conferência e outra nos Estados Unidos, onde é Instrutor L. E. Dickson na Universidade de Chicago, Marques da Silva, de 27 anos, disse que a honraria conquistada com a tese “A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas” foi uma grande surpresa. Ele defendera o trabalho no IMPA em julho do ano passado.

Marques destacou a importância de prêmios como o Gutierrez para a Ciência:

“Acredito que já crescemos muito em pesquisa e atingimos reconhecimento internacional em diversas áreas – em particular em Matemática – mas ainda temos alguns desafios pela frente. Prêmios como o Gutierrez fornecem um incentivo extremamente importante nessa direção, especialmente em um momento no qual a ciência, a qual deveria desempenhar um papel fundamental na sociedade, se vê tão desvalorizada e frequentemente atacada.”

Feliz e grato aos organizadores do Gutierrez e a todos que lhe deram suporte na carreira acadêmica, desde a graduação, Marques da Silva revelou que os projetos de iniciação científica, sob orientação do professor Fernando Manfio, do ICMC/USP, onde concluiu a graduação em Matemática, foram fundamentais para seguir a carreira de pesquisador na área.

Recordou também da importância do Simpósio Nacional das Jornadas de Iniciação Científica, organizado pelo IMPA. “Foi o que me levou ao instituto pela primeira vez, como aconteceu com muitos de meus amigos que seguem na área acadêmica. Poder participar de um evento como aquele e ter contato com um ambiente estimulante e pessoas inspiradoras certamente me motivou a continuar meus estudos no IMPA.”

Dois meses após o simpósio, no qual foi premiado pelo trabalho “Fibrações localmente triviais e os grupos fundamentais de grupos de Lie clássicos”, ele retornou ao IMPA, para um curso de verão, com o matemático Fernando Codá. No mesmo 2013, passou de aluno de graduação a doutorando no IMPA. O geômetra acabou se tornando seu orientador.

“A convivência com Codá foi inspiradora. Posso mencionar vários fatores para ilustrar isso: o suporte e o encorajamento constantes em relação à Matemática e também à minha carreira, a natureza compreensiva e atenta às dificuldades de seus alunos, sempre os incentivando e dedicando horas a os ajudar, as oportunidades incríveis e todo o crescimento que foram possibilitadas pelas duas visitas que fiz a ele em Princeton”, disse sobre o pesquisador, que saiu do IMPA em 2014 para seguir carreira nos Estados Unidos.

Das trocas com o mineiro de Muzambinho, cidade com cerca de 20 mil habitantes, “matemático brilhante, extremamente gentil e educado”, Codá também tem ótimas recordações. “A tese do Pedro é do mais alto nível e me dá orgulho como orientador”, disse, em entrevista por e-mail, destacando que o “Prêmio Gutierrez ICMC-USP é um reconhecimento muito importante do trabalho de excelência realizado pelos alunos de doutorado brasileiros.”

Durante o doutorado na área de Análise Geométrica, localizada na interface entre Geometria Diferencial, Análise e Equações Diferenciais Parciais (EDPs), no IMPA, Marques da Silva estudou algumas relações entre superfícies mínimas e a equação de Allen-Cahn. Para leigos, o matemático, filho de um casal de contabilistas, citou um exemplo fácil de entender, corriqueiro até mesmo no universo infantil: a bolha de sabão. 

“Superfícies mínimas são objetos que ocorrem em diversos contextos na natureza, em especial em situações de equilíbrio físico nas quais a superfície deve minimizar a área em algum sentido. Um exemplo é a película de sabão formada quando mergulhamos um arame torcido em um copo com água e detergente. Por suas ricas propriedades geométricas e suas conexões com diferentes áreas da Matemática, essas superfícies são amplamente estudadas desde o século 18 e motivaram o desenvolvimento de muitas teorias.”

Na tese, entre outros problemas, ele estudou alguns valores da energia de estados de equilíbrio associados à equação de Allen-Cahn – surgida em modelos matemáticos da interface de diferentes materiais em ligas metálicas. 

