1º Encontro do PROFMAT- UFCA

O 1º Encontro do PROFMAT- UFCA acontecerá no dia 27/11/2018 na Universidade Federal do Cariri, campus do Juazeiro do Norte, e contará com os palestrantes Prof. Dr. Hilário Alencar e Prof. Dr. Krerley Oliveira, ambos da Universidade Federal de Alagoas.
O evento ainda terá uma sessão técnica composta por ex-alunos do Profmat que já defenderam suas dissertações contando um pouco de suas experiências e como o Profmat refletiu em suas vidas.

A inscrição é gratuita e irá até dia 27/11.

Mais informações em https://www.even3.com.br/iencontroprofmatufca

Maior de todos os cientistas, Newton não foi um grande ser humano

Anos atrás foi moda publicar livros com listas das “100 pessoas mais importantes” ou “mais influentes” de todos os tempos. Ultimamente não tenho visto, mas basta uma busca rápida na internet para ver que a mania não passou. Em geral, os primeiros lugares são ocupados pelos fundadores das grandes religiões: Moisés, Cristo, Buda e Maomé. Em seguida vem um cientista: Isaac Newton.

Nascido em 1642 e falecido em 1726, pelo calendário juliano então vigente, de Newton foi dito que “fez avançar todas as áreas da matemática que existiam”. Sua maior obra, “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, publicada em 1687, lançou as bases de uma nova concepção do mundo, científica e racional. Um mundo cujo dia a dia não precisa ser gerido pela divindade, pois está perfeitamente determinado por leis matemáticas.

Não que Newton partilhasse dessa visão. Religioso, acreditava que o universo necessita intervenção divina regular para permanecer estável. Teria ficado chocado se ouvisse um de seus maiores seguidores, o francês Pierre-Simon Laplace (1749-1827), responder “Não precisei dessa hipótese” quando Napoleão Bonaparte questionou por que seu “Tratado de Mecânica Celeste” não mencionava Deus.

Newton foi uma figura paradoxal em mais do que um aspecto: o maior cientista de todos os tempos esteve longe de ser um grande ser humano.

Descobriu o cálculo matemático, extraordinária ferramenta a serviço da ciência. Mas demorou três décadas para publicar, deixando que o alemão Gottfried Leibnitz (1646-1716) se antecipasse.

O motivo da demora é controverso. Newton teria buscado evitar polêmicas, segundo os defensores. Estava escondendo o jogo, para colher sozinho os frutos do novo método, afirmam os detratores.

Seja como for, a disputa sobre a prioridade da descoberta explodiu e envenenou as vidas dos dois. Quando a Real Sociedade Britânica decidiu estudar a questão, Newton, que a presidia, manobrou para a conclusão lhe ser favorável. Ele mesmo escreveu o relatório final, declarando que Leibnitz era uma fraude.

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Cientistas mulheres pedem inclusão de período de licença-maternidade no currículo Lattes

Cientistas argumentam que meses após o parto têm menor fluxo de publicações e acabam perdendo competitividade frente a pesquisadores homens.

Um grupo de pesquisadoras enviou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) uma carta com diferentes reivindicações para trazer mais igualdade de acesso e concorrência das mulheres às bolsas e financiamentos científicos no Brasil. Um dos pedidos é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes, uma forma de sinalizar um possível “buraco” na produção durante o período pós-parto e evitar qualquer comparação injusta com os homens cientistas em processos seletivos.

O documento foi assinado pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, que chamou a atenção dos colegas ao colocar a seguinte frase no Lattes: “Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência”.

A pesquisadora faz parte de um grupo de mulheres cientistas que está tentando chamar a atenção para uma queda iminente na produção científica durante o período de licença-maternidade – e como isso pode influenciar negativamente na carreira de pesquisadoras.

Eloah Rabello Suarez fez pós-doutorado na Universidade Harvard. Pesquisa uma das áreas mais promissoras no tratamento de câncer no mundo: a terapia genética. Isso não foi o suficiente porque ela tem um “buraco” na publicação de artigos científicos. Essa queda na produção coincide com outra parte importante de sua vida: ela é mãe de primeira viagem e, para os órgãos de financiamento de projetos, o tempo em que não produziu para cuidar do bebê interfere na hora de concorrer com outros pesquisadores, mesmo que sejam homens.

