Número pi parece esquisitão, mas é fonte inesgotável de maravilhas

O famoso físico Stephen Hawking conta em um dos seus livros um conselho que recebeu do editor: “Nunca use fórmulas matemáticas! A cada fórmula, o número de leitores (e de compradores) do livro cai pela metade!”

Fosse porque desejava se comunicar com muitos leitores ou porque não queria arriscar sua renda, Hawking seguiu à risca a dica recebida. Mas hoje acordei com vontade de falar sobre o misterioso número π. Espero que os leitores pouco familiarizados com o tema se sintam intrigados e não intimidados.

Todos nós fomos apresentados ao π na escola, mas acredito que para muitos isso tenha sido mais motivo de desconforto que de encantamento. Para a maioria, fica apenas a impressão de que se trata de um esquisitão, “um número que não acaba nunca”. É pena, porque o π é realmente uma fonte inesgotável de maravilhas.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Biênio da Matemática joga foco no ensino da disciplina que é grande desafio para o país

Em 2017 e 2018, Brasil sediará grandes eventos como a Olimpíada Internacional da Matemática (IMO 2017) e o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018)

Em março de 2010, Hilário Alencar, já presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), reuniu-se com o então presidente da Capes, Jorge Guimarães, e com Marcelo Viana, atual diretor-geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). Em certo momento, Guimarães disparou: “Não entendo como a matemática brasileira tem altíssimo nível, prêmios, excelentes matemáticos e grande inserção internacional, mas uma educação básica tão deficiente”. E arrematou: “Por que vocês não fazem nada pela educação básica?”.

A provocação fez com que os professores se mexessem, liderando esforços para melhorar não só o ensino, mas a imagem da disciplina entre alunos, professores, famílias e na sociedade. Em 2011, foi lançada a primeira turma do mestrado profissional em matemática (ProfMat), sob a batuta da SBM, que já coordenava com o IMPA, desde 2005, a Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (Obmet). Em novembro de 2016, o Congresso Nacional proclamou por lei o “Biê­nio da Matemática 2017-2018 Gomes de Sousa”, com uma série de eventos programados para popularizar a matemática, formar e aperfeiçoar professores e incentivar o estudo da disciplina (Leia mais ao fim da reportagem).

Essas iniciativas têm buscado superar um dos calcanhares de aquiles da educação nacional: a má aprendizagem em matemática. Os resultados dos estudantes brasileiros caminham a passos lentos no Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes). Em 2012, último ano em que a prova teve ênfase em matemática, apenas 1% dos alunos brasileiros alcançou notas acima de 5 na escala que vai de “menor de 1” a “6”. Menos de 4% dos estudantes brasileiros têm nota igual ou superior a 4, resultado adequado para o exercício de profissões tecnológicas e científicas.

Gargalos do médio

Marcelo Viana enumera as razões desse quadro que considera “desolador” em artigo no prelo que analisa desafios e iniciativas para o ensino médio: formação deficiente dos professores; desprestígio da carreira do docente; inexistência de incentivos ao mérito; problemas na infraestrutura e na gestão escolar; currículos maldefinidos; práticas educativas arcaicas; livros didáticos de baixa qualidade; prevalência de interesses setoriais sobre o ensino de qualidade; e a disparidade de condições socioeconômicas entre as regiões do país. Leticia Rangel, doutora em formação docente pela UFRJ e professora do Colégio de Aplicação da universidade, resume o consenso na comunidade dos matemáticos: “Os problemas no ensino de matemática não estão descolados dos problemas na educação como um todo, mas a condição necessária para mudar essa realidade é a formação do professor”.

Inúmeras pesquisas, de fato, mostram que a peça-chave na qualidade da educação é a formação dos professores. Cydara Ripoll, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ressalta a importância da formação continuada e destaca o caso do Japão, onde os docentes passam por cursos durante toda a carreira. “Os quatro anos de uma licenciatura não dão conta de preencher lacunas que os estudantes trazem, ensinar conteúdos mais aprofundados que permitam conexões entre os diversos campos da área e ainda discutir como e o que ensinar na escola”, diz. Cydara, entretanto, ressalva que muitos professores ainda não reconhecem essa necessidade e que as secretarias de Educação muitas vezes não os liberam para simpósios de formação ou oferecem cursos demasiadamente focados em literatura da área de pedagogia, sem resultados diretos para a sala de aula.

Mas nem tudo é choro e ranger de dentes. Letícia Rangel destaca que um caminho já foi trilhado na última década. Aos poucos, na visão da pesquisadora, a sociedade tem tomado consciência da atua­ção do professor em termos de carreira e compreendido que é preciso melhorar a formação, as condições de trabalho e os incentivos. “Ser professor não é sacerdócio. Não basta ‘ter jeito’ para ensinar. Essa compreensão apareceu pela primeira vez no ‘modelo 3+1’, que tinha três anos de conteúdo e um ano de complementação pedagógica. Esse modelo está superado na maioria das universidades do país, o que é mais um reconhecimento da especificidade da formação do professor, porque mesmo quem sabe fazer matemática ainda não sabe ensinar matemática”, afirma. Um dos problemas, porém, é que o Brasil não tem ainda um modelo de formação de professores, como o Japão. A SBM tem grupos de trabalho sobre o assunto, mas as iniciativas ainda são incipientes.

