Nota de falecimento

Alexandre Augusto Martins Rodrigues
(1930-2018)

Faleceu nesta sexta-feira, 20/04, em São Paulo, aos 87 anos, o matemático Alexandre Augusto Martins Rodrigues, Professor Titular junto ao Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), aposentado desde 2000. O professor Alexandre foi o primeiro bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, na época Conselho Nacional de Pesquisas) a se doutorar em Matemática no exterior.

Nasceu a 7 de setembro de 1930 em São Paulo e foi educado no Colégio Caetano de Campos e no Colégio Presidente Roosevelt. Em 1949 ingressou na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP. Graduou-se em 1952, tendo sido o único daquela turma. Doutorou-se em 1956 pela Universidade de Chicago sob a orientação de André Weil e Shiing-Shen Chern. De volta ao Brasil, lecionou na FFCL, na Universidade de Brasília e na Escola Politécnica da USP até, com a criação do IME em 1970, fixar-se definitivamente nesse instituto.

Nesse ínterim, atuou na área de geometria diferencial e foi pesquisador visitante em prestigiadas instituições de ensino superior nos Estados Unidos e na França, tais como Princeton, Columbia, Harvard, Yale e Grenoble, tendo trabalhado com Donald Spencer, Massataki Kuranishi, Jean-Louis Koszul e Charles Ehresmann.

Suas mais importantes contribuições situam-se na teoria dos pseudogrupos de Lie. Exerceu importante papel na difusão da matemática no Brasil. Participou da organização dos dois primeiros Colóquios de Matemática no Brasil em 1957 e Foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências em 1964. Orientou nove alunos de doutorado no Brasil, três na França e um na Venezuela. Acima de tudo, foi uma inspiração para quem o conheceu.

Para Einstein, o princípio criativo da física reside na matemática, parte 2

​Trabalhos publicados em 1905 por Albert Einstein e Henri Poincaré fundaram uma nova área da física, a teoria da relatividade restrita, que revolucionou profundamente os conceitos de espaço e de tempo. Mas a nova teoria veio com duas limitações graves.

Primeiramente, ela está baseada na ideia de que “as leis da física devem ser as mesmas para quaisquer observadores que estejam em movimento uniforme uns em relação aos outros”. Seria muito mais satisfatório ter uma formulação das leis da física válida para todos os observadores sem exceção, incluindo movimentos com aceleração.

Em segundo lugar, a teoria da relatividade restrita não se aplica a observadores sujeitos a atração gravitacional. Submetidos como estamos à atração da Terra, nós sentimos o nosso peso e vemos os objetos caírem à nossa volta. Isso é muito diferente da experiência de um astronauta no espaço, em gravitação zero.

Em 1907, Einstein teve o que chamou “o pensamento mais feliz de toda a minha vida”. “Estava trabalhando quando me ocorreu a seguinte ideia: uma pessoa em queda livre não sente o próprio peso”: a atração gravitacional é anulada pela aceleração do movimento de queda!

Einstein chamou essa ideia de “princípio de equivalência”. Hoje em dia ela é usada para simular situações de gravitação zero: astronautas treinam para operarem no espaço viajando em aviões que caem livremente durante alguns minutos. O físico Stephen Hawking, de quem falei aqui recentemente, fez questão de passar por essa experiência extraordinária, aos 65 anos de idade.

Nesse mesmo ano de 1907, Einstein publicou o trabalho “Sobre o princípio da relatividade e suas consequências”, em que esboçou a construção de uma “teoria da relatividade geral” baseada no princípio de equivalência e também explicou como ela poderia ser testada na prática.

Por exemplo, de acordo com os seus cálculos, raios de luz se curvam quando passam em um campo gravitacional. Essa previsão foi comprovada, de modo espetacular, pela observação do eclipse solar de 29 de maio de 1919, em Sobral (CE), que constituiu a primeira confirmação experimental da teoria relatividade geral.

