Inscrições para a OBMEP 2018 já estão abertas

A sua escola integra a rede pública de um município muito pequeno? Ou funciona em uma metrópole? Trata-se de um colégio particular de grande porte? É uma escola indígena? Não importa a resposta: todas as instituições de ensino do país estão convidadas para a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), que, a partir desta quarta-feira (21), recebe inscrições para a sua 14ª edição.

Escolas municipais, estaduais, federais e privadas, que atuem do 6º ao 9º anos dos Ensinos Fundamental e Médio, podem participar da maior competição científica do Brasil, realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). No ano passado, 18,2 milhões de estudantes de 99,6% dos municípios brasileiros se inscreverem na OBMEP, que, pela primeira vez, foi aberta também para os colégios particulares.

A inscrição deve ser realizada pelas escolas, por meio do preenchimento da Ficha de Inscrição disponível exclusivamente na página da OBMEP (www.obmep.org.br). O prazo se encerra em 2 de abril, mas não deixe para a última hora. As provas serão aplicadas nos dias 5 de junho (1ª fase) e 15 de setembro (2ª fase). A divulgação dos vencedores também já tem data: 21 de novembro. Premiados com medalha de ouro, prata ou bronze garantem o ingresso em programas de iniciação científica.

Criada pelo IMPA em 2005 e realizada com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a competição é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC) e integra as atividades do Biênio da Matemática Gomes de Sousa 2017-2018.

Para quem não sabe, a OBMEP contribui para estimular o estudo da Matemática no Brasil, identificar jovens talentosos e promover a inclusão social pela difusão do conhecimento. Estudos independentes já revelaram o impacto efetivo da olimpíada nos resultados de Matemática. Escolas que participaram ativamente da competição, aponta trabalho do ex-presidente do INEP Chico Soares, apresentam melhora no desempenho dos alunos de 26 pontos na Prova Brasil, o equivalente a 1,5 ano de escolaridade extra.

Fonte: IMPA
Link da noticia original: https://impa.br/page-noticias/inscricoes-para-a-obmep-2018-ja-estao-abertas/

A matemática pode tornar eleições mais justas

Anos atrás, coorganizei uma conferência em Chicago para matemáticos de todo o mundo. Entre eles, um estudante iraniano do Impa cujo pedido de visto para os Estados Unidos foi sumariamente negado, apesar de ter toda a documentação, inclusive uma carta abonadora da direção do Instituto de Matemática Pura e Aplicada.

Chateado, informei a minha colega em Chicago sobre o ocorrido e então aconteceu algo que eu não previ: ela enviou um e-mail ao deputado do seu distrito, que contatou o consulado no Rio de Janeiro. Pouco depois, o estudante recebeu um telefonema pedindo para voltar ao local e, em menos de 48h, a questão do visto estava resolvida.

O episódio me tornou fã do sistema eleitoral norte-americano, em que o território está dividido em distritos, e cada um elege um deputado. Dessa forma o eleitor sabe quem é o seu representante no parlamento e em quem votar na próxima eleição, ou não, dependendo do trabalho realizado.

Mas o sistema distrital também tem dificuldades. Para garantir isonomia, a lei exige que todos os distritos contenham praticamente o mesmo número de eleitores. Para isso, os distritos precisam ser redesenhados a cada dez anos, a partir dos dados do censo. O problema é que a tarefa fica a cargo dos estados, onde o partido dominante costuma aproveitar para tirar vantagem. Eis um exemplo simples de como isso pode ser feito.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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‘Google’, ou como ideia de infinito sempre intrigou a humanidade

Por volta de 1920, o matemático norte-americano Edward Kasner (1878-1955) estava buscando um nome para um número muito grande —10100, ou seja, 1 seguido de 100 zeros— que despertasse a atenção das crianças. O sobrinho Milton, de 9 anos, propôs chamar “googol” e esse nome foi popularizado por Kasner em seu livro “Matemática e imaginação”.

O googol é um número enorme. Para dar uma ideia, estima-se que o número de átomos em todo o universo observável seja 1080, quer dizer, 1 seguido de “apenas” 80 zeros. O googol é 100 bilhões de bilhões de vezes maior!