Pamela, a pesquisadora que chamou a atenção por colocar sua licença no Lattes, acabou sendo modelo para outras cientistas. Elas viraram um grupo que passou a acrescentar o período de licença-maternidade no currículo Lattes – a primeira tentativa de sinalizar para órgãos de financiamento porque há uma queda nas publicações por seis meses.

Em palestra sobre o assunto em setembro deste ano, Pamela lembra outros dados do IBGE de 2017 sobre as horas de trabalho doméstico de homens e mulheres no Brasil. Independente da renda e da idade, as mulheres cuidam mais da casa que os companheiros, pais, irmãos. São tarefas como cozinhar, lavar, cuidar das roupas, limpar, fazer compras. Quando a renda não chega a R$ 1 mil, elas chegam a trabalhar mais de 10 horas por dia.

E com a chegada da maternidade, manter a rotina científica fica ainda mais difícil.

Pesquisa inédita

Uma pesquisa inédita, ainda com resultados preliminares, analisou o impacto da maternidade na produção de mães cientistas: 81% delas dizem que ter um filho causa um impacto negativo ou muito negativo na carreira acadêmica.

O estudo brasileiro foi liderado pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, que apresentou dados preliminares em um simpósio no início do ano e, mais recentemente, no evento anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe). Ela chamou o projeto de “Parent in Science”.

Outro dado apresentado por Fernanda é o de que 54% das mães cientistas são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos. Em 34% dos casos, os dois pais cuidam. Foram 1.299 docentes mulheres entrevistadas, 141 docentes de pós-graduação, 21 pós-doutorandas e 88 pais (maridos/companheiros de cientistas mulheres).

 

A reportagem foi publicada no G1 (globo.com). A Sociedade Brasileira de Matemática apoiou a iniciativa assinando a carta enviada ao CNPq. 

Link da reportagem: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/11/13/cientistas-mulheres-pedem-inclusao-de-periodo-de-licenca-maternidade-no-curriculo-lattes.ghtml

A matemática, que nada sabe de observação

O filósofo Auguste Comte (1798-1857), fundador do Positivismo, acreditava que a ciência é a “investigação da realidade”. E colocava a matemática no topo: “É pelo estudo da matemática, e somente por esse meio, que se pode formar uma ideia correta e aprofundada do que se entende por ciência”.

Esse ponto de vista, que faz do método matemático o modelo e objetivo de toda investigação científica, é recebido de modo distinto por cientistas. Matemáticos tendem a repeti-lo sempre que possível (como acabo de fazer); colegas de outras áreas têm menor entusiasmo.

Um dos críticos mais ferozes foi o biólogo Thomas H. Huxley (1825-1895), autodidata e debatedor temível. Tendo aderido às ideias de Charles Darwin (1809-1882) sobre a evolução, defendeu-as com tanto vigor e paixão que acabou conhecido como o “buldogue de Darwin”.

Os dois naturalistas também tinham em comum o fato de saberem quase nada de matemática. Enquanto Darwin lamentava a ignorância (“Lamento não ter avançado o suficiente para entender os grandes princípios da matemática, pois pessoas com esse conhecimento parecem possuir um sentido extra”), Huxley se irritava com menções à disciplina que não dominava.

Seu ataque a Comte foi demolidor. Em artigo na revista Fortnightly Reviews, Huxley apresentou uma visão caricatural: “O matemático começa com algumas afirmações tão óbvias que são chamadas autoevidentes, e o resto do trabalho consiste em deduções sutis a partir delas”. E ridicularizou Comte: “Quer dizer que o único estudo que pode dar ‘uma ideia correta e aprofundada do que se entende por ciência’ é justamente esse (a matemática) que não sabe nada sobre observação, experimentação, indução ou causalidade?”.