Mas em 1907 o mais difícil ainda estava por vir: formular a teoria da gravitação de modo completamente covariante, isto é, realmente válida para todos os observadores sem exceção. Esse foi um episódio notável da história da ciência, em que matemática e física ao mesmo tempo competiram e colaboraram para chegar à solução do problema.

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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OBMEP 2018 bate recorde de escolas participantes

A 14ª edição da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) acaba de atingir um recorde histórico. Recém-encerradas, as inscrições na mais importante competição científica brasileira contabilizaram estudantes matriculados em 54.496 escolas. A quantidade supera as 53.231 instituições de ensino que inscreveram seus alunos em 2017.

A OBMEP deste ano terá 18.237.996 estudantes de escolas públicas e privadas de 99,44% dos municípios do Brasil. A quantidade de inscritos mantém o patamar do ano passado. A OBMEP é realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

“Estamos muito satisfeitos com as inscrições deste ano. Foram 54.496 escolas, recorde absoluto, número que deve ser comparado às 53.231 escolas inscritas em 2017 e às 47.474 em 2016, quando as escolas privadas ainda não participavam da olimpíada. Estamos presentes em quase todos os municípios do país, 5.539 dos 5.570. Com mais de 18 milhões de alunos participando da olimpíada este ano, temos certeza de que será mais um grande evento da Matemática no Brasil”, afirma o diretor-adjunto do IMPA, Claudio Landim.

As inscrições encerraram-se no dia 5 deste mês. As provas serão aplicadas em 5 de junho (1ª fase) e 15 de setembro (2ª fase). A divulgação dos vencedores está marcada para 21 de novembro. Premiados com medalha de ouro, prata ou bronze garantem o ingresso em programas de iniciação científica.

Criada em 2005, a OBMEP é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC).

A competição contribui para estimular o estudo da Matemática no Brasil, identificar jovens talentosos e promover a inclusão social pela difusão do conhecimento. Estudos independentes já revelaram o impacto efetivo da olimpíada nos resultados de Matemática. Escolas que participaram ativamente da competição, aponta trabalho do ex-presidente do INEP Chico Soares, apresentam melhora no desempenho dos alunos de 26 pontos na Prova Brasil, o equivalente a 1,5 ano de escolaridade extra.

 

Reprodução – IMPA

Marcelo Viana é homenageado no Maranhão

O Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema) concede nesta quarta-feira (18) o título de professor honorário ao diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana.

Ao receber a homenagem, Viana apresentará a palestra “Os desafios e conquistas da Matemática brasileira”, como parte do 3º Seminário de Estudos Avançados da Unidade Plena da Iema, no município maranhense de são José de Ribamar.

O diretor-geral do IMPA falará sobre a vivência na profissão e as conquistas e desafios da Matemática brasileira, em especial o ingresso do país no seleto Grupo Cinco da União Internacional da Matemática, integrado pelos dez países que mais se destacam na produção matemática mundial.

“O papel do Marcelo Viana foi fundamental para essas conquistas”, disse Jhonatan Almada, reitor do IEMA, para quem o momento é propício ao reforço dos laços de cooperação técnica entre os institutos.

Para o professor de Matemática Victor Eduardo, da Unidade Plena em São José de Ribamar, a presença de Viana incentivará o interesse de professores e alunos pela disciplina.

“As contribuições do matemático Marcelo Viana podem ajudar os estudantes a buscar seus próprios métodos de aprendizagem”, afirmou o professor.

Reprodução: IMPA

Submissão de trabalhos para o 23º SINAPE

O prazo de submissão de trabalhos para o 23º Simpósio Nacional de Probabilidade e Estatística foi prorrogado para o dia 30/04.

O Simpósio Nacional de Probabilidade e Estatística é a principal reunião científica da comunidade estatística brasileira, sendo organizado pela Associação Brasileira de Estatística (ABE). É um importante fórum para a difusão dos avanços da Estatística nas diversas áreas do conhecimento, além de ser um espaço de debates de políticas públicas para a Ciência e Tecnologia.

O 23º SINAPE ocorrerá no Hotel Fazenda Fonte Colina Verde, em São Pedro/SP, entre os dias 24 a 28 de setembro de 2018.