Entre as políticas públicas relevantes, a professora destaca o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e a criação dos Institutos Federais. O Parfor, de 2009, é um programa emergencial cujo objetivo é fomentar a oferta de educação superior gratuita para os professores da rede pública. Quando foi criado, cerca de 1/3 desses professores não tinham sequer graduação e outro terço tinha graduação em áreas distintas daquelas em que lecionavam. Desde 2009, 34.549 se formaram pelo programa, e outros 42.035 professores o estão cursando. De acordo com dados do Censo Escolar de 2016, 74% das classes de matemática no Brasil têm professores com formação e complementação pedagógica na área, mas 24% delas ainda não têm professores com formação específica. Dessas, 6% são ministradas por professores sem curso superior.

O Pibid, criado em 2007, oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de licenciatura das instituições de ensino superior. Os bolsistas desenvolvem atividades em escolas públicas, a fim de melhorar sua qualificação inicial como professores da educação básica. Por fim, a criação e a expansão da rede de Institutos Federais de Educação, desde 2008, lograram interiorizar os cursos de licenciatura no Brasil.

Outro problema é o fosso entre o ensino superior e a educação básica, que se reflete na distância entre os matemáticos da elite de pesquisa e a grande massa de estudantes da educação básica. Para Marcelo Viana, esse fosso começou a ser superado com a criação da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) em 2005, que teve mais de 10 milhões de alunos de 93,5% dos municípios brasileiros inscritos. Em 2016, foram quase 18 milhões de estudantes de 99,5% dos municípios do país. Em 2014, foi lançado o “Portal da Matemática da Obmep”, que oferece material didático online e gratuito para alunos de todas as séries dos ensinos fundamental e médio.

O estudo “Impacto da Olimpía­da Brasileira de Escolas Públicas no Desempenho de Matemática na Prova Brasil, Enem e Pisa”, publicado em 2014 pelas pesquisadoras Camila Soares e Elisabette Leo, sob supervisão de José Francisco Soares, confirmou o que outros estudos já haviam mostrado: escolas públicas que têm um bom histórico de envolvimento com a Obmep apresentam resultados melhores na Prova Brasil. O resultado se repete em relação ao Enem e ao Pisa, embora seja estatisticamente menor. Para Marcelo Viana, o mecanismo pedagógico que explica a correlação passa pela indução da capacitação e da motivação de alunos e professores. As escolas participantes se empenham na divulgação e no treinamento dos estudantes e são comuns os casos em que os próprios alunos organizam grupos de estudo para a Obmep. “Sempre ouvimos a crítica de que as olimpíadas fomentam a competição no ambiente escolar, mas, pela nossa experiência, o que se tem fomentado é a cooperação entre os alunos”, diz Viana.

Filhotes da Obmep

Um dos rebentos da Obmep é o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC-Obmep), com bolsas para alunos do ensino básico, além de os colocar em contato com professores qualificados que orientam seus estudos em matemática. Os alunos podem frequentar grupos do estudo do PIC Presencial, se houver um polo em sua região, ou participar das aulas virtuais. Os veteranos do PIC podem ter acesso ao programa Mentores Obmep, que conta com uma plataforma própria para cursos ministrados por professores universitários. Além disso, os graduandos em matemática que sejam medalhistas na Obmep ou na OBM, ou graduan­dos em geral que tenham pelo menos quatro medalhas, podem pleitear bolsa de iniciação científica no Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME), oferecido pela Capes e CNPq. Desde 2009, o programa soma 2.820 bolsas de iniciação científica, 172 bolsas de mestrado e, desde 2013, 44 bolsas de doutorado.

A partir de 2017, a Obmep será integrada à Olimpíada Brasileira de Matemática, que existe desde a década de 1970, e as escolas particulares poderão se inscrever na competição. O número de medalhas reservadas aos alunos de escolas públicas continua o mesmo e os estudantes de escolas particulares serão premiados também. Os 300 mais bem colocados em cada nível, os medalhistas de 2016 e os mais bem classificados nas olimpíadas regionais serão chamados a se inscrever na fase única da OBM, que terá premiação própria e selecionará os representantes brasileiros nas olimpíadas internacionais.

Formar o formador

O envolvimento do ensino superior com a educação básica aprofundou-se, na visão de Hilário Alencar e Marcelo Viana, a partir de 2011, com a criação do mestrado profissional em matemática, o ProfMat, no âmbito da Universidade Aberta do Brasil (UAB). O ProfMat é um mestrado stricto sensu coordenado pela SBM e oferecido em 96 polos universitários espalhados por todos os estados brasileiros. O programa foi o primeiro dos mestrados em rede no país e faz parte dos esforços do governo federal para aumentar o número de docentes pós-graduados na educação básica. “Com o ProfMat, tivemos o começo de um diálogo com a educação básica, mas não tem sido fácil. Os professores do básico não estão habituados a serem chamados a opinar, porque ninguém costuma pedir a opinião deles”, diz Viana. O programa já pós-graduou quase 3 mil docentes.

Além de aparar as arestas da formação deficiente de muitos professores e aprofundar os conteúdos ensinados na educação básica, os professores que passam pelo ProfMat acabam se envolvendo mais com a Obmep. Apesar de ainda não existir uma avaliação de impacto abrangente do ProfMat sobre o segmento dos alunos, Viana lembra que os estudos já publicados sobre a Obmep mostram que estudantes de professores que passaram pelo ProfMat têm o desempenho, em média, duas vezes melhor na olimpíada.