Mas o pequeno Milton sabia bem que há números ainda maiores, e até propôs um nome para um deles: “googolplex” é 10googol, ou seja, 1 seguido de um googol de zeros.

O googolplex é tão colossalmente grande que não é possível escrevê-lo por extenso: não há espaço suficiente no universo para todos esses zeros!

Muitos anos depois, em 1997, os criadores de um novo site de buscas decidiram chamar seu produto “Googol”, para dizer que ele seria capaz de processar enormes quantidades de informação. Só que alguém se enganou na hora de escrever e acabou ficando “Google”.

Aliás, é um exagero: mesmo hoje em dia, a quantidade total de informação armazenada na internet não alcança 1023 bytes —cem trilhões de gigabytes—, o que não chega nem perto de um googol. Mesmo assim, a sede da empresa na Califórnia é chamada Googleplex…

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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10 questões para professores de matemática

Este livro é um guia para professores sobre ensino e aprendizado de Matemática. Aborda tópicos como: “quanto eu devo encorajar meus estudantes a serem responsáveis pelos seus próprios aprendizados em matemática?” ou “como professor de matemática, quão importante é a relação que tenho com meus alunos?” Isso dá aos professores dados oportunos e relevantes, além de análises que podem ajudá-los a refletir sobre suas estratégias de ensino e sobre como os estudantes aprendem.

Faça o download gratuito clicando aqui.

Titulo: 10 Questões para Professores de Matemática…e como o PISA Pode Ajudar a Respondê-las
Páginas : 104
Publicação : OCDE/IMPA
ISBN: 978-85-244-0444-3
1ª edição

PROFMAT fornece treinamento aprofundado para professores

O relatório PISA 2012 (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) destacou o Brasil como “o país com maiores ganhos de desempenho [no teste de matemática] desde 2003”. O relatório também enfatizou que durante esse período “o Brasil também expandiu a matrícula nas escolas primárias e secundárias”. Embora as classificações tenham diminuído um pouco no último teste, o ganho líquido de 356 pontos em 2003 para 377 pontos em 2015 permanece muito significativo. No entanto, o Brasil ainda se localiza significativamente abaixo da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e é claro que ainda há muito a ser feito.

Cerca de 40% dos estudantes das escolas brasileiras não atingiram o nível 1 em matemática, o que significa que não dominam as quatro operações com números inteiros.

A continuar assim, seria muito prejudicial para as perspectivas de desenvolvimento da nação: por um lado, o nível de alfabetização matemática da sociedade como um todo é claramente inadequado; além disso, há uma falta de profissionais para ocupar cargos-chave em profissões baseadas em matemática.

Dados oficiais adicionais sobre o desempenho dos alunos que acabam de ser divulgados pelo Ministério da Educação mostram que o progresso ficou paralisado no nível do ensino médio, embora tenha havido alguma melhoria significativa no nível do ensino fundamental.

Esses fatos levaram o governo federal a propor uma reforma do ensino médio que atualmente está sendo implementada. Existe um consenso de que um fator-chave para a melhoria da educação escolar reside no treinamento de professores da escola.

Vários educadores, tanto no Brasil como em outros lugares, apontaram a existência de um conjunto de conhecimentos matemáticos específicos do ensino como profissão e que não podem ser considerados como uma versão simplificada do conhecimento matemático per se.

Assim, houve apelos vigorosos para o desenvolvimento de modelos educacionais de professores baseados no conhecimento necessário para a prática em sala de aula. Ao mesmo tempo, a alienação entre o pré-serviço dos professores e o treinamento em serviço, por um lado, e a prática em sala de aula, por outro, foi amplamente denunciada.

Em resposta a tal cenário, várias instituições e organizações, incluindo as sociedades científicas SBM, SBEM e SBMAC, têm promovido ativamente iniciativas cujo objetivo é melhorar a formação dos professores, pré-serviço e em serviço. Um destaque é o programa de mestrado profissional nacional PROFMAT.

O PROFMAT é oferecido por uma rede de 71 instituições de ensino superior (universidades e institutos), em 100 campi localizados nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. A SBM é responsável pela supervisão geral do programa de mestrado, definindo suas diretrizes, nomeando seus principais diretores e monitorando sua execução em toda a rede. As instituições associadas oferecem os cursos, bem como a supervisão de pesquisas e dissertações, além de conceder o diploma final.