Para maiores informações acesse o site do evento: http://www.sinape2018.com.br/

Normas para submissão de trabalho: http://www.sinape2018.com.br/site/23sinape/normas-para-submissao

Brasil conquista quatro medalhas em olimpíada na Itália

A seleção brasileira feminina conquistou duas medalhas de prata e duas de bronzes na European Girls’ Mathematical Olympiad (EGMO), encerrada no sábado (14) em Florença (Itália). A equipe ficou no 13o lugar na classificação geral por países, subindo 13 posições em relação a 2017.

Com a colocação, a equipe feminina brasileira foi a que mais avançou no ranking, se tornando a segunda melhor colocada na América Latina, atrás apenas do México (7o lugar). Rússia, Estados Unidos e Reino Unido fecharam a olimpíada com os três primeiros lugares, respectivamente.

Ana Beatriz Cavalcante Pires de Castro Studart, de Fortaleza (CE), e Mariana Bigolin Groff, de Frederico Westphalen (RS), fizeram 25 pontos cada e conquistaram a prata. Mariana Quirino de Oliveira, de Brasília (DF), e Débora Tami Yamato, de São Paulo (SP), marcaram 17 pontos e ficaram com o bronze. O time foi liderado por Deborah Barbosa Alves, de São Paulo (SP), e vice-liderado por Luíze Mello D’ Urso Vianna, do Rio de Janeiro (RJ).

Como no ano passado, o time brasileiro foi financiado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). O apoio tem por objetivo incentivar cada vez mais a presença feminina na Ciência, especificamente na Matemática.

Esta foi a 7ª edição da competição, a segunda com a presença da equipe feminina brasileira. No ano passado, o Brasil ganhou duas medalhas de bronze e uma menção honrosa, ficando com a segunda melhor colocação da América Latina no ranking de equipes e a 26ª posição no quadro geral da EGMO. Para conferir a classificação geral, acesse o site da competição.

 

Reprodução: IMPA

Para Einstein, o princípio criativo da física reside na matemática

Em 1905, Albert Einstein (1879 – 1955) publicou sete trabalhos de pesquisa que entraram para a história da ciência. Um deles, intitulado “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, fundou a teoria da relatividade (restrita), que revolucionou o nosso entendimento sobre o espaço e o tempo.

Mas essa teoria não satisfez o grande físico alemão, porque não levava em conta o fenômeno da gravitação. Em trabalho publicado em 1907, Einstein identificou o que precisava ser feito para obter uma teoria mais abrangente, que chamou relatividade geral. Mas levou oito anos para completar a tarefa, o que só viria a acontecer ao final de 1915.

Por quê? O que aconteceu em todo esse tempo?

É um mito que Einstein tenha sido mau aluno em matemática. Na verdade, suas notas em álgebra e geometria eram até melhores do que em física.

Mas é fato que quando jovem ele não tinha muito apreço pela matemática. “Meu interesse pelo estudo da natureza era, sem dúvida, maior. E, quando eu era estudante, ainda não estava convencido de que o conhecimento aprofundado dos princípios básicos da física dependesse de métodos matemáticos sofisticados.”

Isso ele só foi entender e apreciar após anos de trabalho científico. “Claro que a experiência continua sendo o critério definitivo da utilidade de uma construção matemática. Mas o princípio criativo reside na matemática”, disse.

A revolução científica iniciada por Galileu Galilei (1564 – 1642) e Isaac Newton (1642 – 1726) fornecera uma descrição extraordinariamente precisa de muitos fenômenos na natureza. Mas, ao final do século 19, surgiu um desafio sério, lançado pela teoria da eletricidade e do magnetismo.

A formulação matemática dessa teoria, devida ao físico escocês James Clerk Maxwell (1831 – 1879), afirma que a velocidade da luz (no vazio) é sempre a mesma, cerca de 300 mil km por segundo.