Apesar dos resultados ainda ruins na comparação com os paí­ses da OCDE, o Brasil assistiu à emergência de políticas públicas para enfrentar suas deficiências. Os próprios relatórios do Pisa, por exemplo, reconhecem que o Brasil aumentou a inclusão de jovens na escola e, ao mesmo tempo, aumentou a média de matemática nos testes, o que nos torna o país que mais melhorou em seus resultados médios. Mas o caminho ainda é longo. “Existe hoje um problema que é a formação dos formadores: quem está habilitado a formar o professor? Podemos romper esse círculo vicioso investindo na pós-graduação, pesquisando, discutindo e elucidando as questões próprias dessa formação, mas essas ações só podem frutificar no longo prazo”, completa Letícia Rangel.

Olimpíada e Congresso

A Lei 13.358 de novembro de 2016 proclamou os anos de 2017 e 2018 como o “Biênio da Matemática Gomes de Sousa”, em homenagem à Olimpíada Internacional de Matemática de 2017 e ao Congresso Internacional de Matemáticos de 2018, que ocorrerão no Brasil. É a primeira vez que o Congresso acontece no hemisfério Sul. A ideia é aproveitar os esforços e os custos de organizar os dois eventos para promover uma aproximação da matemática com a sociedade e deixar um legado positivo para o país.

O desafio das entidades que apoiam o evento, entre as quais o IMPA e a SBM, é tornar o Biênio uma realidade. Entre dezenas de eventos já programados, estão a Bienal da Matemática, de 23 e 30 de abril, o Festival da Matemática, de 27 e 30 de abril, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, de 23 a 29 de outubro, com programação especial voltada à matemática, além da Olimpíada Internacional de Matemática, de 12 a 23 de julho, e do Congresso Internacional de Matemáticos, de 1º a 9 de agosto de 2018. “O Biênio pretende mudar a visão negativa que a sociedade tem da matemática. Isso começa por fazer as pessoas não se sentirem mal com a matemática, o que não é um pequeno passo”, comenta Marcelo Viana.

Por meio do site do evento, qualquer escola ou instituição pode submeter a análise uma proposta para fazer parte do calendário oficial do Biênio.

Fonte: Revista Educação
Link da noticia: http://www.revistaeducacao.com.br/bienio-da-matematica-joga-foco-no-ensino-da-disciplina-que-e-grande-desafio-para-o-pais/

Um projeto para fazer alunos campeões

Branquinha fica na região da mata alagoana, a 60 km de Maceió. Tem 13 mil habitantes e muitos problemas. No IDH do Censo 2010, ficou em 5.490º entre os 5.570 municípios brasileiros (96º entre 102 de Alagoas). Nesse mesmo ano, a enchente do rio Mundaú varreu a cidade do mapa: 90% dos prédios destruídos.

Ouvi falar do local por causa do Profmat (Mestrado Profissional em Matemática). É o maior mestrado do Brasil, formado por uma rede de mais de 70 universidades e institutos que atua em todos os Estados e é coordenada pela Sociedade Brasileira de Matemática. Seus alunos são majoritariamente professores de matemática na rede pública. Classificado com a nota máxima da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), já formou mais de 3.000 mestres desde 2011.

O Profmat também é um instrumento para conhecermos melhor a nossa educação, permitindo contato com realidades de todo o país. Aceitei com prazer o convite do professor Amauri Barros, da Universidade Federal de Alagoas, para participar da banca de mestrado do seu orientando, Cícero Rufino de Goes, da rede municipal de Branquinha.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Pai de armas infernais e gênio matemático: redescubra Arquimedes

Faz quase 200 anos que a pequena cidade de Roma iniciou a caminhada histórica que vai transformá-la em senhora do mundo. Conquistando gradualmente os vizinhos, por meio de diplomacia, força, astúcia e, mais ainda, sua inquebrável tenacidade, a jovem república já anexou praticamente toda a península itálica. Os romanos vencem, quase sempre. Eles também perdem, por vezes. E até levam desaforo para casa.

Mas os romanos sempre voltam para dar o troco, com juros.

A marcha já os levou ao encontro de seu maior inimigo, a poderosa cidade africana de Cartago, fundada por colonos fenícios. Roma venceu a primeira rodada, com dificuldade, mas o conflito não está resolvido. E agora, neste ano de 212 a.C. trava-se mais uma batalha crucial nesta guerra que vai mudar a face da História. A pólis grega independente de Siracusa, na Sicília, havia sido importante aliada de Cartago, depois de Roma. Quando os siracusanos ameaçam voltar ao partido de Cartago, Roma não hesita: um poderoso exército é enviado, sob o comando do cônsul Marcus Claudius Marcellus, para atacar por terra e por mar. Siracusa é poderosa, com fortes muralhas e um exército experiente. A conquista nunca seria fácil, nem mesmo para a implacável legião romana.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Quando um planeta foi descoberto na ponta de uma caneta

O movimento dos astros nos céus é um dos enigmas mais antigos e intrigantes na história da humanidade. Mesopotâmicos, egípcios, chineses, persas, gregos, maias, todas as grandes civilizações do passado buscaram dar um sentido a esse movimento, entender e prever a evolução do firmamento. Quase sempre apelando para a religião e o misticismo, na falta de outros instrumentos.