O PROFMAT fornece treinamento matemático aprofundado para professores de escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, e é financiado pela agência federal CAPES. Iniciado em 2011, já entregou diploma de mestrado a mais de 3.500 professores de escolas que agora assumem um papel de liderança na mudança da paisagem educacional no país. Certamente, o PROFMAT tornou-se um modelo para programas similares em muitos outros campos acadêmicos, como português, física, química, história, geografia e artes.

Dessa forma, o programa também ajuda a unir a universidade e a escola em um diálogo que vem faltando há décadas e é fundamental para lidar com os desafios da educação. Isso se concretizou, em particular, na criação da Associação Nacional dos Professores de Matemática (ANPMat), liderada por alunos da PROFMAT e com o objetivo de proporcionar novas oportunidades para o treinamento de professores de matemática, em colaboração com as universidades e as sociedades
científicas.

Entre eles, é dada especial ênfase aos Simpósios da Formação do Professor de Matemática, um ciclo de reuniões organizadas todos os anos pela ANPMat e a SBM em todas as principais regiões do Brasil, dedicadas à discussão de todos os assuntos relevantes para o professor de matemática e que são realizados em espaço de dois anos em todas as principais regiões do Brasil.

Ademais, o Brasil produziu um sólido corpo de pesquisa em educação matemática, focalizando questões particularmente relevantes para o contexto educacional do país e mantendo um intercâmbio vigoroso com a comunidade internacional de pesquisa na área. Atualmente, existem mais de 50 programas de pós-graduação em educação matemática no país.

Fonte: IMPA
Link da noticia original: https://impa.br/page-noticias/profmat-provides-in-depth-training-for-teachers/

XIV EBEB -Encontro Brasileiro de Estatística Bayesiana

O XIV Encontro Brasileiro de Estatística Bayesiana será realizado no IMPA – Rio de Janeiro, de 5 a 9 de março de 2018.

Sobre o evento: 

O Encontro Brasileiro de Estatística Bayesiana (EBEB) vem sendo realizado com periodicidade de dois anos desde 1991, inicialmente por grupos de pesquisadores brasileiros interessados na divulgação e crescimento da pesquisa em estatística bayesiana no país. Das doze edições anteriores do EBEB, três foram realizadas em Minas Gerais. As demais edições foram organizadas nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

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Inscrições abertas para Prêmio Gutierrez 2018 de melhor tese em matemática

Estão abertas, até 31 de março, as inscrições para o Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2018. A iniciativa reconhece a melhor tese de doutorado na área de matemática defendida no Brasil no ano anterior. Organizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática, a premiação concede R$ 3 mil ao vencedor. A cerimônia de premiação será realizada no dia 27 de agosto, às 14 horas, no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano do ICMC.

Para se inscrever, o autor ou orientador do trabalho deve enviar o arquivo em formato PDF da tese defendida e aprovada, bem como artigos provenientes, para o e-mail premiogutierrez@icmc.usp.br. Também é necessário enviar um texto, de até 25 linhas, que defenda e justifique, com base em padrões científicos de qualidade, por que a tese merece receber o prêmio. Clique aqui para acessar o edital completo.

O vencedor do Prêmio Gutierrez 2017 foi Felipe Ferreira Gonçalves, por sua tese Extremal Problems, Reconstruction Formulas and Approximations of Gaussian Kernels. Nascido no Rio de Janeiro, Felipe formou-se Bacharel em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010, concluiu o mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) em 2012 e o doutorado em 2016, na mesma instituição, sob a orientação do professor Emanuel Carneiro. Atualmente, é professor assistente na University of Alberta, em Edmonton, Canadá.

 diretor do ICMC, Alexandre Nolasco de Carvalho, à esquerda, com Felipe Gonçalves, vencedor do Prêmio Gutierrez 2017
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)

Sobre o Prêmio – o Prêmio Gutierrez foi criado para homenagear o pesquisador peruano Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon (1944-2008). O objetivo é reconhecer a melhor tese defendida e aprovada na área de matemática no Brasil, no ano anterior ao ano da premiação, considerando os quesitos originalidade e qualidade.