Ora, de acordo com a física tradicional, quando um passageiro em um trem em movimento aponta uma lanterna para a frente, os raios de luz deveriam ter velocidade maior relativamente ao chão do que se a lanterna for apontada para trás, porque, no primeiro caso, a velocidade do trem é somada à velocidade da luz, enquanto no segundo ela é subtraída.

A diferença é pequena, comparada com a velocidade fenomenal da luz, mas ela pode ser medida, ainda mais se no lugar de um trem for usado um veículo mais rápido —por exemplo o planeta Terra.

Foi isso que fizeram em 1887 os físicos americanos Albert Michelson (1852 – 1931) e Edward Morley (1838 – 1923), cujo experimento deu razão a Maxwell: a velocidade da luz é exatamente a mesma nas duas direções!

Isso mostrou que a física de Galileu-Newton estava em desacordo com a realidade e precisava ser modificada. A nova teoria foi proposta, quase ao mesmo tempo, por Einstein e pelo matemático francês Henri Poincaré (1854 – 1912), cujo principal trabalho sobre este tema (“Sobre a Dinâmica do Elétron”) também foi publicado em 1905.

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Brasil disputa Olimpíada de meninas em Florença

A equipe brasileira de Matemática embarcou no domingo (8) para a Itália, onde participará da 7ª European Girls’ Mathematical Olympiad (EGMO). O time formado por Ana Beatriz Cavalcante Pires de Castro Studart, de Fortaleza (CE); Mariana Quirino de Oliveira, de Brasília (DF); Débora Tami Yamato, de São Paulo (SP); e Mariana Bigolin Groff, de Frederico Westphalen (RS), já está em Florença (Itália). A competição começou nesta segunda-feira (9) e vai até domingo (15).

As meninas do Brasil serão lideradas por Deborah Barbosa Alves, de São Paulo (SP), e vice-lideradas por Luíze Mello D’ Urso Vianna, do Rio de Janeiro (RJ). A participação da equipe feminina foi possível graças ao apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

A ascensão do Brasil à elite da Matemática mundial e o bom desempenho em outras competições matemáticas internacionais levaram o país a ser convidado a participar com uma equipe feminina na EGMO, no ano passado.

Em 2017, as competidoras brasileiras iniciaram a participação no torneio com o pé direito, conquistando duas medalhas de bronze e uma menção honrosa. A equipe ainda ficou com a segunda melhor colocação da América Latina no ranking de equipes e a 26ª posição no quadro geral da EGMO.

Reprodução: IMPA

Processo Seletivo – Mestrado em Matemática Aplicada – UNIFESP – São José dos Campos

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus São José dos Campos, está com inscrições abertas até 17/05/18 para o Processo Seletivo para o segundo semestre de 2018 para o curso de Mestrado em Matemática Aplicada.

O edital e formulário de inscrição encontram-se em:
http://www.unifesp.br/campus/sjc/processo-seletivo-posmat/aluno-regular.html

Ao final desta mensagem estão algumas informações importantes sobre nosso programa e a cidade de São José dos Campos.

O programa de Mestrado em Matemática da Unifesp é relativamente jovem e com grande potencial, com a grande maioria de seus professores formados em algumas das melhores universidades do país

A matemática está por trás do GPS e da navegação moderna

A posição de pessoas e objetos na superfície terrestre é dada por dois números, ambos medidos em graus. A latitude, que varia de 90° norte (no polo norte) a 90° graus sul (no polo sul), descreve a posição relativa ao equador. Já a longitude, que varia de 180° leste a 180° oeste, informa a posição em relação a um certo meridiano de referência.

A escolha desse meridiano é arbitrária. Atualmente usamos o do observatório de Greenwich, em Londres, mas a primeira pessoa que representou linhas de latitude e longitude em um mapa, o matemático e astrônomo greco-romano Ptolomeu (século 2°), preferia o meridiano das Ilhas Felizes, atual arquipélago da Madeira.

A latitude é fácil de calcular a partir da altura, com relação ao horizonte, de certas estrelas e constelações (estrela Polar, Cruzeiro do Sul) ou do próprio sol ao meio dia. Instrumentos de medição criados na antiguidade, tais como o astrolábio, foram aperfeiçoados pelos portugueses e outros navegadores, de tal forma que, ao final do século 16, o cálculo da longitude já tinha se tornado preciso e rotineiro.