Na Idade Média europeia, as esporádicas visitas de cometas eram vistas como prenúncio de desgraças. Com o Renascimento, vem um passo fundamental: o abandono da hipótese geocêntrica –a ideia de que os corpos celestes giram em torno da Terra– em proveito da heliocêntrica, que afirma que os planetas, incluindo a Terra, giram em torno do Sol. Não que a segunda fosse mais correta que a primeira (não é!): mas torna as equações dos movimentos celestes mais simples e, por isso, mais transparentes para serem entendidas. Assim, a contribuição de Nicolau Copérnico, Giordano Bruno e Galileo Galilei não é tanto a de descobrir “a verdade” e sim a de facilitar o caminho para uma melhor compreensão do universo.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Cultura Matemática no Brasil: diagnósticos e perspectivas

O Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat) promove o encontro “Cultura Matemática no Brasil: diagnósticos e perspectivas”, em 16 de maio. O evento tem apoio Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP).

O encontro, a ser realizado no Auditório da FEUSP, é composto de duas sessões. O auditório é localizado na Avenida da Universidade, 308, Cidade Universitária, São Paulo-SP.

Das 15h às 17h30, ocorre a mesa-redonda “Diagnósticos sobre a situação da cultura matemática no Brasil: o que dizem as avaliações”, com moderação de Fernando J. da Paixão, coordenador de difusão do CEPID NeuroMat. A sessão conta com intervenções de Esther Carvalhaes (OCDE), Claudio Landim (OBMEP/IMPA), Nancy Lopes (UNICAMP/FAPESP/NeuroMat) e Ocimar Alavarse (FEUSP).

Das 18h às 20h30, ocorre a mesa-redonda “Impacto das avaliações nas políticas públicas e na formação de professores”, com moderação da pesquisadora do CEPID NeuroMat Martha Maradino e debate entre Otavio Helene (USP), Hilário Alencar (UFAL/SBM/PROFMAT) e Manuel Oriosvaldo (FEUSP).

O evento é livre. Interessados em receber um certificado de participação, podem inscrever-se no site oficial do evento na FEUSP: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=3156

Para maiores informações acesse: http://neuromat.numec.prp.usp.br/cmb

SBPC divulga nota sobre a reforma do Ensino Médio

Em documento divulgado nesta quarta-feira, a SBPC solicita aos secretários de Educação de Estados e Municípios e ao Ministério da Educação “que orientem seus sistemas educativos para que TODAS as escolas de Ensino Médio tenham a oferta de TODOS os componentes curriculares que integram a Base Nacional Comum Curricular, e que permitam aprofundamentos nas áreas que a compõem”

A SBPC divulgou uma nota pública nesta quarta-feira, 22, manifestando sua preocupação com as consequências das mudanças no Ensino Médio pela aprovação da Lei 13.414, sancionada no dia 16 de fevereiro de 2016. Segundo a SBPC, é preocupante que a Lei faculte aos sistemas de ensino ofertarem um ou mais de um dos itinerários formativos, sem que todos os componentes curriculares sejam oferecidos em uma dada escola, município ou região.

“Não podemos aceitar que a referida reforma suprima o acesso dos jovens ao conhecimento humano, organizado no campo das ciências naturais, das ciências humanas e das artes”, argumenta a SBPC na nota.

O documento foi enviado ao ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, aos secretários de educação de todos os estados e do Distrito Federal, ao secretário de educação básica do MEC, Rossieli Soares da Silva, e à secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro.

Na nota, a SBPC solicita aos secretários de Educação de Estados e Municípios e ao Ministério da Educação “que orientem seus sistemas educativos para que TODAS as escolas de Ensino Médio tenham a oferta de TODOS os componentes curriculares que integram a Base Nacional Comum Curricular, e que permitam aprofundamentos nas áreas que a compõem”.

A nota está disponível no link: https://drive.google.com/file/d/0B-h7ieF7jdYXT3hzOWlTdTFxWUU/view

Para ler a noticia original acesse o site da SBPC: http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=5952

ABC e SBPC divulgam nota contra exoneração de presidente da CNEN

A ABC e a SBPC emitiram notal oficial manifestando sua posição contrária à exoneração de Renato Machado Cotta da presidência da CNEN. O Governo Federal ordenou o afastamento após Cotta se recusar a nomear para os cargos de Presidente e Diretores da NUCLEP pessoas que não preenchiam os requisitos técnicos necessários. As organizações enfatizam no texto a necessidade de que cargos que exigem competência técnica e científica sejam ocupados por pessoas devidamente qualificadas para tal. Confira a carta na íntegra no site da Academia Brasileira de Ciências: http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=8400

Descobertas matemáticas nas praias do Rio

Quando o matemático americano Steve Smale comprou um iate, nos anos 1980, seu primeiro passeio não foi uma volta perto de casa, em Los Angeles, para ganhar traquejo. Saiu em um cruzeiro de milhares de milhas até o Pacífico Sul, na companhia de dois amigos, um deles o saudoso Welington de Melo. De volta à Califórnia, vendeu o iate e nunca mais velejou: o que mais se pode fazer depois de cruzar o maior oceano do planeta?