A refutação a Huxley ficou a cargo do matemático inglês James J. Sylvester (1814-1897), em palestra em 1869 perante a Sociedade Britânica para o Progresso da Ciência. Sylvester começou por afirmar a admiração por Huxley, o qual “se tivesse dedicado seus extraordinários poderes de raciocínio à matemática, teria se tornado tão grande como matemático quanto é como biólogo”. Mas pessoas inteligentes também erram ao falar do que não entendem, continuou. Sobre o artigo de Huxley, intitulado “Notas de um discurso após o jantar”, ponderou, com ironia, que talvez tivesse sido mais prudente fazer o discurso antes da refeição…

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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I Encontro Paranaense do PROFMAT

I ENCONTRO PARANAENSE DO PROFMAT é o primeiro de uma série e tem por intuito consolidar, integrar e divulgar os projetos mantidos em cada programa junto ao público alvo: discentes do PROFMAT e do curso de graduação em Matemática/licenciatura e áreas afins, professores de Matemática e alunos da Educação.
O evento é promovido pelas seguintes Instituições Associadas ao PROFMAT do Estado do Paraná :

Universidade Estadual de Londrina – UEL (sede)
Universidade Estadual de Maringá – UEM
Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG
Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE (campus Cascavel)
Universidade Federal do Paraná – UFPR
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR (campi Cornélio Procópio, Curitiba, Toledo e Pato Branco)

O encontro busca criar um espaço de reflexão sobre a formação do profissional em ensino, levar ao estudante, professor de matemática da Educação Básica, uma gama de propostas e possibilidades didático/pedagógicas que possam impactar e colaborar com seu trabalho na sala de aula, trazendo desta forma, melhorias na qualidade do ensino.

Nesta edição o evento será sediado na Universidade Estadual de Londrina , porém, é um evento itinerante e contínuo, isto é, ocorrerá a cada ano, revezando a sede numa das instituições associadas do PROFMAT no Estado do Paraná.

Mais informações em http://twixar.me/Zvl3

Olimpíada de matemática das escolas públicas abre as portas aos pequenos

Nesta terça (30), pela primeira vez, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) passou a ser oferecida a crianças do 4º e 5º anos do ensino fundamental: é a Obmep nível A. É mais uma importante etapa no esforço para ampliar e aprofundar cada vez mais o papel da Olimpíada no universo escolar.

A Obmep é realizada pelo Impa desde a sua criação, em 2005, com alunos do 6º ano do ensino fundamental ao final do ensino médio. Maior competição escolar do mundo, congrega anualmente 18,2 milhões de alunos, de 55 mil escolas em quase todos os municípios brasileiros. É organizada em duas fases e em três níveis, dependendo do ano de escolaridade.

Anualmente, 6.500 estudantes são distinguidos com medalhas de ouro, prata e bronze, e mais 46.000 recebem menções honrosas. Os medalhistas também ganham o direito de aprofundar seus estudos de matemática com bolsa de iniciação científica júnior em uma universidade pública, sob a orientação de um professor universitário.

Ao longo destes anos, a Obmep se consolidou como uma política pública com resultados positivos amplamente comprovados, tanto na identificação de jovens talentosos quanto no incentivo à aprendizagem da matemática. Uma das avaliações mais recentes do impacto da Obmep na sala de aula, realizado pela pesquisadora Diana Moreira na Universidade Harvard, aponta que bons resultados na olimpíada se traduzem em melhora do desempenho escolar, não só do vencedor como de todos os seus colegas de turma.

Ainda mais recentemente, estudo de 2018 do Ministério do Desenvolvimento Social comprova que a Olimpíada desempenha importante papel social, abrindo portas e oportunidades para jovens oriundos dos estratos mais desfavorecidos.

Apesar do êxito já alcançado, a Obmep continua a mudar para ampliar ainda mais seu escopo e seu impacto. Em 2017, pela primeira vez, foi aberta também a alunos de todas as escolas: em 2018, participaram mais de 5.500 escolas particulares, ao mesmo tempo em que o número de públicas bateu recorde pelo segundo ano consecutivo.

 

 

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Conjectura abc causa discussão no reino da matemática

Um dos problemas mais famosos e importantes da matemática se encontra numa situação estranha: a solução existe, mas ela é tão longa e abstrata que ninguém sabe dizer se está correta.