A longitude é um problema muito mais delicado. Embora seja possível determiná-la a partir de fenômenos astronômicos, tais como os eclipses das luas de Júpiter, tais observações são muito difíceis sobre um navio em movimento. Assim, a longitude continuou sendo estimada no chute, com graves prejuízos para a navegação.

Claro que foram propostas muitas soluções, tão inovadoras quanto ineficazes. No livro “A ilha do dia anterior”, o escritor italiano Umberto Eco (1932 – 2016) descreve uma das mais criativas, e mais cruéis.

Um cachorro ferido era embarcado no navio. A faca que causara o ferimento ficava em terra e, todo dia ao meio dia, era colocada no fogo. De acordo com as teorias do diplomata inglês Sir Kenelm Digby (1603 – 1665), arma e ferida permaneciam ligadas por uma “simpatia”: o fogo na faca causaria instantaneamente uma dor horrível no cachorro, mesmo longe. Pelos ganidos do bicho, os tripulantes do navio saberiam que era meio-dia no porto de partida, e com essa informação ficaria fácil calcular a longitude da embarcação. Só não podia deixar que a ferida cicatrizasse, reavivando-a sempre que necessário. Pobres cachorros, vítimas das superstições de Sir Kenelm e seus seguidores…

 

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Abertas as inscrições para o nível universitário da OBM

Estão abertas as inscrições para os estudantes universitários na 40ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM 2018). Os interessados em participar do nível universitário poderão se inscrever até 26 de abril no site da competição (www.obm.org.br). As inscrições são gratuitas.

A competição no nível universitário continuará sendo realizada em duas fases. A prova inicial acontecerá em 4 de maio e também valerá como primeira fase do 8º Concurso Universitário de Matemática Galois Noether 2018. A segunda fase está marcada para os dias 13 e 14 de novembro, coincidindo com a prova dos níveis 1, 2 e 3. A divulgação do resultado será em dezembro.

Organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a OBM é uma competição estudantil que envolve alunos dos Ensinos Fundamental, Médio e Universitário de instituições públicas e privadas de todo o Brasil.

Para mais informações, confira o site: www.obm.org.br

Como Euler usou a matemática para resolver um problema de religião

Em 1776, o suíço Leonhard Euler aceitou o convite da tzarina (imperatriz) Catarina 2ª para regressar a São Petersburgo, capital do império russo, e assumir a cátedra de matemática na Academia Russa de Ciências. A proposta era irrecusável: um belo salário, pensão para a esposa e promessa de cargos importantes para os filhos.

Aos 69 anos de idade, apesar de praticamente cego, Euler mantinha toda a sua extraordinária potência intelectual e era reconhecido com um dos maiores cientistas do mundo. A sua obra ocupa mais de 60 volumes, o que faz dele o matemático mais prolífico da história.

Catarina, a Grande, como ficou conhecida, uma das monarcas mais notáveis da história, transformara a corte imperial russa em um brilhante centro cultural e intelectual, protegendo e atraindo a presença dos maiores cientistas, pensadores e artistas do seu tempo.

Entre eles, o filósofo e escritor francês Denis Diderot (1713 – 1784), que se notabilizou por ter idealizado e liderado o grande projeto da “Enciclopédia”, uma iniciativa ambiciosa para reunir e divulgar todo o conhecimento da época, tornando-o acessível a todos. A publicação da Enciclopédia na França, entre 1751 e 1772, foi uma das grandes realizações do Iluminismo.

Tendo tomado conhecimento de que Diderot estava passando por dificuldades financeiras, Catarina comprou a biblioteca dele e contratou-o como curador da mesma pelo resto de sua vida, com um bom salário. Inclusive, pagou 25 anos adiantados!