“Além disso, descrevemos uma construção de soluções para a equação, obtivemos informações sobre a estabilidade da interface entre as fases e relacionamos esses valores da energia com o volume do domínio onde ocorrem tais transições”, acrescentou. O trabalho se concentra em aspectos teóricos, mas o fato de o assunto ter relação com Ciência de Materiais e formação de padrões, em Biologia, sugere potenciais aplicações, 

A cerimônia de entrega do Prêmio Gutierrez será em 27 de agosto no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC, em São Carlos (SP). O evento é parte da programação do Workshop de Teses e Dissertações em Matemática do instituto. 

Reprodução: IMPA

Jaqueline Godoy Mesquita é uma das vencedoras do prêmio Para Mulheres na Ciência L’Oréal-UNESCO-ABC

Criado para reconhecer e promover a participação da mulher na ciência e apoiar cientistas promissoras no país, o que favorece a igualdade de gênero no país.

A iniciativa da L’Oréal, em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), premia anualmente, desde 2006, sete jovens pesquisadoras nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática.

Jaqueline Godoy Mesquista é pesquisadora da Universidade Brasilia, (UnB) e secretária regional da Sociedade Brasileira de Matemática, se dedica ao estudo das equações que envolvem retardamento, isto é, em que decorre um certo tempo entre a causa e seu efeito – por exemplo, a ação de determinado medicamento no organismo humano, ou o crescimento populacional em determinada região. Esta é uma área relativamente nova da matemática, que vem ganhando destaque pela sua grande aplicabilidade. É membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS -The World Academy of Sciences) e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC.)

O trabalho “Periodicidade e teoria de bifurcação para as equações diferenciais funcionais em medida e equações dinâmicas funcionais em escalas temporais” ganhou uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil como impulso extra para ter prosseguimento em seus estudos e incrementar o desenvolvimento da ciência no país.

O que querem as mulheres matemáticas, afinal?

No fim de julho, por dois dias, aconteceu no IMPA o primeiro Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas (EBMM). Na programação, palestras científicas, apresentações de jovens, tutoriais, mesas redondas e muitas discussões sobre o papel da mulher e a questão da diversidade na ciência. Com quase 500 participantes, mulheres e homens, foi um enorme sucesso. 

Mas claro que não foi unanimidade. Um colega escreveu-me queixando-se: “Nunca vi evento de matemática excluir mulher, este é o primeiro em que vejo exclusão”. Respondi discordando das duas afirmações. Primeiro, o EBMM esteve aberto a todos: a participação masculina num evento como esse é da maior importância. Segundo, embora (na maioria dos países) mulheres não estejam proibidas de participar em atividades científicas, mecanismos de exclusão mais sutis, mas muito eficazes, infelizmente continuam em ação.

Quando a família incentiva o filho, mas não a filha, a ter bom resultado na Olimpíada de Matemática, a menina está sendo excluída. Também é exclusão quando o orientador recusa uma aluna porque ela pode engravidar durante o doutorado. Quando uma mulher deixa de participar numa conferência porque não tem com quem deixar os filhos, está efetivamente sendo excluída. Homens não têm problemas desses… 

Assim, mulheres talentosas vão sendo afastadas do ambiente da ciência, para prejuízo de todos. Vemos esse efeito na Olimpíada de Matemática, com o percentual de medalhistas meninas caindo com a idade – são 31% no Ensino Fundamental e apenas 19% no Ensino Médio. 

O colega protesta que “o homem não é o inimigo” e está certo. Mas, por isso mesmo, precisamos ser parte da solução. As desvantagens que as mulheres enfrentam são tanto estruturais quanto culturais. A mudança começa nas mentalidades.

Um usuário das redes sociais protesta que “as mulheres querem privilégios”. Mas o que ouvi no EBMM foi o pleito, de mulheres cuja trajetória profissional eu respeito, de que a sua contribuição seja reconhecida em pé de igualdade e que as especificidades – maternidade, responsabilidades familiares– sejam levadas em conta, exatamente para que o “jogo” seja mais justo. As agências europeias de pesquisa já fazem isso em suas avaliações de desempenho.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Processo Seletivo para Mestrado e Doutorado em Matemática – UNICAMP

Foi publicado edital de seleção para novos alunos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Matemática da Unicamp para ingresso no primeiro semestre de 2020

O período de inscrição é de 01/08/2019 a 30/09/2019.

O link para o edital: https://www.ime.unicamp.br/sites/default/files/inline/216/edital-matematica-1s-2020.pdf

Mais informações sobre o processo de seleção podem ser obtidas via o e-mail posgrad@ime.unicamp.br e os telefones
(019)3521-5933/3521-5934/3521-5929.