Esse é também o jeito como Smale faz matemática: visa o grande objetivo, prova o teorema (quase sempre) e passa para outro tema, bem diferente. Desta forma, já deu contribuições importantíssimas em topologia, sistemas dinâmicos, economia matemática, análise global, mecânica, teoria dos circuitos elétricos, programação matemática e teoria da computação.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Oferta de cursos de mestrado profissional na educação quintuplicou entre 2012 e 2016

Maior aproximação entre teoria e prática tem favorecido escolha para aperfeiçoamento da formação de gestores educacionais e professores

A Escola Estadual Ayres de Moura, na zona oeste de São Paulo, substituiu as tradicionais reuniões de pais e mestres por assembleias participativas que têm atraído cada vez mais gente. Em vez das habituais acusações de indisciplina contra os alunos, criou-se um espaço para compartilhar a gestão escolar. A iniciativa partiu do diretor Daniel Quaresma, professor de história da rede pública desde 1988 e no comando da escola há quatro anos. Em 2013, ele assumiu o desafio de organizar a unidade como escola de ensino integral em meio a alunos ociosos e professores sem direcionamento. As assembleias são parte do seu esforço de gestão. “O papel do gestor é fundamental: você acolhe o professor, o aluno, a família, discute a escola e decide verbas. Isso reforça o papel social da comunidade e do aluno”, salienta.

A ideia de procurar uma pós-graduação surgiu também em 2013, quando Quaresma percebeu que podia ir além das diretrizes estaduais no cotidiano escolar. Os programas de mestrado acadêmico não chamavam sua atenção. Aí veio a descoberta do mestrado profissional. Munido de uma bolsa da Secretaria Estadual de Educação, num financiamento atualmente suspenso, ingressou no programa “Educação: Formação de Formadores” da PUC/SP, inaugurado naquele ano. O curso permitiu aprofundar as práticas de gestão escolar, dando ênfase ao diá-
logo com a comunidade. Quaresma lembra de uma oficina de teatro que montou durante o programa, com seus mais de 30 colegas. A iniciativa foi fundamental para mostrar-lhe, na prática, como envolver os participantes de reuniões e assembleias nas discussões. A experiência compartilhada entre os colegas, todos vindos do chão de escola, ajudou a introduzir essas práticas durante os dois anos de mestrado profissional. A possibilidade de discutir textos e possíveis soluções na área, conjugada ao viés prático dos programas, é um aspecto positivo destacado por aqueles que cursaram a modalidade.

Outro ponto positivo ressaltado pelos egressos dessa variante do mestrado é o ganho na autonomia em pesquisa para a resolução de problemas práticos. Com Quaresma não foi diferente. O segredo para resolver o problema da indisciplina na escola foi a união entre pesquisa e diálogo. Ele relembra o caso do aluno Eduardo, que mostrou um comportamento bastante violento já em seu segundo dia na escola. Conversando com os pais do garoto, descobriu que o aluno tinha sido diagnosticado com Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo. Os pais já haviam tentado matricular o filho em escolas particulares, mas ele não se adaptara a nenhuma delas. O diretor reuniu os professores da escola em uma força-tarefa para conhecer as formas de lidar com esse tipo de aluno e mobilizou toda a escola para acolhê-lo. Meses depois, Eduardo, já não mais violento, chegou a inscrever um projeto de clube juvenil de informática na escola. “Buscamos as ferramentas corretas para trabalhar com esse aluno. A verdadeira pedagogia da presença é a mobilização de todos os professores para a compreensão da situação do aluno. A indisciplina foi resolvida quando ele percebeu isso e passou a ficar mais calmo”, avalia.

Quaresma aproveitou a expe­riência em pesquisa também para desenvolver essa habilidade entre os alunos. Enquanto fazia o mestrado, mobilizou 78 alunos da escola para pesquisarem problemas do bairro e as informações coletadas, desde a falta de médicos nos postos de saúde até a falta de segurança para pegar ônibus, foram organizadas em planilhas de acordo com a natureza dos problemas. Em seguida, os estudantes voltaram às ruas para pesquisar no bairro sugestões de soluções entre os moradores por meio de entrevistas. Elegeram, então, as prioridades e sugeriram caminhos para resolver essas questões, encaminhadas pelo diretor a vereadores, cujos nomes foram levantados pelos próprios alunos. Estes se dispuseram a discutir a viabilidade das propostas junto aos canais competentes. “Estamos buscando expandir a verdadeira função da escola”, completa Quaresma.

Caráter prático

O mestrado profissional tem surgido como uma solução viável, na visão de muitos profissionais da área e professores universitários, para resolver problemas crônicos da educação brasileira. O primeiro programa de mestrado profissional na área de educação foi instituído pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2010. Atualmente, são 44 programas e mais cinco já aprovados pela Capes.
Bernardo Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), único conceito 5 da Capes entre os mestrados profissionais em educação, sintetiza os esforços na área: “Temos como desafio não só enriquecer a experiência pessoal dos educadores, o que é importante, mas buscar soluções para problemas concretos da educação básica”, diz. Remi Castioni, da Universidade de Brasília (UnB), relata que o curso sob sua responsabilidade surgiu de uma demanda do MEC de capacitar técnicos da área, mas tem procurado redirecionar sua abrangência para a educação básica como um todo. “Há um arsenal de possibilidades nessa área. Temos uma enorme base de dados com a qual ainda não sabemos lidar. Nossos programas de educação desconhecem o que acontece mundo afora”, avalia.