Não é incomum que problemas matemáticos tenham soluções difíceis. A prova da conjectura de Poincaré, de G. Perelman, em 2003, demorou alguns anos para ser entendida e aceita, e o mesmo aconteceu com a prova do teorema de Fermat, do britânico A. Wiles, em 1993. E a prova do teorema das quatro cores, que usa computador, até hoje não tem uma versão que possa ser entendida integralmente por um humano. Mas a situação atual da “conjectura abc” é ainda pior.

onsidere números inteiros positivos a, b e c que não tenham fatores comuns e tais que a+b=c. Por exemplo, 8+25=33 (9+12=21 está excluído porque os três números são divisíveis por 3). Multiplique todos os fatores primos dos números a, b e c. No exemplo, eles são 2, 5, 3 e 11, e o produto é 330. A conjectura abc afirma que esse produto é sempre bem maior que o número c, exceto possivelmente num número finito de casos.

A conjectura foi mencionada pela primeira vez em 1985 pelo francês J. Oeseterlé, num caso particular que logo foi generalizado pelo britânico D. Masser. Alguns anos depois, o norte-americano N. Elkies observou que a solução dessa conjectura avançaria muitíssimo a teoria das equações com números inteiros, iniciada pelo matemático helenístico Diofanto no século 3. O alemão G. Faltings, que ganhou a Medalha Fields em 1986 por trabalhos nesta área, explica: “Se abc for verdade, não saberemos apenas quantas soluções uma equação tem, nós poderemos listá-las.”

O problema é que ninguém tinha ideia de como atacar o problema. Pelo menos até 30 de agosto de 2012, quando o japonês S. Mochizuki postou na internet quatro trabalhos (mais de 500 páginas!) que conteriam uma solução.

 

 

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Governo condecora 85 profissionais da ciência, tecnologia e inovação

Como homenagem ao campo da ciência e tecnologia, personalidades, pesquisadores, professores e outros promotores do conhecimento que se destacaram em sua atuação profissional receberam nesta quarta-feira (17) medalhas de Ordem Nacional do Mérito Científico e Tecnológico.

Realizada no Palácio do Planalto, a cerimônia condecorou 85 pessoas como o presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Paolo Piccione, o engenheiro químico Pedro Wongtschowski, o cineasta João Moreira Salles, o biomédico José Nelson Onuchic, entre outros. A homenagem abrangeu profissionais de áreas como matemática, biologia, saúde, ciências sociais, entre outros setores do conhecimento.

A lista completa dos agraciados foi divulgada no dia 02 de agosto pela Academia Brasileira de Ciências: http://www.abc.org.br/2018/08/02/lista-de-novos-agraciados-da-onmc-e-divulgada/

 

Professor, escultor de almas e destinos

Recebi relatos emocionantes, plenos de admiração e apreço pelo conhecimento e orientação.

Meses atrás, pedi aos leitores que me enviassem histórias de seus professores de matemática e de como eles influenciaram suas vidas. Recebi relatos emocionantes, plenos de admiração e apreço pelo conhecimento e orientação – e também um ou outro que revelam a falta que faz um bom mestre. Partilho alguns desses relatos na semana em que celebramos o Dia do Professor.

Cesar fez direito na USP. No ensino médio, em Barra Bonita (SP), conheceu o professor de matemática que marcou sua vida: Adevaldo Colonize. De origem humilde, dedicara sua vida ao sonho de lecionar. “Era uma pessoa elétrica, contagiava todos os alunos da sala.

Durante as aulas de matemática, ele criava caráter”, conta. Morto em 2017, Adevaldo permanece vivo no pupilo. “Meu destino mudou, passei acreditar em fazer uma grande universidade. E o que veio depois foi devido ao seu incentivo, ao seu exemplo”, afirma Cesar.

Já a profissional de comunicação Maria (nome trocado a pedido) contou uma história bem diferente. Foi boa aluna em matemática até concluir o ensino fundamental. Mas, no ensino médio, teve um professor que “era muito gente boa, mas tinha sérios problemas de didática”. No lugar de questioná-lo, foi “levando, porque achava que não ia precisar disso mesmo”.

Como consequência, desenvolveu ansiedade à matemática: não consegue lidar com números e outros conceitos da matemática e da lógica – e algumas colegas suas relatam as mesmas dificuldades. Ao contrário do que imaginava, hoje sente muita falta desses conhecimentos em sua profissão.

Perguntou se, aos 50 anos de idade, ainda é possível recuperar o que perdeu. Recomendei a Academia Khan, plataforma gratuita na internet que apresenta a matemática a crianças e adultos em formatos acessíveis e instigantes. Ficou encantada!