O Programa de Pós-graduação em Matemática da Unicamp é um programa tradicional e de prestígio na matemática brasileira, com nível de excelência na CAPES, e com uma variedade de linhas de pesquisa em diferentes áreas da matemática.

Mais informações sobre o programa e as linhas de pesquisa podem ser encontradas em: http://www.ime.unicamp.br/pos-graduacao/matematica

INSCRIÇÕES ABERTAS – EXAME NACIONAL DE ACESSO AO PROFMAT 2020

Estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Acesso ao PROFMAT – ENA 2020.

As inscrições podem ser feitas até as 17 horas do dia 16 de setembro de 2019.

Clique aqui para acessar o sistema de inscrição.

O PROFMAT é uma pós-graduação stricto sensu para aprimoramento da formação profissional de professores da educação básica.

Para mais informações acesse: www.profmat-sbm.org.br

Clique aqui para acessar o edital.

Jayme Szwarcfiter recebe Prêmio Elon Lages Lima

Pesquisador de renome internacional na área de grafos e algoritmos, o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jayme Luiz Szwarcfiter é o vencedor da primeira edição do Prêmio Elon Lages Lima, pela obra “Teoria computacional de grafos: os algoritmos”. A cerimônia de premiação aconteceu nesta quarta-feira (31), durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no IMPA.

Homenagem ao ex-diretor e pesquisador emérito do IMPA, que se dedicou à criação de uma literatura matemática em língua portuguesa, o prêmio foi instituído pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). A gratificação visa promover e estimular a produção bibliográfica nacional em Matemática e Aplicações, destinada à formação e difusão de conhecimentos na área.

“Na academia, há prêmios para alunos, melhor tese, pesquisadores, melhor artigo, mas está faltando uma peça muito importante na construção do conhecimento que é contemplar autores de livros e de monografias. Esta categoria é pouco considerada no nosso ciclo. Escrever um livro de Matemática é algo que exige um trabalho muito grande, um esforço por um período longo, mas tem pouquíssimo reconhecimento. É realmente importante incentivar esses autores”, apontou o presidente da SBM, Paolo Piccione.

Amplamente utilizado, o livro de Szwarcfiter aborda um tema importante para a formação básica em Ciência de Dados.

“Por combinar rigor na exposição sem descuidar das aplicações, que mescla temas de pesquisa ativa (em aspectos “puros” e “aplicados”) a implementações computacionais escritas em linguagens de programação bastante atuais, a obra é um exemplo da prolífica interação entre os aspectos da Matemática representados pelas duas Sociedades”, destacou Jorge Lira, presidente da Comissão Julgadora e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Sinto-me muito honrado. Escrever livros em língua portuguesa é fundamental. Além da relevância de estabelecermos um vocabulário matemático com termos em português, é muito importante para alunos da graduação. Há muitos deles que têm dificuldade de pegar um texto em inglês e acompanhar”, disse Szwarcfiter.

Foram analisadas 22 obras na forma de monografias, textos introdutórios e livros-texto publicados entre 2010 e 2018. A seleção considerou os critérios de originalidade, relevância e profundidade; clareza e qualidade da exposição; histórico de revisões, resenhas e eventuais distinções e premiações; circulação nacional ou internacional, bem como as contribuições ao ensino e à pesquisa em Matemática e Aplicações. A premiação consiste em R$ 10 mil, troféu e diploma. 

Além de Piccione e Lira, a mesa diretiva da cerimônia foi composta por Carlile Lavor, presidente da SBMAC; André Nachbin, pesquisador do IMPA; Nancy Garcia, vice-presidente da SBM; e Luiz Mariano Carvalho, vice-presidente da SBMAC.

Reprodução: IMPA

Vagas para Bolsa de pós-doutorado – NeuroMat USP

O Centro de pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática está oferecendo duas bolsas de Pós-Doutorado financiadas pela FAPESP para candidatos interessados em desenvolver pesquisa em modelos estocásticos e computacionais do funcionamento do cérebro.