A principal diferença entre mestrados acadêmicos e profissionais é o trabalho de conclusão do curso. Enquanto os programas acadêmicos requerem uma dissertação e a capacitação em pesquisa para o doutorado, os profissionais têm flexibilidade para exigir uma ampla gama de propostas que vão desde análises de uma situação prática e propostas de intervenção na forma de dissertação, até a formulação de sequências didáticas e materiais como blogs, vídeos, peças de teatro, roteiros de museus e softwares para computadores e celulares. Muitos programas têm investido nesses trabalhos, os “produtos”, que, além de dialogarem diretamente com a prática do campo, podem gerar patentes para o país, embora quase todos ainda requeiram dissertações que expliquem a gênese desses produtos e uma avaliação de sua aplicação.

A ênfase nos produtos decorre dos objetivos. De acordo com a Capes, “os mestrados profissionais têm especial importância para o ensino básico tendo em vista que focam a relação teoria e prática, ou seja, são uma oportunidade de oferecer à sociedade os conhecimentos desenvolvidos nas instituições de ensino superior”. Marcus Guelpeli, coordenador do programa da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), ressalta que existe muito preconceito contra os trabalhos de conclusão dos mestrados profissionais na forma de produtos, em razão de seu desconhecimento na comunidade acadêmica. “Há muita controvérsia, ainda não há uma direção sobre se geramos um produto ou uma dissertação”, avalia.

O programa da PUC-SP, por exemplo, escolheu adotar como trabalho de conclusão uma dissertação articulada à prática profissional. A professora Marli André, em artigo no prelo sobre a experiência do curso entre 2013 e 2016, vê como positivos os resultados dessa escolha, que congrega pesquisa e prática. “A análise dos 44 trabalhos defendidos até junho de 2016 evidenciou que 42 tiveram interlocução direta com a educação básica e dois dirigiram-se indiretamente à educação básica, na medida em que investigaram a formação inicial de professores no curso de pedagogia. Pôde-se observar que, de forma geral, os objetos de pesquisa estavam centrados na atividade profissional dos autores”, escreve, concluindo que os objetivos do programa vêm sendo atingidos.

A capacitação prática de professores, com temas que vão desde currículo e docência, até educação sexual e tecnologia, são o maior foco dos programas. A gestão escolar e a capacitação de diretores, coordenadores, supervisores de ensino e técnicos administrativos também estão ganhando espaço. O programa da UFJF, além de ser o primeiro da área, inovou com uma proposta de capacitação para diretores. Segundo a coordenadora, Eliane Medeiros Borges, o programa inscreve-se nas políticas que visam estabelecer “padrões de desempenho para diretores de unidades de ensino, base para a implantação de programas de avaliação da gestão escolar e de certificação profissional”.

Além da UFJF, já oferecem mestrados profissionais voltados à gestão escolar a PUC-SP, a Universidade Estadual da Bahia (Uneb), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Federal de Santa Maria (RS), a Unisinos (RS), a Uniara (SP), a Unicid (SP), o Ceeteps (SP) e a Uninove (SP). Marli André destaca que os mestrados em gestão suprem uma lacuna grave na capacitação de gestores, pois a formação em pedagogia é muito ampla e inespecífica. “A gestão pedagógica trabalha em vários ramos: planejamento das atividades da escola, elaboração do projeto político-pedagógico, acompanhamento dessas atividades, avaliação dessas atividades, orientação dos professores e busca de recursos para a escola.” O programa da PUC-SP tem dado bastante ênfase no trabalho com as avaliações externas das escolas, cujo manejo adequado é uma carência crônica no Brasil. “Queremos que o gestor conheça o potencial da avaliação para utilizá-la em favor da melhoria da escola. Muitos gestores nos dizem que recebem esses resultados e não sabem bem como trabalhar com eles”, completa.

O programa da Unisinos também tem se dedicado a atender às crescentes demandas específicas da gestão. Segundo Flávia Obino Werle, responsável pelo curso, “a gestão abrange diferentes âmbitos profissionais, sejam espaços colegiados, de representação, departamentos, superintendências, delegacias, secretarias e ambientes executivos na área de educação e afins, bem como outras áreas de atuação na sociedade, em redes, sistemas, espaços empresariais e diferentes ambientes que envolvam formação de pessoas”. Com isso, busca-se atender ao setor público e privado, às ONGs, ao Sistema S e aos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia.

Mestrados profissionais em Rede

No tocante à formação docente, o maior número de egressos sai dos programas de mestrados profissionais em rede, modalidade stricto sensu introduzida pela Capes desde 2011. Atualmente, há cinco desses mestrados cujo objetivo é a capacitação de professores da educação básica: o ProfMat, o ProFis, o ProfLetras, o ProfHistória e o ProfArtes. Todos têm subsídios da Capes, embora, nos últimos anos, o contingenciamento de recursos tenha limitado as bolsas. Esses programas estruturam-se a partir da coordenação de uma instituição nacional e da colaboração de polos espalhados por todo o Brasil. O ingresso e o currículo são unificados em todo o país, mas as disciplinas são ministradas presencialmente pelos professores das universidades parceiras. Alguns contam com materiais e fóruns on-line.