Gutierrez chegou ao Brasil em 1969 para estudar no IMPA, onde se titulou mestre e doutor em matemática. Nessa instituição, na qual trabalhou até 1999, começou como professor assistente e chegou à posição de titular. Durante o período, visitou vários importantes centros em matemática como a University of California, em Berkeley, e o California Institute of Technology. Após deixar o IMPA, ele atuou como professor titular no ICMC, contribuindo com a fundação e organização do grupo de pesquisa em Sistemas Dinâmicos. Em sua carreira, publicou mais de 70 artigos, orientou sete alunos de doutorado e 20 de mestrado.

Mais informações:

Link do edital: https://web.icmc.usp.br/SVPGRAD/portal/ppgmat/editalpremiogutierrez.pdf
Serviço de Pós-Graduação do ICMC: (16) 3373.9638
E-mail: posgrad@icmc.usp.br

 

 

Fonte: ICMC
Link: http://www.icmc.usp.br/noticias/3487-inscricoes-abertas-para-premio-gutierrez-2018-de-melhor-tese-em-matematica

Brasil sobe da 5ª divisão à elite da pesquisa matemática

Por decisão da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), a partir de ontem o nosso país integra o grupo das nações mais avançadas na pesquisa matemática: Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido, Rússia e agora também o Brasil.

Sucesso de um projeto acalentado há algum tempo pelo Impa e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), esta promoção é também o culminar da trajetória única de nosso país no cenário mundial da matemática.

O Brasil aderiu à IMU em 1954. O começo foi modesto: os países membros da IMU estão organizados em cinco grupos, segundo o grau de desenvolvimento de sua matemática, e o Brasil começou no grupo 1, o menos importante.

Diz muito do despreparo de nossa comunidade na época o fato de que não temos nenhum registro escrito da adesão: não sabemos como aconteceu, nem sequer quem tomou a iniciativa (perguntei aos arquivos da IMU, em Berlim, mas ainda não obtive resposta).

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Poincaré e Oscar 2º, o rei que amava a matemática

O 60º aniversário do rei Oscar 2º da Suécia e Noruega foi em 21 de janeiro de 1889, mas os preparativos começaram muito antes. Oscar 2º (1929-1907) não era um monarca comum: estudara matemática na faculdade e tornou-se protetor dessa ciência, chegando a patrocinar a criação de uma revista científica, a “Acta Mathematica”, que até hoje é uma das mais prestigiosas do mundo.

Entre os seus conselheiros estava o matemático Gösta Mittag-Leffler (1846-1927), elegante, culto, bon-vivant, que se casou com uma das herdeiras mais ricas da Suécia e gastou alegremente o dinheiro do sogro. Portanto, que o rei tenha decidido assinalar o aniversário por meio de um prêmio matemático não chega a ser surpresa. Embora seja inusitado, infelizmente.

A premiação, uma medalha de ouro e 2.500 coroas suecas (cerca de 4 meses de salário de um professor universitário), iria para a melhor solução de uma questão de pesquisa em análise matemática. Além disso, o trabalho seria publicado na “Acta Mathematica”.

Mittag-Leffler ficou encarregado de presidir o júri e não perdeu tempo para transformar a situação em uma oportunidade de autopromoção.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Brasil é promovido à elite da matemática mundial

O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e a SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) anunciaram nesta quinta-feira (25) o ingresso do Brasil na elite da matemática mundial. A União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) acaba de aprovar a entrada do país no Grupo 5, que reúne as nações mais desenvolvidas em pesquisa matemática.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva realizada na sede do IMPA, no Rio, com a presença do diretor-geral do instituto, Marcelo Viana; do presidente da SBM, Paulo Piccione; da secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro; e do secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Elton Santa Fé Zacarias.

Também participaram do anúncio representantes da história da matemática brasileira, como Artur Avila, Medalha Fields 2014; Mauricio Peixoto, um dos pioneiros que fundaram o IMPA, em 1952; Jacob Palis, mais laureado profissional brasileiro da matemática; e Claudio Landim, diretor-adjunto do IMPA.

A candidatura do Brasil ao Grupo 5 foi apresentada em 2017 pelo IMPA e pela SBM ao organismo que congrega as sociedades matemáticas de países de todo o mundo. Atualmente, 76 nações são membros da IMU, criada em 1920 para promover a cooperação internacional em matemática.