Para informações e inscrições acesse o site: https://neuromat.numec.prp.usp.br/content/positions-for-postdoctoral-researchers-1/

Colóquio e Encontro de Mulheres refletem a matemática atual

O primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática, de 1º a 20 de julho de 1957, em Poços de Caldas (MG), contou com 49 professores de 9 instituições, quase toda a comunidade matemática brasileira da época. Estava um pequeno número de mulheres, como Marília Peixoto e Elza Gomide, que, ao lado de Maria Laura Leite Lopes, foram nossas primeiras doutoras na matéria. A matemática engatinhava por aqui.

A 32ª edição do evento, realizado pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) a cada dois anos, acontece esta semana, com mais de mil inscritos. Este ano, tem uma importante dimensão extra: no fim de semana, aconteceu o primeiro EBMM (Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas), com quase 500 participantes.

Desde 1957, o Colóquio tem papel determinante no desenvolvimento da matemática brasileira, facilitando o contato entre pesquisadores nacionais e estrangeiros e o acesso, sobretudo dos mais jovens, aos avanços recentes na área. Sucessivas gerações de nossos melhores matemáticos encontraram suas vocações no Colóquio.Já na primeira edição, houve um curso ministrado pelo alemão Georges Reeb, um dos expoentes mundiais da topologia e da teoria das folheações. O cuidado em atrair os melhores matemáticos do planeta para apresentarem seus trabalhos é uma constante. 

Outro fator que contribuiu muito para o sucesso foi a decisão, desde o início, de que todo curso precisaria ter um texto escrito pelo professor para ser distribuído aos alunos. Muitos de nossos livros de matemática de maior sucesso no Brasil e no exterior começaram assim. A regra continua sagrada, mas hoje a distribuição é prioritariamente eletrônica.

A partir de 1987, o Colóquio trocou Poços de Caldas pela sede do Impa no Rio de Janeiro. Acentuou-se a tendência de crescimento do evento, com participação de mais de um milhar de alunos de graduação ou pós-graduação, professores e pesquisadores. A programação diversificou-se, para atender público tão heterogêneo. E a dimensão internacional ficou mais forte.

Leia o texto na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo
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Paolo Piccione é reeleito presidente da SBM

Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) no período 2017/2019, o italiano Paolo Piccione, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), foi eleito para dirigir a instituição de 2019 a 2021. 

Na tarde desta terça-feira (30), antes da solenidade de entrega do Prêmio SBM 2019, Piccione fez uma apresentação, no 32º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), sobre as atividades de sua gestão.

Ao iniciar sua fala, Piccione destacou os 50 anos da SBM, criada em 1969 durante o 7º CBM. A instituição surgiu com o objetivo de reunir matemáticos e professores da área, estimular a realização e divulgação de pesquisa de alto nível em Matemática e contribuir para a melhoria da disciplina, entre outras metas.

Entre as atividades realizadas durante sua gestão, Piccione citou a criação do noticiário mensal eletrônico, o lançamento de seis novos títulos editoriais –uma das principais atividades da SBM-, a organização e o apoio a eventos nacionais e internacionais, entre os quais a 9ª Bienal Brasileira de Matemática e o Joint Meeting Brazil France.

Ainda na área editorial, Piccione falou sobre a edição do Boletim da Sociedade Brasileira de Matemática. Entre 1988 e 2018, o pesquisador emérito do IMPA Jacob Palis foi editor-chefe da publicação, substituído pelo diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana. 

“Quero agradecer ao professor Jacob Palis, que transformou essa revista, que era regional, numa revista de grande prestígio internacional. O comitê editorial, sob sua responsabilidade, sempre foi composto por matemáticos excelentes. Isso nos deu grande visibilidade no exterior. Em nome da comunidade matemática brasileira, obrigado por seu trabalho”, disse o presidente da SBM, que também agradeceu a Viana. “O fator de Impacto da revista cresceu muito. Isso se deve também ao grande trabalho dele.”

Piccione destacou, ainda, a realização do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), com apoio do IMPA, e a criação da Comissão de Gênero, parceria com a Socieda de Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). 

Onze pesquisadoras integram o grupo, surgido para estudar problemas relacionados à questão de gênero na Matemática. A primeira ação da comissão foi a elaboração do documento “Diretrizes para a Diversidade em Eventos”, inspirado em material produzido pela London Mathematical Society.