Embora detestasse viajar, o escritor se viu na obrigação de empreender a longa e perigosa viagem de Paris a São Petersburgo, para prestar homenagem a sua benfeitora. Passou cinco meses na capital russa, em 1773 – 1774, durante os quais teve encontros diários com a tzarina para discussões “de homem para homem”, segundo ele. Frequentemente, marcava seus argumentos dando palmadas nas pernas da rainha!
Em carta a uma amiga francesa, Catarina escreveu: “Esse Diderot é um homem extraordinário. Saio das nossas conversas com as coxas doloridas e roxas. Fui obrigada a colocar uma mesa entre nós dois, para proteger a mim e aos meus membros”.

Esta particularidade não diminuiu em nada a admiração da governante, que continuou protegendo o escritor até a sua morte em 1784, em Paris, aos 70 anos.

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Jacob Palis é Oficial da Legião da Honra da França

O pesquisador emérito e ex-diretor-geral do IMPA Jacob Palis foi promovido nesta segunda-feira (26) a Oficial da Legião da Honra, a mais alta distinção da França. Palis já havia sido nomeado em 2005 Cavaleiro da Legião da Honra, condecoração criada por Napoleão Bonaparte, em 1802. O legionário pode ser promovido a um grau superior se provar novos méritos, caso do matemático. A promoção é concedida pelo presidente da República da França, Emannuel Macron. Jacob Palis foi agraciado por sua trajetória como pesquisador e por sua fundamental participação na criação e manutenção dos laços acadêmicos entre Brasil e França.

Jacob Palis recebeu a condecoração das mãos do cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, Jean-Paul Guihaumé, em cerimônia na Academia Brasileira de Ciências (ABC), que presidiu por nove anos. O evento contou com a presença do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, do presidente da Academia Brasileira de Ciências e membro do Conselho de Administração do IMPA, Luiz Davidovitch, e do representante do Ministério da Ciência e Tecnologia Álvaro Prata, representando o ministro Gilberto Kassab.

“Jacob é um imenso brasileiro, grande amigo da Ciência, e fez uma verdadeira revolução na ABC. Por onde anda, moderniza, inova! Não tive a sorte de ser aluno do Jacob na matemática, até porque sou físico, mas ele foi meu mentor e tutor na ABC. Ele tem feito muito pelo Brasil, sempre realizando o ideal do cientista participante, preocupado com a sociedade, como um cidadão do mundo”, disse Davidovitch.

Segundo Marcelo Viana, “Jacob foi dez anos diretor do IMPA e quando ele saiu o IMPA era diferente”. Entre os muitos feitos, destacou a transformação do IMPA em uma Organização Social, na gestão de Jacob Palis. “Muito do que o instituto é capaz de fazer hoje, como a OBMEP – que tem 18 milhões de participantes -, seria inviável com um plano rígido. O Brasil chegou recentemente ao Grupo 5 da União Matemática Internacional, e a promoção teve muito a ver com o crescimento e reconhecimento do IMPA e da matemática brasileira a partir do Jacob, que também atuou muito internacionalmente. Ninguém chegou perto do Jacob!”, disse o diretor-geral do IMPA.

“Jacob teve um grande papel na construção da cooperação entre o Brasil e a França. Costurou e articulou acordo científico com a França na área de matemática que originou um intenso intercâmbio na matemática: é obra dele. Convenceu os governos do Brasil e da França a aceitar uma ação em um alto nível político internacional”, afirmou Viana.

“A República Francesa decidiu honrar este grande estudioso e pesquisador científico que prestou importantes contribuições no campo da matemática. Quando soube que Jacob Palis tem 246 netos e bisnetos e fiquei impressionado. Mas aí soube que são netos e bisnetos acadêmicos, entre os quais o franco-brasileiro Artur Avila, vencedor da Medalha Fields!”, afirmou o cônsul-geral da França no Rio, Guihaumé.

Emocionado, Jacob Palis agradeceu a honra e a presença da família e destacou a relevância da colaboração entre a França e o Brasil.