A história de Jefferson, 51, resume a transformação que um professor especial é capaz de provocar. No primário, “era um aluno ruim, desinteressado”. Ao chegar ao atual 6º ano, na Escola Básica Professor Balduíno Cardoso, em Porto União (SC), conheceu uma professora com “fama de brava”: Dona Maria José Martins, de quem seria aluno de 1978 a 1981.

 

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1º Workshop do Mestrado Profissional em Matemática da Universidade Federal de São João Del Rei

Estão abertas as inscrições para o 1º Workshop do Mestrado Profissional em Matemática da Universidade Federal de São João Del Rei (I WPROFMAT/UFSJ). O evento é promovido pelos Departamento de Matemática e Estatística (DEMAT/Campus Santo Antônio) e do Departamento de Física e Matemática (DEFIM/Campus Alto Paraopeba) da UFSJ.
O workshop visa promover uma cooperação entre o PROFMAT da instituição com os demais polos regiões através de trocas de experiências dos polos do programa. A programação contará com palestras, minicursos, apresentações de trabalhos de conclusão de curso do PROFMAT, sessão de pôsteres e mesa redonda.

II Encontro do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional do Piaui

Estão abertas as inscrições para o II Encontro do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT) do Piauí. O evento é destinado a profissionais e estudantes de matemática e áreas afins, com a colaboração das Coordenações dos Mestrados da UFPI (Universidade Federal do Piauí) e IFPI (Instituto Federal do Piauí). O encontro será realizado no período de 15 a 17 de novembro de 2018, no campus da Universidade Estadual em Parnaíba (PI).

As inscrições podem ser feitas no período entre 04 de outubro até 05 de novembro, através do link: http://sistemas2.uespi.br/profmatpi2018 . O encontro é promovido pela Coordenação do PROFMAT da UESPI e tem a estimativa de reunir 200 participantes, e contará com a presença do Coordenador Nacional do Programa e de representantes da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Com o objetivo de aprimorar conhecimentos e despertar o interesse pela pesquisa, o evento vai propiciar um ambiente em que estudantes, pesquisadores e educadores possam falar sobre suas experiências, descobertas e inovações. Além disso, complementar as atividades extras currículares; oferecer atividades de caráter acadêmico e formação continuada.

Segundo o organizador do evento e Pró-reitor de Ensino e Graduação, Pedro Soares Júnior, o evento discutirá os impactos do PROFMAT na educação básica. “Serão ofertados minicursos, oficinas, vamos ter também espaço para apresentação de trabalhos. Os alunos que estão fazendo o curso vão apresentar seus projetos, quem já terminou apresentará sua dissertação”, disse o Pró-reitor.

Mais detalhes, acessar: http://sistemas2.uespi.br/profmatpi2018

 

IMPA completa 66 anos de existência e de sucesso

Se fosse uma pessoa, o IMPA estaria vivendo o que chamam de “melhor idade”. E é bem assim mesmo. Com planos e sonhos, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada comemora, neste 15 de outubro de 2018, seu 66º aniversário.

O IMPA foi criado em 1952 pelos matemáticos pioneiros Lélio Gama (1892-1981), Leopoldo Nachbin (1922-1993) e Maurício Peixoto (1921). É possível que, na ocasião, quase ninguém imaginasse que, em pouco mais de seis décadas, a instituição se tornaria um dos principais centros mundiais de estudo e pesquisa da Matemática.

Hoje, o IMPA tem reconhecimento e prestígio internacionais. Formou um Medalha Fields (2014) – o pesquisador extraordinário Artur Avila – e abriga em seu quadro matemáticos premiados, como o pesquisador emérito Jacob Palis e o diretor-geral, Marcelo Viana, entre muitos outros.

A organização em 2017 da Olimpíada Internacional de Matemática no Rio de Janeiro (IMO), o ingresso do Brasil no G5 – grupo de elite da Matemática mundial – e a realização do primeiro Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) no Hemisfério Sul (ambos em 2018) são feitos memoráveis na história do IMPA.