“São dicas sobre como se deve organizar a composição de comitês científicos e palestrantes para garantir uma presença mais equilibrada de mulheres dentro da nossa programação científica”, detalhou o presidente da SBM, informando que a instituição também mudou o edital de chamadas para os eventos que patrocina, em busca de uma distribuição de gênero que melhor represente a sociedade científica brasileira.

O Prêmio SBM 2019, entregue logo após a apresentação de Piccione, foi conquistado, pela primeira vez, por uma mulher: a especialista em Sistemas Dinâmicos Luna Lomonaco, professora da IME/USP, que, a partir de janeiro de 2020, passará a integrar o corpo científico do IMPA. À mesa de convidados da cerimônia, estavam a vice-presidente da SBM, Nancy Garcia (Unicamp); a diretora da SBM Walcy Santos (UFRJ); Marcelo Viana; o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira; e o presidente da SBMAC, Carlile Lavor. 

Viana entre Leny Alves (UFRJ) e Detang Zhou (UFF) e Alencar, a lado da filha Bruna

Em seguida, foram concedidos títulos de associados honorários da SBM a Marcelo Viana e Hilário Alencar, pelas contribuições relevantes ao desenvolvimento da Matemática no Brasil.

“Tenho apreço grande pelo papel que a SBM tem”, declarou Viana, observando que a instituição tem encarado “a sua missão com um olhar cada vez mais abrangente”. Frisou, também, a honra de ter trabalhado com Alencar – “ele tem o sentido da grandeza” – e contribuído com a SBM. Viana presidiu a instituição de 2013 a 2015 e foi vice-presidente de 2009 a 2013.

Professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e presidente da SBM nas gestões 2009/2011, 2011/2013 e 2009/2011, Alencar é editor-executivo da SBM desde 2012. Ao receber o título de associado honorário, ele lembrou as palavras de Luna Lomonaco sobre as dificuldades de seguir na profissão, também em decorrência do gênero, e disse ter passado por obstáculos por ser nordestino.

Reprodução: IMPA

Folha e Estadão recebem Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019

Os vencedores do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019 foram anunciados nesta terça-feira (30) durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). A distinção, criada pelo IMPA e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), visa contribuir com a disseminação da cultura científica na sociedade brasileira.

Gabriel Alves, repórter da Folha de S.Paulo, foi o primeiro colocado na categoria Matemática, com a série “A Matemática explica”. Primeiro lugar na categoria Divulgação Científica, a jornalista Júlia Marques, do jornal O Estado de S. Paulo, destacou a importância da valorização do trabalho jornalístico. 

“Agradeço imensamente a possibilidade de estar aqui hoje e compartilhar com todos o meu trabalho. Para nós, jornalistas, é superimportante que a comunidade científica esteja de olho no nosso trabalho, consiga observar o que estamos fazendo e valorizar. Isso nos dá força para continuar em nossa profissão e ir atrás de boas histórias”, disse a vencedora.

Em 2018, Gabriel Alves já havia conquistado o primeiro lugar na categoria Divulgação Científica, com a reportagem multimídia “Há 50 anos o Brasil fazia seu primeiro transplante cardíaco”. A premiação ocorrera durante o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), no Rio de Janeiro.

O jornalista Gabriel Alves (centro), primeiro colocado na categoria Matemática do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019, ao lado do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, (à direita) e do diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu (à esquerda)

“É uma bela iniciativa estimular que as pessoas escrevam e comuniquem a Matemática. É louvável. É difícil fazer reportagens sobre o tema, mas tenho tentado. Fiz faculdade de Matemática e ainda assim é um desafio abordar o assunto”, disse o jornalista. 

Para o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, membro da comissão julgadora, “a qualidade e a diversidade das matérias premiadas nos convencem do potencial da comunicação científica no Brasil”.

Inscreveram-se na disputa 82 trabalhos nas categorias Matemática (28) e Divulgação Científica (54). As produções vieram de 39 órgãos de mídia do Distrito Federal e de 12 Estados: Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

As reportagens foram veiculadas em jornais, revistas, portais, blogs, televisão e rádio entre 16 de maio de 2018 e 15 de junho de 2019. A seleção dos finalistas considerou os critérios de relevância jornalística do tema, originalidade, profundidade, clareza e qualidade na execução do material jornalístico.

“Esta foi a participação mais divertida em uma comissão”, disse o presidente da SBM, Paolo Piccione, ao parabenizar os vencedores pela qualidade do trabalho.