Os países são divididos em cinco categorias, por ordem de excelência. Além do Brasil, mais dez países integram o Grupo 5: Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

O diretor-geral do IMPA revelou esperar que a honraria represente um “passo para uma trajetória ainda mais ascendente” da matemática brasileira. “A pesquisa matemática brasileira é consolidada, se disseminou. Ao longo das décadas nossa capacidade de pesquisa e formação de pesquisadores cresceu muito. O fato de a matemática brasileira estar agora ao lado dos países de maior expressão e relevância na matemática global representa o reconhecimento da qualidade da pesquisa matemática feita no país”, disse Marcelo Viana.

A mudança de classificação dos países é decidida pela IMU após recomendação do Comitê Executivo. São analisadas informações como o número e a qualidade de programas de pós-graduação e sua distribuição territorial, o total de publicações científicas divulgadas em meios importantes e os nomes de destaque na área. O presidente da SBM destacou a qualidade dos pesquisadores matemáticos brasileiros. “São excepcionais”, afirmou Piccione.

A secretaria-executiva do Ministério da Educação definiu como um “orgulho para o país” o “trabalho que o IMPA vem fazendo”. “Precisamos formar bons professores de matemática, e a pesquisa matemática pode ajudar muito a alcançarmos este objetivo”, disse Maria Helena Guimarães de Castro.

O secretário-executivo do CTIC enalteceu o fato de o Brasil ser “um dos 20 maiores (países) produtores de pesquisas do mundo”. “O IMPA é uma instituição de excelência reconhecida mundialmente”, afirmou Zacarias.

O Brasil é membro da IMU desde 1954. Ingressou dois anos após a fundação do IMPA, que ocupa papel fundamental na consolidação do país no cenário internacional da matemática. Em pouco mais de meio século, ascendeu ao topo da classificação – subiu para o Grupo 2 em 1978; ao 3 em 1981; e, em 2005, ao Grupo 4.

A promoção ao Grupo 5 é consequência da contribuição brasileira à matemática mundial e reconhece a excelência do trabalho da pesquisa nacional. Nos últimos anos, houve considerável crescimento da publicação científica brasileira, além de distinções obtidas por seus pesquisadores com alguns dos principais prêmios mundiais – entre os quais se destaca a Medalha Fields, recebida por Artur Avila. Em 2006, logo após a promoção ao Grupo 4, representava 1,53% da produção matemática mundial (1.043 papers). Uma década depois, a produção nacional saltou para 2,35% (2.076 papers).

A entrada no Grupo 5 ocorre no ano em que o Brasil sediará, de 1º a 9 de agosto, o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM na sigla em inglês) – mais importante encontro mundial da área –, pela primeira vez realizado no Hemisfério Sul. Na edição de 2014, Artur Avila, pesquisador extraordinário do IMPA, foi o primeiro brasileiro a receber a Medalha Fields, considerada o “Nobel” da Matemática.

Assim como a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), promovida em julho de 2017 no Rio, o ICM é resultado do prestígio do Brasil no cenário matemático internacional. Os eventos integram o Biênio da Matemática 2017-2018, uma série de iniciativas nacionais e internacionais para estimular, popularizar e fomentar melhorias no ensino da matemática no país, destacando sua relevância para o desenvolvimento pessoal e econômico.

PAÍSES DO GRUPO 5
Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia

EVOLUÇÃO DO BRASIL NO RANKING DA IMU
O Brasil ingressou na IMU em 1954, como membro do Grupo 1. Foi promovido ao Grupo 2, em 1978; ao Grupo 3, em 1981 e ao Grupo IV, em 2005.

FATORES QUE LEVARAM O BRASIL AO GRUPO 5
Progresso notável da produção científica brasileira na área, em termos qualitativos e quantitativos.

Expansão do sistema de pós-graduação (mestrado e doutorado) em matemática no Brasil, em nível de qualidade compatível com os melhores padrões internacionais.

Crescimento da colaboração regional e internacional dos matemáticos brasileiros com colegas de todo o mundo e crescente papel internacional de nossas instituições

Confiança por parte da comunidade matemática mundial na maturidade da matemática brasileira e em sua capacidade para organizar grandes eventos, como o ICM2018.