Outra realização grandiosa é a OBMEP, que leva o ensino da Matemática a todos os Estados brasileiros, de forma simples e desafiadora. São 18,2 milhões de crianças e adolescentes que, por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, acessam um espaço novo de aprendizado, em que o conhecimento matemático se manifesta de maneira agradável, animada, prazerosa.

Vale citar, ainda, a Lei 13.358/2016, que instituiu o Biênio da Matemática Gomes de Sousa 2017-2018. Além da IMO e do ICM, o Biênio propiciou a montagem do Festival da Matemática, que, em 2017, organizou mais de 20 oficinas em seus polos de atividades para as crianças e suas famílias.

Diálogo fora da academia

Para o pesquisador Emanuel Carneiro, o IMPA “é um patrimônio da comunidade matemática brasileira e da América Latina” e seu impacto no cenário internacional se deve “às ações que nunca se sobrepõem às outras, mas que se adicionam às novas vertentes na atuação do instituto”.

Carneiro afirmou que uns dos principais méritos do instituto é a atuação externa, em busca de diálogo não apenas com o meio acadêmico, mas com a sociedade brasileira.

“O novo site, com uma vertente de comunicação mais ampla; o canal no YouTube, cada vez mais popular, oferecendo eventos para crianças e universitários; a organização da IMO, do ICM e do Festival da Matemática vão se somando à perspectiva do novo campus, que representa uma nova etapa na história do IMPA, a de ampliar ainda mais esse impacto e essa relação com a sociedade”, disse o matemático.

O doutorando Sandoel de Brito Vieira é exemplo do sucesso do intercâmbio da academia com a sociedade proporcionado pelo IMPA. Destaque na OBMEP na cidade de Cocal dos Alves (PI), ele é aluno da pós-graduação do instituto.

“É memorável e nobre que, completando 66 anos, o IMPA tenha durante toda sua existência mantido o vigor em apresentar qualidade e compromisso com o trabalho que executa em prol da Matemática brasileira. O instituto, além de manter o zelo pela pesquisa de ponta, tem sido responsável por formar um bom número de profissionais que vêm ajudando a disseminar a Matemática pelo país e pelo mundo. Poder fazer parte da instituição, como aluno, é um grande privilégio, que tenho a sorte e o prazer de aproveitar”, afirmou o estudante.

De olho no futuro, o diretor-adjunto, Claudio Landim, afirma que “a direção do IMPA tem o enorme desafio de manter nos próximos anos a qualidade científica da instituição em meio a um ambiente adverso”.

Fonte: IMPA

Números de Fibonacci estão por toda a parte

Era adolescente quando li pela primeira vez sobre Fibonacci. Num livro ilustrado que explicava que esses números têm a ver com criação de coelhos e, incrivelmente, afirmava que eles regem o crescimento das folhas em torno do caule das plantas. Desde então, aprendi muito mais sobre esses números mágicos, mas nada apagou a fascinação da primeira leitura.

Leonardo Pisano, que seria alcunhado Fibonacci muito depois de sua morte, nasceu em 1170 na próspera cidade de Pisa (foi contemporâneo do início da construção da famosa torra inclinada). Filho de comerciante, interessou-se pelos métodos de cálculo de seus conterrâneos.

Em 1202, publicou “Liber abaci” (Livro do ábaco), o mais importante livro de matemática escrito no ocidente em um milênio. Nele, apresentou à Europa muito do conhecimento adquirido com matemáticos árabes e judeus, com destaque para o sistema hindu (decimal) de numeração, que usamos até hoje.

Mas o que fez Fibonacci famoso, mais do que qualquer outra coisa, foi um pequeno exercício que incluiu no capítulo XII do “Liber Abaci”: “Um homem colocou um casal de coelhos num recinto fechado. Quantos casais serão produzidos em um ano, se supusermos que cada casal gera outro por mês a partir de seu segundo mês de vida?”

Representando por Fn o número de casais de coelhos no n-ésimo mês, temos que F1=F2=1 (é o casal inicial, que ainda não se tornou reprodutivo) e a partir daí Fn=Fn-1+Fn-2 : os casais no n-ésimo mês são aqueles que já existiam no mês anterior mais os filhos daqueles que têm dois ou mais meses de idade. Desta forma F3=2, F4=3, F5=5, F6=8, F7=13 etc

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Nota de Falecimento: Prof Severino Cirino

O Profº Severino Cirino de Lima Neto, do Colegiado de Engenharia Mecânica da Univasf, faleceu ontem (7/10), em João Pessoa (PB). O velório do professor Cirino acontece na R. Luzia Pedrosa, 1.095, bairro Cristo Redentor, e o sepultamento será hoje (8), às 14h, no Parque das Acácias, no José Américo, em João Pessoa (PB).