O primeiro mestrado profissional em rede surgiu na área de matemática, em 2011, com o ProfMat, nota 5 na área de concentração de matemática, que já pós-graduou mais de 2.800 professores. Em 2013, surgiu o ProFis, na área de astronomia e física. Os programas são coordenados, respectivamente, pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pela Sociedade Brasileira de Física (SBF). Também em 2013 surgiu o ProfLetras, coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em 2014, foi a vez do ProfHistória, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do ProfArtes, cuja coordenação é da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Hilário Alencar, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do ProfMat, enfatiza que o foco do programa é atender o professor que já está lecionando. “Algumas pessoas reclamam que é um mestrado conteudista, sem disciplinas pedagógicas, mas é essa a demanda da educação básica. Se você não tem conhecimento de logaritmo, por exemplo, deve passar a conhecer antes de ensinar”, diz. Iramaia de Paulo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e membro da Comissão de Pós-Graduação do ProFis, ressalta a necessidade da retomada dos conteúdos de física em um nível mais aprofundado e destaca uma externalidade positiva da iniciativa: “A grande maioria dos professores do nosso quadro é oriunda da física teórica ou experimental, que não tem formação em ensino e que agora está se predispondo a adquirir uma cultura de ensino de física. Isso tem acarretado uma mudança do ensino nas graduações de física, a reavaliação da graduação de física e a superação da distância entre o ensino superior e o básico”, afirma.

O ProfMat tem gerado resultados parecidos. Vanderlei Horita, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) há 20 anos, sempre faz pesquisa de ponta na área desde que se doutorou no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). Seu envolvimento no ProfMat, no polo da Unesp de São José do Rio Preto, começou a despertá-lo para as necessidades do ensino básico. Ele ressalta que a maior parte dos mestrandos do programa vem de universidades privadas que não oferecem formação adequada. “No tocante ao ensino, porém, preciso confessar que aprendo muito mais com os alunos do que eles comigo”, destaca. Essa aproximação com a sala de aula levou vários de seus colegas a se interessar pela área de educação e aproveitarem a experiência prática dos mestrandos, a partir dos exemplos, na licenciatura em matemática da Unesp.

Os maus resultados crônicos dos alunos brasileiros na área de matemática e os problemas da educação também têm levado Horita a pensar em soluções, postas em prática pelos produtos dos mestrados do ProfMat. “Tenho insistido muito no desenvolvimento de sequências didáticas”, conta. Para isso, o professor e os estudantes têm pensado em como despertar o interesse pela matemática em crianças e jovens. Como eles têm facilidade em usar redes sociais e aparelhos eletrônicos, o professor tem buscado maneiras de usar essa tecnologia para o aprendizado. “Outra estratégia é tratar de assuntos que os interessem: o que significa um código de barras, que veem o tempo todo no supermercado, como um GPS funciona, como funciona o sistema de busca do Google, tudo isso tem a ver com matemática”, completa.

Fonte: Revista Educação
Autor: Ruben Barros
Link da noticia original: http://www.revistaeducacao.com.br/oferta-de-cursos-de-mestrado-profissional-na-educacao-quintuplicou-entre-2012-e-2016/

ICMT / 2017

A II Conferência Internacional em Pesquisa e Desenvolvimento de Livros Didáticos de Matemática será realizada na UFRJ e na UNIRIO de 07 a 11 de maio de 2017. Durante a conferência, serão oferecidas oficinas especialmente dirigidas a professores que ensinam matemática na educação básica, conforme a programação em anexo.

As inscrições devem ser feitas por meio do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdxS-owG2O5kFvSdB7uWS5NbU3e6d_He8yVpGKYxHy8FZQFkA/viewform

Para participar das oficinas, é necessário estar inscrito no evento, ou, opcionalmente pagar uma taxa de R$ 100,00, exclusivamente para participação nas oficinas. O boleto para pagamento da taxa deve ser gerado no site do evento: http://www.sbm.org.br/icmt2/br/registration/.

Para maiores informações acesse o site do evento: http://www.sbm.org.br/icmt2/br/

Meninas podem ser o que quiserem, inclusive matemáticas

Fiz o pós-doutoramento em Princeton (EUA) nos anos 1990. Na época, professoras de matemática em uma universidade desse nível eram novidade e raridade. Perguntei à respeitada Alice Chang se ela já havia se sentido discriminada na carreira por ser mulher. Um colega se antecipou e respondeu por ela: “Quando discutíamos a possibilidade de contratar a Alice, vários colegas disseram: ‘Se vamos ter mesmo que aturar uma mulher aqui, então que seja ela’.”

Emmy Noether (1882-1935), a mulher que foi um dos matemáticos mais notáveis do século 20, enfrentou muita dificuldade para conseguir um emprego na universidade. Só conseguiu porque tinha um padrinho influente, o grande matemático David Hilbert, também alemão. Ela foi, em 1932, a primeira mulher a dar uma palestra plenária (principal) no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM). O ICM acontece a cada quatro anos e cerca de vinte matemáticos recebem essa distinção em cada edição – a próxima será em 2018, no Rio de Janeiro.

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

Quanto vale a matemática para o Brasil?

Napoleão Bonaparte, profundamente interessado por ciência, escreveu que “o avanço e a perfeição da matemática estão intimamente ligados à prosperidade do Estado”. Com essa visão, o imperador comandou a construção do Estado francês moderno, após a Revolução de 1789, dotando o país com instituições científicas e universidades que contribuem para a grandeza e a prosperidade da França até os dias de hoje.