Fonte: IMPA

IMPA e SBM lançam documento sobre a Matemática no Brasil

Em meio às atividades do Biênio da Matemática 2017-2018 e a oito meses da realização do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018), o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e a SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) lançam o documento “Brazilian Mathematics 2018”.

O texto tem por objetivo traçar um panorama da Matemática brasileira  e de sua evolução ao longo das últimas décadas, mostrando o progresso alcançado na pesquisa, pós-graduação e cooperação internacional.

O documento discorre ainda sobre a situação da educação no país, ao abordar o papel das olimpíadas de Matemática, o tema da participação feminina e os esforços crescentes para popularizar a Matemática na sociedade.

Trata-se de um documento essencial àqueles que estão de malas prontas para vir ao Rio de Janeiro durante o ICM 2018, mas que não têm a real dimensão do papel do Brasil no cenário da Matemática mundial. Ajuda a compreender com clareza porque o país foi anfitrião da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), em 2017, e se prepara para ser a primeira sede do ICM no Hemisfério Sul.

Para ler o documento, acesse:

Versão em inglês: Brazilian_Mathematics_2018

Versão em português: Matemática Brasileira_2018

Fonte: Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – Impa

Brasil é promovido ao grupo de elite da pesquisa em matemática

Numa época em que predominam notícias ruins para a ciência nacional, como a queda expressiva de recursos para a área e a ida de pesquisadores para fora do país, a matemática brasileira acaba de proporcionar um alento.

O país foi promovido para o grupo de elite da matemática mundial, o chamada Grupo 5, que reúne as nações mais desenvolvidas na pesquisa da área.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) na sede do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio, uma das instituições mais prestigiosas do mundo.

“Se houvesse um campeonato mundial da matemática, é como se tivéssemos subido para a primeira divisão da competição”, resume Marcelo Viana, diretor do Impa e colunista da Folha.

Essas “divisões” são estabelecidas pela União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), organismo que congrega as sociedades matemáticas de nações de todo o planeta. Ela divide seus 76 países-membros em cinco grupos, por ordem de excelência.

O Brasil aderiu à IMU em 1954, entrando, assim, no Grupo 1; em 1978, ascendemos ao grupo 2; ao 3, em 1981; e, em 2005, ao Grupo 4. O país agora fará companhia à Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

“Não me recordo de outro país que tenha feito esse percurso”, afirma Viana. As outras nações, com bem mais tradição na pesquisa matemática, já foram admitidas nos grupos mais altos.

INFLUÊNCIA

Com a ascensão, o Brasil ganha mais peso e influência nas decisões relacionadas ao mundo da matemática e passa a contar com cinco votos na assembleia geral da organização.

Paolo Piccione, professor da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), vê também um possível efeito interno. “A chegada do Brasil ao Grupo 5 mostra que o país tem potencial para se relacionar com as nações cientificamente mais desenvolvidas do mundo. Mostra que talento não falta por aqui.”

“Além disso”, prossegue Piccione, “o país consolida sua posição de referência na matemática dentro da América Latina”.

A promoção do país à elite da matemática mundial também é um reconhecimento de tudo o que foi feito nas últimas seis décadas no país.

Marcelo Viana relembra uma trajetória que começa na criação de órgãos, como o CNPq (agência de fomento) e o próprio Impa, no anos 50, passa pelo fortalecimento da pós-graduação nos anos 1970, quando começamos a formar pesquisadores de ponta no país, passa pela consolidação do Impa como instituto de gabarito internacional, nos anos 1980, e chega na medalha Fields (prêmio máximo da matemática) dada a Artur Avila em 2014.

Os número não mentem. A evolução da produção científica do Brasil é notável. Em termos absolutos, nossos pesquisadores passaram, nos últimos 30 anos, de 253 artigos publicados em revistas especializadas para 2.349. Proporcionalmente a produção dos matemáticos brasileiros passou, nesse período, de 0,7% de todos o artigos para 2,35%.

Também cresceu de maneira expressiva o número de alunos de doutorado e de programas de pós-graduação em matemática.

Em 1970, por exemplo, havia apenas cinco cursos de doutorado na área, ante 30 atualmente. Os alunos de doutorado, que eram 677 em 2007, hoje são quase 1.400.