A jornalista Júlia Marques (centro), primeiro lugar na categoria Divulgação Científica do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019, ao lado do presidente da SBM, Paolo Piccione (à esquerda), e do presidente da SBPC, Ildeu Moreira (à direita)

Além de Viana e Piccione, a Comissão Julgadora foi composta por Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Raphael Gomide e Sergio Torres, jornalistas da Corcovado Comunicação Estratégica, empresa responsável pela comunicação do IMPA.

Também participaram da entrega dos prêmios o diretor-adjunto do IMPA, Claudio Landim, e o diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.

As premiações são idênticas nas duas categorias: R10 mil e troféu(vencedor); R$ 3 mil e diploma (2º lugar); R$ 2 mil e diploma (3º lugar). Para as duas menções honrosas foram concedidos diplomas.

Categoria Matemática
1º lugar– Gabriel Alves – “Série: A Matemática explica”, Folha de S.Paulo
2º lugar – Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo – “Estudo encontra 999 beneficiários do Bolsa Família que conquistaram 1.288 medalhas em olimpíada de matemática”, G1
3º lugar – Jussara Santa Rosa, Neyara Pinheiro, Walter Júnior, Fernando Cardoso e Osiel Pontes – “A Matemática multiplica sonhos no Piauí”, TV Clube, afiliada da TV Globo
Menção Honrosa – Gabriel Alves – “Matemática ajuda médicos a prever risco de morte em cirurgia cardíaca”, Folha de S. Paulo
Menção Honrosa – Fernando Tadeu Moraes – “Um engenheiro e suas obras imateriais”, Piauí

Categoria Divulgação Científica
1º lugar – Júlia Marques – “Primeira missão brasileira no Egito prepara escavação de tumba milenar”, O Estado de São Paulo
2º lugar – Stefhanie Piovezan – “Como rede de cientistas usa dados para tentar achar corpos em Brumadinho”, UOL
3º lugar – Marília Marasciulo, Isabela Moreira, May Tanferri, Tomás Arthuzzi, Ina Ramos e Camila Rosa – “Lugar de mulher é na ciência”, Galileu
Menção Honrosa – Stefhanie Piovezan – “O berço dos dinos é aqui”, UOL
Menção Honrosa – Gabriel Justo, Giuliana de Toledo, Mayra Martins e Otávio Silveira – “Para que serve o Nobel?”, Galileu

Reprodução: IMPA


Luna Lomonaco é a primeira mulher a conquistar Prêmio SBM

Especialista em Sistemas Dinâmicos, a italiana Luciana Luna Lomonaco é a primeira mulher a conquistar o Prêmio SBM de Matemática. Professora do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), a partir de 2020 ela passará a integrar o corpo científico do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). 

Luna ganhou o prêmio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) 2019 pelo trabalho “On Quasi-Conformal (In-)Compatibility of Satellite Copies of the Mandelbrot Set: I”, publicado, em 2017, na  Inventiones Mathematicae 210. Além de diploma e prêmio de R$ 20 mil, o vencedor é convidado a proferir palestra plenária no Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), realizado no IMPA.

Após receber o prêmio das mãos do presidente da SBM, Paolo Piccione, Luna falou sobre “a imensa honra” de ter recebido a distinção e as dificuldades para entrar e se manter na carreira de pesquisadora em Matemática. “Nunca imaginei que chegaria até aqui, pois não foi nada fácil. Nesses 15 anos e muitos de vida, estive muito perto de desistir”, declarou, enfatizando a importância do apoio das pessoas que acreditaram que ela seria capaz. 

Luna agradeceu a comunidade brasileira de matemática, “pela acolhida”; à SBM, pelo prêmio: e aos pais dela e contou à plateia que chegou ao Rio de Janeiro no domingo, ainda a tempo de acompanhar o segundo e último dia do Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas, realizado este fim de semana no IMPA.

“Foi uma experiência muito forte, pois ouvi muitas histórias parecidas com a minha”, confessou, dedicando o Prêmio SBM 2019 a todas as mulheres matemáticas.

Concedido a cada dois anos pela SBM durante o Colóquio, o prêmio foi criado para distinguir o melhor artigo original de pesquisa em Matemática publicado recentemente por um jovem pesquisador residente no Brasil. As indicações são feitas por qualquer pesquisador ou docente de instituição nacional de ensino e pesquisa.