Reprodução: IMPA
https://impa.br/page-noticias/jacob-palis-e-oficial-da-legiao-da-honra-da-franca/

Grandes professores de matemática inspiram e moldam destinos

No dia 14 de março, o mundo perdeu um dos cientistas mais carismáticos dos últimos cem anos. Em uma fase do avanço da ciência em que é cada vez mais difícil realizar experimentos para testar as hipóteses da física, o britânico Stephen Hawking (1942-2018) tornou-se o maior expoente na aplicação da outra ferramenta de que dispomos para desvendar o Universo: a matemática.

Por meio de seu intelecto, Hawking e seus colaboradores descobriram fatos notáveis sobre fenômenos –tais como os buracos negros– que ainda nem sequer pudemos observar. Recordo a minha fascinação quando, nos tempos da faculdade, tomei conhecimento do “teorema da singularidade”, que Hawking provou juntamente com Roger Penrose (nascido em 1931): é a prova matemática de que pelo menos parte do Universo foi criada em algum momento, ela não pode ter existido desde sempre.

Mas Hawking não foi um talento nato, pelo contrário. Devido em parte ao progresso lento com a leitura e a escrita, ele teve dificuldades com a matemática na escola. Atribuía ao britânico de origem armênia Dikran Tahta (1928-2006),seu professor de matemática na adolescência, muito do mérito pela descoberta da vocação.

“A mente humana é incrível. Para atingir todo o seu potencial, precisa de uma faísca. A faísca do questionamento, da emoção, da paixão. Muitas vezes, ela vem de um professor. Dikran Tahta me mostrou como aproveitar minha energia e me encorajou a pensar criativamente sobre matemática. Ele me fez pensar. Ele me fez ser curioso. Ele abriu novos mundos para mim. Isso é o que um grande professor pode fazer”, declarou.

Como se cria um grande professor de matemática, e como incentivar cada vez mais o seu surgimento no nosso país?

Em visita recente ao Brasil, o diretor Andreas Schleicher da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi solicitado a opinar sobre os desafios e oportunidades da nossa educação. Schleicher coloca o professor no centro de suas respostas, ressaltando que tecnologia, diversidade e novos currículos tornaram o trabalho do docente “cem vezes mais difícil nos últimos dez ou 15 anos”.

“Ensinar fórmulas e equações é muito mais fácil do que ensinar o pensamento matemático. Pense nas demandas sociais colocadas sobre o professor. Não é apenas sobre como ensina, mas sobre quem ele é, como se relaciona com os estudantes e atende às necessidades de cada um. É como se ele tivesse que se tornar um assistente social ou um psicólogo”, pondera.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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IMPA lança pedra fundamental de seu novo campus na sexta

O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) lança às 11h desta sexta-feira (23) a pedra fundamental de seu novo campus, em terreno anexo à sede atual, no Horto Florestal, zona sul do Rio de Janeiro.

As obras deverão começar até outubro. A expansão do IMPA tem o custo orçado em R$ 100 milhões, financiados pelo governo federal por meio do Ministério da Educação. A previsão de término da construção é 2021.

O terreno, de 251.824,72m2, foi uma doação privada ao instituto. O escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados é o responsável pelo projeto de arquitetura, também financiado por doações particulares.

A área edificada terá 8.140,30m2 e inclui auditórios, gabinetes para pesquisadores e alunos, uma biblioteca, salas de aula e dormitórios.

O projeto arquitetônico da expansão do IMPA recebeu o prêmio de Reconhecimento 2017 da Fundação Lafarge Holcim de Arquitetura, pela minimização do impacto da obra no entorno florestal e urbano e pela modulação climática das edificações projetadas.

A cerimônia terá como convidados dirigentes das Associações de Moradores, representantes dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro, coordenadores e pesquisadores do IMPA e doadores privados.

Na ocasião, será descerrada uma placa alusiva ao lançamento da pedra fundamental. O endereço da solenidade é Rua Barão de Oliveira Castro, 60, Jardim Botânico, zona sul.

Serviço

Horário: 11h
Local: Rua Barão de Oliveira Castro, 60, Jardim Botânico, Rio de Janeiro (RJ)