Severino Cirino era matemático, tinha mestrado em Física e doutorado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Na Univasf, foi coordenador do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), do Núcleo de Pesquisas e Ensino de Matemática (Nupemat) e do projeto de extensão “Descobrindo Talentos em Matemática”, que nos últimos anos revelou muitos jovens com aptidão para a matemática.

Cirino também foi coordenador da Região PE-02 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Entusiasta do ensino de matemática, o docente acompanhou de perto a premiação de dezenas de estudantes de cidades da região de Petrolina que foram medalhistas na OBMEP. O projeto de extensão “Descobrindo Talentos em Matemática”, que ofertava oficinas gratuitas da disciplina para estudantes de escolas públicas, também contribuiu para os bons resultados alcançados pelos jovens da região na OBMEP.

TWAS

A TWAS – The World Academy of Sciences for the advancement of science in developing countries acaba de anunciar o nome da Prof. Dra. Jaqueline Godoy de Mesquita como nova membra afiliada da organização. A TWAS é a mais proeminente academia de ciências do mundo dedicada à promoção da ciência, com mais de 1.100 membros representando o melhor da ciência nos países em desenvolvimento, incluindo 15 ganhadores do Prêmio Nobel.

A Prof. Dra. Jaqueline Godoy de Mesquita é atualmente professora do Departamento de Matemática da Universidade de Brasilia na área de Análise Matemática e secretária regional da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) da região Centro-Oeste e Minas Gerais.

A crise dos fundamentos da matemática

No início do século 20, a matemática atravessava uma crise grave. No século anterior, a disciplina tivera um desenvolvimento extraordinário, tornara-se mais poderosa e mais abstrata. Era necessário organizar e apoiar esse conhecimento em bases sólidas e garantir que não continha contradições.

Um bom modelo de organização já havia sido inventado na antiguidade, pelo matemático helenístico Euclides. Em seu tratado “Elementos”, formulou cinco afirmações que considerava intuitivamente evidentes —os axiomas— e mostrou como as demais afirmações da geometria plana podem ser deduzidas dessas por meio de raciocínios rigorosos.

Os trabalhos de Gauss, Bolyai, Lobachevsky e Riemann, todos no século 19, questionaram a natureza dos axiomas de Euclides e levaram à descoberta das geometrias não-euclidianas.

Mas isso não pusera em causa a utilidade do método axiomático, apenas mostrara que axiomas não são verdadeiros ou falsos, em algum sentido físico, são apenas pontos de partida convenientes para desenvolver a teoria matemática.

Ainda no século 19, Dedekind e Peano mostraram que o método axiomático também pode ser aplicado à aritmética. Ao final desse século, Cantor desenvolveu a teoria dos conjuntos, que parecia ser a melhor fundação para toda a matemática.

 

Leia na íntegra: Coluna Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

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Congresso Pan-Amazônico de Matemática (COPAM)

O Congresso Pan-Amazônico de Matemática (COPAM) é um congresso internacional que tem como principal objetivo congregar os professores e estudantes de Matemática das instituições de ensino superior sediadas na Amazônia Internacional, para que sejam criadas condições para a realização de ações integradas na pesquisa, no ensino e na extensão nessas instituições.

O evento será realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2018 na Universidade federal do Pará – UFPA, em Belém do Pará

Para maiores informações acesse o site do evento: www.copam.ufpa.br

 

 

Nota de apoio à UFRJ

A Sociedade Brasileira de Matemática – SBM manifesta seu apoio à Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição com reconhecimentos internacionais, capaz de assegurar um padrão de qualidade de ensino e pesquisa conforme todos os melhores indicadores, prestando contas à sociedade brasileira, contribuindo, principalmente, com o avanço das pesquisas em todas as áreas do conhecimento.
https://ufrj.br/noticia/2018/09/19/resposta-ao-jornal-o-globo