Ganhadora do L’óreal-Unesco-ABC “Para Mulheres na Ciência” 2018 – criado para promover a igualdade de gênero no ambiente científico – Luna estuda um dos fractais mais conhecidos, intitulado Conjunto de Mandelbrot, e suas cópias dentro e fora do objeto geométrico.  

Nascida em Milão, na Itália, e criada na Europa, onde também fez boa parte de seus estudos – graduou-se (2007) na Univesità degli Studi di Padova, mestrado na Universitat de Barcelona (2009) e doutorado na Roskilde University (2012).

O artigo de Luna foi selecionado pela comissão formada pelos professores Noga Alon (Tel Aviv University e Princeton University), Vaughan Jones (Vanderbilt University), Richard Schoen (University of California-Irvine), Stanislav Smirnov (Université de Genève) e Paolo Piccione (USP), presidente da SBM. Foram considerados os critérios de originalidade, relevância, profundidade e potencial de impacto no desenvolvimento da respectiva área.

Nas quatro edições já realizadas, dois pesquisadores do IMPA foram premiados: em 2013, Artur Avila ganhou com “On the regularization of conservative maps”, artigo publicado na Acta Mathematica 205 (2010); e em 2017, o vencedor foi Robert Morris, autor de “Independent sets in hypergraphs”, divulgado no Journal of the American Mathematical Society, volume 28 (2015). 

Reprodução: IMPA

Nota de Falecimento: Profº Sérgio Mota Alves

Com pesar, informamos o falecimento do Profº Sérgio Mota Alves, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (29) em Campina Grande – PB.

O Professor Mota foi um impulsor da adesão da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) na rede do Profmat e o primeiro Coordenador do Profmat-UESC, no período de 2011 a 2015. Colaborou ativamente na Coordenação Regional do Profmat – Região Nordeste de 2012 a 2015. Na UESC orientou 11 dissertações.


O sepultamento será hoje (29) às 17:00 horas no cemitério Monte Santo, em Campina Grande.

NOTA da SBMAC e SBM sobre o INPE

Durante décadas, o Estado Brasileiro criou seus Institutos de Pesquisa, com dedicações específicas. Esses centros visam fomentar o desenvolvimento técnico-científico em áreas consideradas estratégicas, cumprindo missões de Estado. Todos eles foram dotados de um corpo técnico de excelência, permitindo cumprir seus objetivos estratégicos e contribuir para o desenvolvimento da Nação.

Dentre esses institutos, o maior deles é o INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE), criado em 1961, voltado para o desenvolvimento de tecnologia espacial em prol do progresso do Brasil.

Ao longo do tempo, o INPE se consolidou, adquirindo um prestígio internacional, sendo considerado um centro de excelência em suas áreas de atuação.

Dentre essas áreas, a de “Sensoriamento Remoto e Observação da Terra” logo adquiriu alto prestígio, realizando um trabalho de excelência idêntico ao que é empreendido pelos mais respeitados centros internacionais. Em especial, o INPE usa dados obtidos de satélites de “Observação da Terra”, incluindo dados originários de satélites desenvolvidos no próprio Instituto, para acompanhar o desmatamento da região amazônica. Os dados são coletados e procedimentos de análise e consolidação são aplicados, obtendo os resultados que são periodicamente divulgados. Esses procedimentos são rastreáveis e obedecem às mesmas metodologia empregadas em outros centros congêneres.

Visando defender o legado científico e tecnológico, desenvolvido com tanto esmero e dedicação ao longo de gerações, e reconhecendo o papel de excelência que o INPE vem fazendo ao cumprir sua missão de Estado, a Diretoria e o Conselho da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) vem a público externar seu total apoio ao INPE, sua equipe técnica-científica e seu Diretor, Prof. Ricardo Galvão, repudiando veementemente as críticas gratuitas e sem embasamento técnico que lhes foram dirigidas.

Destacamos nossa crença, enquanto Sociedades Científicas, que o desenvolvimento da Nação depende de um compromisso de Estado com a Educação e o desenvolvimento científico e tecnológico.

Carlile Lavor (Presidente – SBMAC) e Paolo Piccione (Presidente – SBM)