A matemática tem valores que não podem ser quantificados. Ao lado da correta fluência da língua materna, o conhecimento das ideias básicas da matemática é condição-chave para a realização da cidadania. O encanto de observá-la explicar os mistérios do Universo, o entusiasmo das crianças resolvendo problemas das olimpíadas escolares, a imagem do brasileiro Artur Avila ganhando a Medalha Fields 2014 –maior prêmio da matemática mundial–, nada disso tem preço.

 

Leia na íntegra: Colunista Marcelo Viana – Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo  não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

 

Prêmio SBM – 2017

Foi estendido até 15 de março o prazo para apresentação de candidaturas ao Prêmio Sociedade Brasileira de Matemática, o qual distinguirá (com R$20 mil reais e uma placa comemorativa) o melhor artigo de pesquisa em Matemática publicado em 2014-2017 por pesquisador trabalhando no Brasil e que tenha terminado o seu doutorado do ano 2002 para cá.

As candidaturas devem ser submetidas por e-mail, para o endereço premioSBM@sbm.org.br

Em todos os casos haverá confirmação de recebimento: caso já tenha submetido uma proposta e não tenha recebido a confirmação, favor entrar em contato com a secretaria da SBM, pelo e-mail secretaria@sbm.org.br ou pelo telefone (21) 2529 5065.

Para mais informações sobre o Prêmio, inclusive como apresentar uma candidatura, acesse: http://www.sbm.org.br/premio-sbm

Nota de Falecimento – Jorge Tulio Mujica Ascui (1946-2017)

É com profundo pesar que compartilhamos a informação do falecimento, na sexta-feira passada, dia 24/02/2017, do eminente matemático chileno-brasileiro Jorge Mujica, aos 71 anos de idade. Jorge Mujica se doutorou em 1974 na Universidade de Rochester, NY-USA, sob a orientação do célebre matemático brasileiro Leopoldo Nachbin. A convite de Mário Carvalho de Matos e João Bosco Prolla, veio para o IMECC-UNICAMP em 1976, onde trabalhou até as vésperas de sua morte prematura e era professor titular desde 1987. Nesses 41 anos de trabalho no IMECC-UNICAMP, prestou serviços relevantes para a matemática brasileira, ministrando cursos que marcaram a memória de seus (muitos) alunos, pesquisando e publicando importantes artigos na área de Análise Funcional, proferindo palestras e conferências nas quais se podia testemunhar seu brilhantismo e sua memória privilegiada, trabalhando em colaboração com outros pesquisadores e orientando muitos mestres, doutores e pós-doutores. Seu livro “Complex Analysis in Banach Spaces”, publicado originalmente pela North-Holland em 1986, se tornou um clássico na área de Holomorfia em Dimensão Infinita e ganhou uma nova edição pela Dover Publications em 2010. Sua generosidade em compartilhar seus conhecimentos era proverbial e admirada por todos que com ele conviveram. Foi homenageado no Encontro de Análise Funcional e Teoria da Aproximação de Uberlândia em 2012 e no IMECC-UNICAMP em 2014.  Jorge deixa esposa e dois filhos.

Fonte: Forum PPG

Seleção de voluntários para a 58th International Mathematical Olympiad (IMO 2017)

Processo seletivo conta com fases de inscrição, entrevistas e treinamento.

Esta aberto o processo de seleção de voluntários para participar da 58th International Mathematical Olympiad (IMO 2017). Estudantes interessados têm até 1º de março de 2017 para se inscrever.
O formulário de inscrição esta disponível no endereço: https://goo.gl/zZioxJ

Durante a IMO 2017, os voluntários poderão atuar em diversas funções, como guia de delegação, fiscal de prova, assistente do comitê acadêmico ou assistente de mídia, entre outras. O processo seletivo começa com a fase de inscrições online, passando por entrevistas presenciais e treinamento.

Entre os benefícios oferecidos, estão: Certificado de participação, hospedagem e alimentação durante todo o evento, participação nos passeios e excursões, além de todos os materiais promocionais do evento.

Para participar do processo de seleção, basta ter idade igual ou superior a 18 anos, ter fluência em Inglês ou outro idioma estrangeiro, ter disponibilidade para participar do processo seletivo, assim como ter a possibilidade de atuar durante todo o período do evento.

Sobre a IMO 2017

A International Mathematical Olympiad (IMO) é a maior, mais antiga e mais prestigiada olimpíada científica do mundo para alunos do ensino médio. Organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a 58ª edição do evento ocorrerá no Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 23 de julho de 2017.

Para outras informações sobre o evento, visite a página: www.imo2017.org.br
58th International Mathematical Olympiad
Email: imo2017@impa.br
Tel: 21-2529-5189

Lançamento da Coleção História da Matemática

A Sociedade Brasileira de Matemática – SBM promoveu no dia 10 de fevereiro, em sua sede, o lançamento da Coleção História da Matemática e da sua primeira obra, intitulada “Curso de Análise de Cauchy – uma edição comentada”. Estiveram presente os autores do livro, professores Gert Schubring e Tatiana Roque, além do presidente da SBM, professor Hilário Alencar e os editores – chefe e adjunta da coleção, professores João Bosco Pitombeira e Viviane Oliveira.
DSCN1633

 Da esquerda para direita: Hilario Alencar, João Bosco Pitombeira,  Tatiana Roque, Gert Schubring e Viviane Oliveira

chm01