A isso se somam outros fatores, por exemplo, a crescente presença de matemáticos brasileiros entre os conferencistas convidados para o Congresso Internacional de Matemáticos, o maior evento da área, que só ocorre a cada quatro e cuja próxima edição será realizada em 2018 no Rio de Janeiro.

DISCREPÂNCIA

A entrada do Brasil no Grupo 5 chama atenção ainda pela discrepância entre a excelência da pesquisa desenvolvida por aqui e a má qualidade do ensino de matemática no país. No último Pisa, principal avaliação da educação básica no mundo, o país ficou em 65º colocado num universo de 70 países.

Mais de 70% dos alunos brasileiros de 15 e 16 anos não alcançam sequer o nível básico de proficiência em matemática, ou seja, são incapazes de resolver problemas simples envolvendo números.

“A educação matemática é um aspecto em que certamente podemos ainda crescer bastante”, diz Piccione.

Para o presidente da SBM o país precisa ter uma melhor distribuição geográfica de bons centros de matemática. “Hoje estamos formando poucos professores bons.”

Outro fator apontado por Piccione é a falta de sinergia entre matemáticos profissionais e educadores da disciplina. “Seria ótimo se pudéssemos estabelecer mais parcerias para melhorar o ensino.”

Reprodução de Noticia – Folha de São Paulo

Oficinas para Profº de Matemática – Rio de Janeiro

Nos dias 02, 03, 09 e 10 de março serão realizadas oficinas para professores de matemática (formados ou ainda em formação), no Colégio Pedro II, Campus Tijuca II – Rio de Janeiro/RJ.  Mais informações no cartaz ou no site.

As oficinas do Livro Aberto visam à troca de conhecimento da equipe de elaboração com a comunidade de professores de matemática da Educação Básica. Para elaboração do livro, os autores realizam pesquisas cuidadosas, que são refletidas na proposta do material. Nestas oficinas, elaboradores e professores e licenciandos participantes compartilham seus conhecimentos visando à reflexão a partir da prática.

Para maiores informações acesse: https://www.umlivroaberto.com

Organização: Livro Aberto.
Realização: IMPA/OBMEP e UNIRIO
Apoio: CPII, CEFET/RJ, UFF, UFRJ
Patrocínio: Fundação Itaú Social

Edital para Contratação de Professor de Matemática – PUCRS

A Escola de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, estará recebendo até o dia 30 de Janeiro de 2018 currículos (Modelo Lattes/CNPq) de interessados para o possível exercício, em tempo parcial, de atividades de docência vinculados a cursos de graduação envolvendo a área de Matemática, incluindo Cálculo Diferencial e Integral, Cálculo Numérico, Álgebra Matricial, Matemática Discreta e Matemática Atuarial.

Solicito que esta Sociedade divulgue esta oportunidade para seus associados.

O Edital encontra-se em anexo ou no link http://www.pucrs.br/ciencias/evento/processo-seletivo-professores/.

Cotas não resolvem, mas ajudam

Levantamento feito pela Folha ao final de 2017 mostrou que, em boa parte dos cursos universitários, alunos que ingressam por meio de cotas se formam com notas próximas dos demais. O estudo usou os resultados de mais de 250 mil estudantes nas três últimas edições do Enade e constatou que alunos cotistas chegam a ter notas melhores que os outros, por exemplo, em odontologia.

É refrescante dispormos de dados objetivos sobre um assunto tantas vezes poluído por ideologias. É inegável que ações afirmativas, como as cotas, são importantes mecanismos de justiça social em um país tão profundamente injusto como o nosso. E as conclusões do levantamento indicam que tais ferramentas são válidas também no plano acadêmico: não se confirmam os prognósticos de que o ingresso de alunos cotistas resultaria em degradação da qualidade dos cursos.

O perigo é alguém acreditar que cotas resolvem alguma coisa no médio prazo. Nosso sistema educacional está doente, e cotas são como um antitérmico, que reduz o desconforto do paciente, mas não ataca as causas da febre. O que precisamos é que a escola pública, democrática e gratuita, ofereça formação de qualidade, para que as cotas se tornem desnecessárias. Não é uma utopia: acontece em muitos outros países, inclusive mais pobres que o Brasil.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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